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CULTURA

Steven Pinker fala de suas polêmicas ideias sobre a mente humana

Joceval Santana, do A TARDE

Por Joceval Santana, do A TARDE

22/03/2009 - 18:53 h

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Arte, fé, reflexões filosóficas, linguagem, a expressão das emoções, comportamento sexual – para o psicólogo e linguista canadense Steven Pinker, tudo isso não passa do produto da nossa própria mente, adaptando-se e enfrentando condições adversas. Todos essas formas de organização têm a ver com uma questão unicamente evolutiva: manter a sobrevivência do indivíduo e da espécie. Tudo faz parte do processo de seleção natural, nada é sobrenatural.



Polêmica instalada, Pinker tem se dedicado a explicar como a mente funciona – título aliás de um dos seus livros, How the Mind Works, lançado em 1996 – e vai falar um pouco disso na palestra que faz nesta terça, dia 24, no TCA, às 20 horas, na abertura da temporada de 2009 do programa Fronteiras Braskem do Pensamento. A escolha do neurocientista para abrir a série se torna emblemática.



O Fronteiras tem como tema, este ano, Reinvenção da Vida, Reinvenção do Mundo. Para além da vigente crise econômica de reverberações mundiais, o momento exige uma nova ordem nas relações políticas e sociais. Assim, começar um ciclo de palestras sobre o tema exatamente com a questão da linguagem é mostrar – intencionalmente ou não – que uma abordagem humana é fundamental para quaisquer mudanças.



Insulto – Pinker não é apenas um polemista, embora suas ideias causem controvérsia no mundo acadêmico e desagradem aos tementes a Deus, digamos assim. Mas isso se deve muito mais à ousadia (com embasamento) de suas proposições. E também ao seu olhar determinista, darwiniano e racionalista. "Determinismo é normalmente usado como insulto a qualquer teoria que reconhece que a nossa biologia desempenha um papel em nossa mente e comportamento”, pondera, em entrevista cedida a A TARDE.



O estudioso destaca que o insulto é equivocado, e cita várias razões. “Uma, é que qualquer efeito dos genes no comportamento é probabilístico, que seria o oposto matemático de determinismo. Outra, é que a evolução e os genes afetam nossas emoções, impulsos e pensamentos; eles não podem diretamente ‘apertar o botão’ do comportamento”, enumera.



E prossegue: “Uma terceira, é que explicações simpáticas à cultura e socialização podem ser ainda mais deterministas – teorias que atribuem crime à privação, ou à cultura de violência, ou aos maus cuidados dos pais no início da vida dos filhos”.



Top 100 – Ex-professor do Departamento do Cérebro e Ciências Cognitivas do Massachusetts Institute of Technology, ele regressou à prestigiosa Universidade de Harvard em 2003, instituição que lhe conferiu o título de doutor em psicologia, no fim da década de 70. No ano seguinte ao regresso, figurou na lista da revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do planeta – isso aos 50 anos de idade.



A essa altura, já havia lançado livros que demarcavam o território das suas ideias evolucionistas, como O instinto da linguagem (1994), Words and Rules: The Ingredients of Language (1999) e Tábula rasa (2002), sua obra mais conhecida, que o fez finalista de prêmios e que contribuiu para a sua presença entre os top 100. No ano passado, chegou ao Brasil Do que é feito o pensamento, lançado em 2007.



“Meu tema será Linguagem, Mente e Natureza Humana, e eu espero dar uma amostra de algumas das principais ideias sobre as quais eu escrevi em meus livros. Isso inclui como a linguagem se desenvolveu, como a linguagem funciona e como a linguagem é usada para negociar as relações humanas”, adianta ele, sobre a conversa que terá, amanhã, com a audiência baiana.



Pela abrangência temática, as perguntas da plateia, que são destinadas ao palestrante após sua fala, podem seguir por diversos assuntos: religião, espiritualidade, tecnologia, vida cotidiana, educação, sexualidade, sociedade, cultura, natureza... A abordagem das respostas virá de um pensador que compara a mente humana, em suas funções, a um computador.



"Num sistema tecnológico bem projetado, os componentes são caixas-pretas que realizam suas funções como se o fizessem por arte mágica. Isto não é menos verdadeiro em relação à mente”, já escreveu ele. Pinker diz que o ser humano sofre uma “ilusão” ao acreditar que a capacidade de reflexão está ligada a uma força divina ou sobrenatural. "Na mente não existe nada mais exceto atividade neural", vaticina.



Fotografias – Esta é a segunda vez que Pinker vem ao Brasil. No ano passado, esteve no País para falar sobre humanismo, com a mulher, a escritora e filósofa Rebecca Goldstein (Pinker está no terceiro casamento). A conversa aconteceu em um cruzeiro na Amazônia. “Sou um fotógrafo ávido, e tirei várias fotografias espetaculares”, diz ele, que disponibilizou as imagens na internet .



“Muito das pesquisas mais interessantes sobre evolução humana diz respeito a pessoas vivendo na Amazônia”, comenta o estudioso, confessando-se “ignorante” quanto a nomes de cientistas cognitivos ou neurocientistas no Brasil.



Nesta viagem ao País, o admirador da música e da cultura brasileiras passa também por Porto Alegre (em palestra nesta segunda). A apresentação de Pinker abre uma programação de mais quatro conferências, todas no segundo semestre – que, embora em número menor do que ano passado, quando estreou em Salvador, conta com nomes de respaldo, como o Nobel de Economia Eric Maskin e a estrela da literatura do new jornalism Tom Wolfe.



Não é possível mais adquirir ingressos para a conferência desta terça, mas o passaporte para as outras conversas, no valor de R$ 165, pode ser adquirido no Circuito SaladeArte.

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