BIENAL DO LIVRO
Dia do Livro Infantil: o que as crianças de Salvador estão lendo para fugir dos celulares
Descubra os livros que mais chamam atenção das crianças de Salvador

Neste sábado, 18, Dia Nacional do Livro Infantil, os corredores da Bienal do Livro Bahia foram tomados por uma nova geração de leitores. Em uma era dominada por telas, dancinhas do TikTok e pelo frenesi do K-pop, o que se viu pelos estandes do evento foi, no mínimo, curioso: o mundo lúdico das fadas, dos animais e das fábulas clássicas ainda é o destino favorito das crianças de Salvador.
O fascínio pelo formato físico e pelas histórias mais puras começa muito antes da alfabetização completa. Foi o que descobriu a reportagem de A TARDE ao percorrer os corredores da Bienal do Livro Bahia, que acontece neste sábado, 18, no Centro de Convenções de Salvador.
Paixão pela leitura desde cedo
Para a pequena Valentina Nascimento, de apenas 4 anos, a paixão pelo mundo dos livros já é uma realidade, mesmo que ela ainda esteja apenas conhecendo as primeiras letras e palavras. Sua mãe, Juliana Nascimento, conta que as histórias, principalmente as de animais, são uma exigência inegociável na rotina.
“Pra dormir e tomar banho tem que ter uma história", diverte-se. Na feira, Valentina fez questão de levar para casa a obra ‘Uma ideia amalucada’, de Renata Fernandes.

Esse contato desde o berço também é a base da educação de Maria Lis, de 7 anos. Os pais, Andressa Santos e Heiter Valverde, garantem que a leitura faz parte da vida da menina desde quando ela ainda estava na barriga, e até hoje o casal se reveza na hora de contar a historinha antes de dormir.
Apaixonada por contos de fadas, Maria Lis diz achar a Bienal "muito legal" pela experiência de tocar, abrir e explorar os livros físicos. A menina tem total autonomia para escolher o que quer ler, e o incentivo dentro de casa é claro: "Não é gasto, é um investimento", afirma o pai.
Ansiosa por novas histórias, Maria Lis escolheu o livro “Quinca no Mundo da Lua” e já garantiu o autógrafo do autor, o jornalista Ricardo Ishmael, no próprio evento.

A rotina noturna de contação de histórias é uma tradição compartilhada também por Jennifer Benninghoven e sua filha Laura, de 5 anos. Estimulada desde os três meses de idade, Laura agora está na fase de aprender a ler, juntando as sílabas com a ajuda do papai e da mamãe.
O repertório é construído a dedo: "Eu leio pra ela desde que ela nasceu, todo final de noite a gente lê juntas", conta Jennifer.

A mãe procura sempre trazer obras que deixem uma mensagem positiva ou que discutam o certo e o errado. A lista passa por sucessos como As Crônicas de Nárnia e clássicos como As Fábulas de Esopo. Na noite anterior, a leitura de cabeceira foi ‘O apanhador de Sonhos’, de Stephen King.
Apesar de estarem aproveitando o primeiro dia de Bienal, Jennifer deixou uma sugestão estrutural importante para as próximas edições: a criação de uma ala dedicada exclusivamente aos livros infantis, com melhor organização e setorização, visando principalmente o conforto e a inclusão de crianças autistas.
Universos complexos
Enquanto o mundo lúdico encanta grande parte das crianças, algumas aproveitam o incentivo familiar para desbravar universos literários bem mais densos e estruturados.
É o caso de Eike, de 6 anos. Desafiando a idade, o menino tem em sua lista de leituras atuais obras de peso, como a trilogia O Hobbit e O Senhor dos Anéis, e grandes clássicos da ficção científica de Júlio Verne.
Sua mãe, Masumi Schnitman, conta que a curadoria partiu dela e do pai, que oferecem ao menino livros que eles gostam e sentem que ele poderia acompanhar e compreender.
Mesmo com a pouca idade, o cardápio literário de Eike conta até mesmo com títulos curiosos que misturam ciência e cotidiano, como ‘O que Einstein disse a seu cozinheiro’.
Diferente de outras crianças, Eike parece manter uma regra para administrar as leituras. Questionado se iria começar as leituras novas hoje, ele negou: “Só depois que eu terminar a minha coleção atual”.

Programação infantil na Bienal do Livro
O espaço infantil da Bienal do Livro Bahia 2026 é um dos grandes destaques da programação. Batizado de “Portais da Palavra”, o ambiente foi pensado para estimular a imaginação, a criatividade e o encantamento das crianças do evento, que vai até 21 de abril, no Centro de Convenções Salvador.
Com mais de 300 metros quadrados, o espaço tem cenografia interativa e uma programação contínua que inclui teatro, música, contação de histórias, performances e encontros com autores.
Alinhado ao tema da Bienal, “Bahia: identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo”, o espaço destaca quatro formas de expressão cultural: movimento, som, imagem e palavra. A ideia é apresentar às crianças diferentes manifestações que ajudam a difundir a cultura baiana, como a dança, a capoeira, a música, o cinema e as narrativas contemporâneas.
A curadoria é assinada por Mira Silva.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




