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ECONOMIA

“A miséria é um mito obsoleto”

JORNAL A TARDE

Por JORNAL A TARDE

19/02/2006 - 0:00 h

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Entrevista - Ricardo Neves



A inflação praticamente acabou, mas o vício de monitorar indicadores macroeconômicos ficou, impedindo que o País perceba a gravidade de questões como a informalidade e uma de suas variáveis, a criminalidade.



As conclusões são do consultor do Banco Mundial e da ONU Ricardo Neves, que está lançando o livro “Pegando no tranco – O Brasil que você nunca pensou”. Nesta entrevista a Mariza Louven, da Agência Globo, Neves contraria o senso comum que aponta a pobreza, a desigualdade e a corrupção como temas prioritários da agenda nacional.



A pobreza, a desigualdade e a corrupção não são problemas graves?



RICARDO NEVES –
A miséria, a pobreza e a corrupção são tão ligadas à imagem do Brasil quanto o samba, o futebol e o Carnaval. Para mim, são mitos obsoletos e clichês da realidade brasileira. A pobreza não tem o gigantismo que os poetas do fim do mundo e os políticos em campanha apregoam.

 

A metodologia de cálculo da pobreza está errada?



O IBGE segue a metodologia internacional de linha da pobreza (pessoas vivendo com menos de um dólar por dia). Eles não perguntam quanto se gasta para viver, mas sim qual é a renda familiar. Mas as pessoas não declaram corretamente a renda, mascarada pela informalidade. Por isso, quando se comparam os dados de consumo com os de renda, o balanço não fecha.

 

Como dimensionar corretamente o problema?



Tem que perguntar qual é o consumo e qual é a penetração de bens e serviços.

 

Qual é o tamanho da pobreza no Brasil?



Na “Economist”, são 60 milhões de pessoas. O Instituto da Cidadania do PT fala em 44 milhões. O Fome Zero, em 46 milhões. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 22 milhões. Todas erram. Todas superestimam a dimensão da pobreza.

 

Por que elas erram?



Todas se baseiam nos números do IBGE, não vão a campo. Quando isso é feito, os números mudam. Exemplo: o cadastro de moradores de rua feito pela prefeitura de São Paulo, em 2003, contabilizou 10 mil pessoas numa cidade de nove milhões de habitantes.

 

O número de 11 milhões de domicílios assistidos pelo Bolsa Família é exagerado?



É superestimado.

 

Quais são os riscos da má avaliação do problema?



Sem visão estratégica de onde estão pobreza e desigualdade, recursos serão desperdiçados. É mais interessante regulação fundiária em áreas de baixa renda que um Fome Zero.

 

Quais os temas da nova agenda?



Há três aspectos que desarticulam a sociedade: 60% dos trabalhadores estão na informalidade; 13 milhões de imóveis não têm títulos de propriedade; e há dez milhões de empresas informais.

 

E a criminalidade?



Está sendo subestimada. A União lava as mãos. E isso não é só o governo Lula.

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