ECONOMIA
Após alta de 20%, pão sobe novamente
O pão francês aumentou de preço quatro vezes mais do que a inflação no último ano em Salvador e os panificadores já falam em novo reajuste. Segundo pesquisa mensal da cesta básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o pãozinho aumentou 20% nos últimos 12 meses, enquanto a inflação medida pelo IPCA — índice oficial do governo — foi de 4,49%. Mas segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação de Salvador, Mário Augusto Rocha Pithon, o aumento do preço da farinha de trigo e o acordo salarial para reajuste dos empregados vai gerar novos custos que deverão ser repassados para o consumidor. “Há expectativa de que a farinha suba 10% nos próximos dias. Além disso o sindicato deve fechar acordo salarial com os empregados de 6% de reajuste , que deverá refletir no preço final”, justifica.
Para os consumidores, não há razão para mais aumento. “Já está muito caro, subiu muito. Eu comprava dez paezinhos por R$ 2 e agora gasto mais ou menos R$ 3,50 por dia. Não tem por quê aumentar mais”, diz Gilcélia Barbosa. Eugênia Ventura, que preferia comprar o pão por unidade e não por peso, como deve ser vendido atualmente, diz que por ser um alimento que todos consomem, deveria ser mais barato. “Afinal, este é o pão nosso de cada dia”.
E o fermento no preço do pão de cada dia, segundo Pithon, é causado principalmente pela carga de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o trigo, que é de 33%. Isto significa que a cada três sacas de farinha de trigo vendidas pelos moinhos às padarias vai embutido o preço de mais uma como antecipação de ICMS, que é repassado ao consumidor. “Por que a Bahia não isenta o ICMS do trigo como fez há dois anos o Estado de São Paulo?”, questiona Pithon, que reivindica também redução de ICMS sobre a conta de energia elétrica, benefício que teria sido concedido ao ramo hoteleiro.
Segundo o diretor de tributação da Secretaria da Fazenda, Jorge Gonzaga, a carga de 33% sobre o trigo foi acordada em protocolo entre os Estados do Nordeste e não há previsão de redução. O diretor ficou de confirmar a existência e o percentual de redução para o ramo hoteleiro, mas até o fechamento desta edição não enviou a informação.
A economista Nadia Souza, do Dieese, explica que o trigo teve quebra de produção em 2007 e isto causou a elevação dos preços ao longo do ano passado. “A expectativa para 2008 é de que a safra seja robusta, mas ainda assim os preços do trigo devem permanecer elevados, sob influência das cotações de outros grãos como soja, milho e arroz, e dos baixos estoques mundiais”, explica.
O governo federal anunciou no inicio do mês redução do imposto sobre a importação do trigo de 10% para 0%, para compensar a diminuição das importações da Argentina “É um tentativa de baratear as importações do Canadá e dos Estados Unidos, até que a oferta de trigo se regularize internamente“ explica.
Mas a medida não tem surtido efeito e a farinha de trigo na Bahia já subiu 2,84% nesta semana, informam os panificadores.
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