CULTURA
Paralamas do Sucesso lança novo disco na Concha Acústica do TCA

Um feliz caso de talento, longevidade e preferência popular, o Paralamas do Sucesso chega aos 36 anos de atividade absolutamente consolidado como uma das principais bandas do rock brasileiro. Neste domingo, 27, ela se reencontra com o público soteropolitano na Concha Acústica, trazendo à cidade o show do seu mais recente álbum, Sinais do Sim.
Na sexta-feira, 25, eles já se reencontraram com os baianos ao se apresentarem no Ária Hal, em Feira de Santana. “Sim, faz um bom tempo que não tocamos em Feira”, admitiu o baixista Bi Ribeiro por telefone na quinta-feira (24), um dia antes de embarcar para a Bahia com Herbert e Barone.
“Já tocamos muito no antigo (Clube de Campo) Cajueiro. A gente faz o Brasil todo, um monte de cidades no interior. Não tem tempo ruim pra gente, não. Não tem lugar que não vamos”, afirma, animado.
Outro fator de animação é o próprio palco onde se dará o show, o solo sagrado da Concha Acústica do TCA, nacionalmente reconhecido como um dos melhores locais para apresentações de música popular. “Ah sim, a Concha é um dos palcos mais amados do Brasil, sem dúvida. E a gente tem orgulho de ter uma história grande nesse palco, desde os anos 1980”, disse o baixista.
Nesta turnê, como é natural quando se lança um álbum novo, o repertório misturará sucessos e músicas de Sinais do Sim, além de algumas surpresas. “É o show do Sinais do Sim, o lançamento do disco mesmo. A gente encerrou no no passado o show dos 30 anos, que a gente levou quatro anos fazendo, só com hits”, lembra.
“Então este ano vamos fazer um repertório de show que conversa bem com o repertório do disco novo, incluindo algumas músicas antigas que não tocávamos há um tempão, outras que nunca tínhamos tocado ao vivo e, claro, alguns sucessos que são inescapáveis. O show está bem redondo, azeitado, sem arestas, muito gostoso de tocar e divertido para o público também”, detalha Bi.
Ruptura
Um fato pouco lembrado – e que coloca o Paralamas acima de boa parte de seus colegas de geração – é que foi o trio que, em 1986, em pleno auge midiático do rock brasileiro, promoveu uma pequena grande revolução com seu álbum Selvagem?, no qual assumiu uma estética tropical brasileira.
Neste álbum, o trio aprofundou suas influências jamaicanas – já presentes desde o primeiro disco via The Police, a quem eram acusados de copiar nos dois primeiros discos –, além de incorporar batidas brasileiras, a guitarrada paraense e o hi life (estilo africano), entre outros.
O que menos gente ainda se lembra – ou sabe – é que uma parte dessa nova inspiração veio da temporada que Herbert, Bi e Barone passaram em Salvador no verão de 1985 – justamente aquele fatídico verão, ano zero da axé music – logo após o show do trio no primeiro Rock in Rio.
“(Essa influência baiana) Foi subliminar. O Selvagem? não tem nenhuma música assim, baiana. Mas depois do Rock in Rio nós passamos o Carnaval aí em Salvador. Eu nunca tinha ido e fiquei fascinado com os blocos afros, com a coisa crua da percussão e voz”, lembra Bi.
“Ficamos malucos com aquilo tudo que gente via. Aí começamos a fazer associações, a coisa da região Norte, a coisa da África, o reagae, o xaxado, o baião. Aí quando vimos o Olodum, lascou. A África é aqui agora. Não tem nada igual no mundo. Ficamos loucos e começamos a frequentar os ensaios”, relata.
Essa postura ia na contramão de 99% das bandas de sucesso de então, que se limitavam a reproduzir a sonoridade e a estética do pós-punk inglês, então a última bolacha do pacote do rock. “Pois é, tinha essa tendência forte do pós-punk na época. E a gente veio com uma coisa mais tropical, mais pra o reggae, mais pra África. A gente se sentiu ali (na Bahia) olhando para uma coisa viva. Inclusive, este ano a gente foi na Virada Cultural assistir ao Olodum”, conta.
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