ECONOMIA
20ª em acesso à internet, inclusão digital é desafio na BA
Aos 28 anos, Valdirene de Jesus Santos não conhece a rede de computadores que interliga milhões de pessoas em todo o mundo e virou uma febre em diversos países. Moradora do bairro de Vista Alegre, em Salvador, ela não esconde a vontade de aprender a utilizar o computador. Já ouvi falar de internet, mas nunca naveguei. Tenho até vontade de fazer um curso de informática para aprender, mas ainda não tive oportunidade, conta.
O salário que ganha como babá é comprometido com contas de aluguel, água e luz e não é suficiente para comprar um computador.
Também sem condição de adquirir um computador ou pagar pelo acesso, a jovem Eliene Barros, de 20 anos, espera pela oportunidade para mergulhar no universo das tecnologias da informação e comunicação. Sei que é importante, principalmente para trabalhar, mas não tenho como pagar, explica a babá, que por vergonha de não saber mexer no equipamento, evita freqüentar lan houses no bairro onde mora, na Estrada Velha do Aeroporto.
Valdirene e Eliene engrossam números de uma pesquisa publicada no final de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre acesso à internet e à telefonia celular. O levantamento mostra que, em 2005, 79% dos brasileiros não acessaram a internet.
Na Bahia, que tem a sexta economia do país, o índice é ainda pior do que a média nacional. Segundo dados do suplemento da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), 87,1% dos baianos com idade acima de 10 anos não acessaram a internet naquele ano.
Ao comentar os dados divulgados pelo IBGE, o titular da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) da Bahia, Ildes Ferreira, não esconde a insatisfação com a o resultado obtido pelo estado, que ocupou a 20ª posição entre os 27 estados brasileiros no ranking de acesso à rede mundial de computadores à frente de Alagoas, Maranhão e Piauí, entre outros. A situação é de caos. Estamos com um atraso de 30 anos, lamenta.
Falta estrutura
Os dados revelam que apenas 12,9% dos baianos com idade acima de 10 anos 1.443.600 pessoas acessaram a internet em 2005. A pesquisa mostra que o acesso à tecnologia da informação depende de maior instrução do usuário, do rendimento médio per capita familiar e da infra-estrutura disponível, de acordo com o chefe do setor de informações do IBGE na Bahia, Joílson Rodrigues. A ausência desse conjunto de fatores dificulta a maior expansão do número de usuários, destaca.
Um dos principais fatores que dificultam o crescimento do número de usuários na Bahia é o alto índice da população rural do estado, de 33,47%, segundo Rodrigues.Nesses ambientes as pessoas têm baixos índices de instrução e capacidade econômica para pagar pelo serviço, além da falta de infra-estrutura destinada à conexão (linhas telefônicas) e navegação na internet (provedores), explica.
Além dos problemas com infra-estrutura, também será preciso investir em educação para que as pessoas entendam a realidade das tecnologias e passem a se relacionar com esse novo mundo. O cidadão tem que estar antecipadamente preparado para receber as informações sobre tecnologias de informação e comunicação. É importante valorizar a tecnologia, fazer crescer o interesse no assunto. Falta motivação e encorajamento da população para usar as tecnologias de informação e comunicação, acredita Joílson Rodrigues, do IBGE.
Esse desafio também é destacado por Ildes Ferreira. Muita gente ainda desconhece a importância das tecnologias de informação e comunicação. Na sociedade moderna, aprender a utilizá-las é tão necessário quanto aprender português, frisa.
É a falta de interesse em aprender a lidar com o computador que faz com que a dona-de-casa Jailza Silva, de 45 anos, se mantenha à parte do universo da tecnologia. Moradora do bairro de Sussuarana, Jailza aponta outros fatores que também dificultam seu acesso ao mundo das tecnologias da informação e comunicação. Não tenho tempo nem dinheiro. Por enquanto não tenho interesse em aprender, mas quem sabe um dia?.
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