ECONOMIA
Aluguel tem maior reajuste em três anos
O Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM), registrou alta de 11,53% no acumulado dos últimos 12 meses até maio, conforme divulgado nesta quinta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), vinculado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). As famílias que têm reajuste de aluguel previsto para o mês que vem deverão ser as primeiras a sentir o impacto inflacionário. O IGPM é usado como referência para reajuste da mensalidade da locação da maioria dos imóveis residenciais. O valor do índice deste mês é o maior desde janeiro de 2005, e reflete a elevação dos preços dos alimentos e de produtos como óleo diesel e minério de ferro, que impactaram a indústria no período.
O vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci/BA), José Alberto Vasconcelos, observa que o IGPM é usado no reajuste dos contratos por representar de maneira mais fiel à dinâmica da economia. “As partes podem usar outros índices, como o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), mas a tendência é que o valor pago pelos aluguéis aumente, pois a inflação está sendo registrada por todos os índices”, explica Vasconcelos. Ele ainda acrescenta que, entre proprietários e inquilinos já começa a haver certa tensão relacionada à revisão dos contratos, pois o valor dos imóveis disparou, com o boom imobiliário, enquanto as mensalidades ficaram no mesmo patamar.
Vasconcelos observa que em bairros como Corredor da Vitória, Pituba e Horto Florestal, é possível alugar imóveis de dois quartos em valores que variam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil mensais, algo distante do padrão de se fixar a mensalidade em valor equivalente a 1% do preço de venda do imóvel. Ele acrescenta que, em bairros como Cabula, Pernambués e Brotas, os preços seriam mais acessíveis a famílias com renda de até quatro salários mínimos ao mês.
Quem tem reajuste de aluguel previsto para o mês que vem já planeja o orçamento familiar tendo em vista o repique inflacionário. O engenheiro civil Paulo Meirelles, de 51 anos, mora com a esposa e três filhas num imóvel localizado na Vila Laura, e está às vésperas da revisão do contrato. “Pretendo manter-me no imóvel, mas vai depender da negociação com o proprietário”, observa Meirelles, que julga o valor pago atualmente como justo. Já a supervisora de telemarketing Rachel Helena Santos, moradora do Cabula, vive com a mãe e a irmã. “É mais fácil, pois a gente divide o custo, mas ainda assim é uma despesa que pesa”, afirma.
O economista do Ibre/FGV Salomão Quadros avalia que a aceleração do IGPM de maio é fruto de uma conjunção de fatores que não devem se repetir, pelo menos nos próximos meses. “Um dos determinantes da alta foi o reajuste de alguns insumos usados na indústria, que são concentrados neste período”, observa Quadros.
O IGPM é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. O índice também é usado como referência para correção de tarifas de água e energia. O presidente do Conselho Regional de Economia na Bahia (Corecon/BA), Paulo Dantas, observa que o remédio para conter a alta inflacionária, no momento, é a alta dos juros. “Pelo menos no médio prazo a solução pode ser essa”, avalia.
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