CULTURA
Sinônimo de best-seller, Sidney Sheldon morre aos 89 anos
O popular escritor americano Sidney Sheldon morreu nesta terça-feira, aos 89 anos, devido a complicações de uma pneumonia, encerrando uma prolífica carreira na qual escreveu roteiros premiados com o Oscar, sucessos televisivos e vendeu mais de 300 milhões de livros.
O romancista morreu no Eisenhower Medical Center, em Rancho Mirage, Califórnia (oeste), disse à AFP Warren Cowan, seu assessor durante 25 anos.
Cowan contou que a esposa de Sheldon, Alexandra, e sua filha, Mary, estavam ao lado do escritor no momento de sua morte.
"Ele foi, em todos os sentidos, um ser humano de primeira classe", declarou Cowan. "Nunca escutei ninguém falar mal dele. Era um homem maravilhoso", acrescentou.
Nascido em 1917 em Chicago, filho de pai alemão e mãe russa, ambos judeus, a carreira literária de Sidney Sheldon começou aos 20 anos em Hollywood, onde trabalhou como roteirista por 17 dólares por semana.
Foi o início de uma das carreiras literárias mais bem sucedidas do século XX, que o transformou no escritor mais traduzido do mundo, com livros publicados em 51 idiomas e vendidos em 108 países.
Sheldon foi também o único escritor a ganhar um Oscar, um Tony e um prêmio Edgar Allan Poe de literatura de suspense, além de outros reconhecimentos.
Foi piloto durante a Segunda Guerra Mundial, mas encontrou tempo para escrever um punhado de musicais de sucesso antes do fim da guerra.
Em 1942, tinha simultaneamente três sucessos na Broadway: "A Viúva Alegre", "Jackpot" e "Dream with Music". Ao fim da guerra, voltou para Hollywood para iniciar uma longa carreira como roteirista dos estúdios MGM e Paramount.
Seu grande sucesso como roteirista começou em 1947, quando ganhou um Oscar de melhor roteiro original pelo filme "O Solteirão Cobiçado", protagonizado por Shirley Temple e Cary Grant.
Também foi premiado pelo sindicato dos roteiristas (Screen Writers" Guild) em 1948 pelo musical "Desfile de Páscoa", protagonizado por Judy Garland e Fred Astaire, e novamente em 1951 por "Bonita e Valente", com Betty Hutton, Howard Keel e Keenan Wynn.
Em 1959, conquistou um Tony pela co-autoria do musical "Redhead", na Broadway.
Nas décadas de 1950 e 1960, continuou escrevendo roteiros para o cinema e a televisão.
Um dos maiores sucessos de Sidney Sheldon como roteirista de TV foi a comédia "Jeannie é um Gênio", que ele criou em 1965 a pedido da NBC para fazer frente a outro êxito da época, "A Feiticeira". Foi o escritor quem escolheu e insistiu na escalação da atriz Barbara Eden para viver a charmosa gênia das mil e uma noites que bagunça a vida de seu novo amo, o major Nelson, um astronauta da Nasa. A série, exibida até hoje em quase todo mundo, marcou época porque, apesar de considerada uma comédia bobinha, quebrou vários tabus moralistas dos anos 60, ao mostrar um homem e uma mulher morando juntos sem serem casados e ter como protagonista uma mulher sedutora e independente, que fazia o que bem entendia apesar de subordinada a seu "amo".
Sidney Sheldon também colaborou com outros sucessos da televisão, como o famoso "Casal 20".
Apesar da bem sucedida carreira de roteirista, foi sua obra como romancista que o lançou para a fama internacional, desde seu primeiro livro, "A Outra Face", em 1970.
O romance foi rejeitado pela crítica, mas vendeu 21.000 exemplares de capa dura antes de saltar para a lista de best-sellers em versão "pocket" e vender 3,1 milhões de cópias. O livro também rendeu a Sheldon um prêmio Edgar Allan Poe de melhor novo romance de mistério.
"Terminar um romance, quando estava certo de que não tinha talento para ser romancista, foi o feito do qual mais me orgulho como escritor", disse Sheldon.
O sucesso do livro potencializou sua carreira como escritor e seus livros - invariavelmente repletos de personagens femininos corajosos e homens malévolos - estiveram regularmente na lista dos mais vendidos.
Seu segundo romance, "O Outro Lado da Meia Noite", se manteve na liderança da lista dos mais vendidos do jornal The New York Times por 52 semanas consecutivas. Dezessete de seus livros lideraram as listas dos mais vendidos.
Sheldon afirmou que nunca buscou conscientemente usar mulheres como personagens principais de tantos livros. "Gosto de evitar o mito da "loira burra"", declarou em entrevista recente.
"O fato de meus personagens femininos terem personalidade forte, embora sejam fisicamente atraentes, reflete as mulheres que conheci na minha vida", afirmou.
Desprezado pela crítica, amado pelos leitores, Sheldon atribuía o sucesso de seus romances a um desejo de realismo. "Não escreverei sobre nenhum lugar do mundo a menos que tenha estado ali pessoalmente para investigá-lo", assegurou.
"É meu costume contratar um motorista para percorrer qualquer cidade ou povoado onde estiver. Uma noite, em uma solitária estrada de montanha na Suíça, perguntei ao motorista qual seria um bom lugar para se livrar de um cadáver. Nunca esquecerei seu olhar!", disse.
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