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CULTURA

Espetáculo Refazendo Salomé aborda questões do feminino

Eduarda Uzêda

Por Eduarda Uzêda

13/10/2016 - 7:16 h

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"Quantas vezes a gente ouve uma história e se pergunta se aquela história aconteceu daquele jeito?". A frase é dita pela personagem central do espetáculo Refazendo Salomé, que estreia sábado, 15, às 17 horas, no Museu de Arte da Bahia (MAB), Corredor da Vitória.

No palco, para desconstruir o mito e levantar discussões contemporâneas a exemplo do lugar do feminino na atualidade, a atriz Deborah Moreira (Ensina-me a Viver/Acrobatas), que além de atuar também assina o texto.

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A direção é de George Mascarenhas (Alegria de Viver, O Tigre). A produção é da Mimus Companhia de Teatro, formada pelos dois artistas especializados na mímica corporal dramática de Etienne Decroux que se dedicam à pesquisa, resultando em espetáculos cuidadosos.

Voz dos vencidos

Originalmente, relatos bíblicos de Salomé contam a história de uma mulher que pede a Herodes, seu padrasto, a cabeça do profeta João Batista, em uma bandeja.
"Refazendo Salomé mostra o discurso dos vencidos, daqueles que tiveram sua voz abafada", afirma a atriz Deborah Moreira, que, além de Salomé, representa o padrasto, o rei Herodes, e a sua mãe, a rainha Herodíades.

Ela destaca que o discurso de Salomé, que conduz toda a trama, questiona a história oficial. A intérprete e dramaturga diz que a ideia do espetáculo surgiu há alguns anos. "Mas não me interessava falar do mito de Salomé. Pesquisando sobre a vida dela, comecei a visualizar outras perspectivas de contar esta história", diz .
Musicistas

"Neste espetáculo Salomé é o eixo de sustentação dramatúrgica para falar de mulheres que tiveram suas vozes abafadas, cerceadas", afirma a atriz. Ela destaca, também, a presenças de duas musicistas mulheres no espetáculo: Daniela Penna, na percussão, e Isis Carla, na guitarra.

O diretor George Mascarenhas complementa: "Nesta versão, Salomé luta pela liberdade, diante da tirania". Acrescenta que o feminino ganha destaque diante de questões como o poder, a imagem, a política e a violência.

Narrativa fragmentária

"Experimentamos agora uma maior aproximação com o público e por isto o espaço do museu tem forma de arena", afirma o diretor. Lucra a plateia, que pode apreciar, também, a beleza arquitetônica do espaço do museu, que guarda belos azulejos do século 19.

Vozes do passado e do presente se cruzam na narrativa fragmentária de Refazendo Salomé, que foi montada graças a recursos do grupo.

Deborah Moreira diz que, como intérprete, o seu maior desafio foi "o de associar o trabalho físico desenvolvido pela Mimus com a força da palavra que o texto exige". Este é o primeiro solo da carreira da atriz baiana.

Ela lembra que, enquanto Maria da Penha e Malala (a jovem paquistanesa que defende o direito de estudo das mulheres islâmicas) são vozes femininas que se sustentam, outras permanecem abafadas. Assina o figurino Marcio Akiyoshi, a Iluminação, Luciano Reis, e a direção musical, Luciano Salvador Bahia.

A figura de Salomé tem inúmeras versões artísticas. No teatro, é célebre a versão de Oscar Wilde e, no cinema, a de Carlos Saura, em filme homônimo. Pasolini foge da imagem femme fatale em O Evangelho Segundo São Mateus.

Refazendo Salomé/ Estreia Sáb, 17h/ Temporada até 20 de novembro, sábados e domingos, 17h /Museu de Arte da Bahia / Corredor da Vitória, 2331 (estacionamento gratuito no local)/ R$ 30 e R$ 15 (meia)

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