ECONOMIA
BC dobra limite da exposição cambial
O Banco Central dobrou o limite que bancos têm para comprar ou vender moeda estrangeira. A chamada exposição cambial passou de 30% para 60% do patrimônio das instituições financeiras.
A medida é exatamente inversa à adotada pelo BC em outubro de 2002. Na época, quando o País vivia uma crise de confiança provocada pela vitória iminente do candidato Luís Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, o BC agiu para conter a desvalorização excessiva do real e reduziu pela metade a capacidade dos bancos de operar com moeda estrangeira. "Havia muita volatilidade nos mercados naquela ocasião, comentou uma fonte. Hoje a situação é bem diferente e o real está valorizado e estável - e a valorização do real provoca reclamações de setores exportadores que se queixam de perda de competitividade ante concorrentes do exterior.
O BC disse que o aumento do limite da exposição cambial não deverá provocará uma alta das cotações do dólar amanhã. A norma sobre exposição cambial tem caráter prudencial, disse um porta-voz da instituição. Na avaliação do BC, o processo atual de valorização do real frente ao dólar vem sendo sustentado por uma melhora dos fundamentos econômicos do país, que atrai investimentos, e pelos elevados saldos da balança comercial. Não será por causa de um regulamento como esse que a situação será alterada, disse uma fonte.
O BC não informou, entretanto, se os bancos vinham utilizando todo o limite de 30% permitido pela regra até agora em vigor. No último dia 16 de novembro, o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, havia informado que os bancos estavam comprados em câmbio em US$ 3,259 bilhões. O aumento em relação aos US$ 690 milhões do final de outubro chegou a provocar alguma volatilidade no mercado de câmbio. Um novo valor será conhecido no meio da tarde de amanhã, quando o BC divulgará os números finais de novembro.
A elevação da posição comprada em câmbio veio acompanhada de uma queda nos volumes de compras de dólares feitas pelo BC.
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