ECONOMIA
Comgás acha que mercado absorve gás a US$5/mi de BTU
Com uma expectativa de crescimento no volume de vendas de gás natural canalizado de 12 a 13 por cento este ano, a Comgás não teme interrupções de fornecimento, por conta da crise com a Bolívia, mas se prepara para trabalhar com gás interruptível e com preços maiores para o gás firme.
A Comgás tem um contrato de 3 milhões de metros cúbicos de gás nacional firme com a Petrobras, que vence no fim de 2007, e já está negociando para assegurar um substituto.
"O que a gente quer é gás firme", disse o diretor financeiro e de relações com o investidor da Comgás, Roberto Lage. Mas o que a Petrobras diz é que para qualquer volume acima do contratado, em função das dificuldades com a Bolívia, o gás seria interruptivel.
"A gente não vê isso como problema. O primeiro passo é saber o preço que esse gás terá e quais os clientes com interesse nesse gás. Evidentemente, seriam clientes com capacidade de uso de dois combustíveis", afirmou Lage.
A Petrobras tem dito que garantirá o gás necessário, mas não nos preços atuais. "O que estamos entendendo é que novos contratos devem vir com preço novo. Os existentes não serão alterados", disse o diretor da Comgás.
A empresa se prepara para os novos preços e faz as suas estimativas. "Para contratos firmes, o número que estamos olhando é de 5 dólares por milhão de BTU. É um número complicado, mas no limite o mercado vai conseguir absorver. É o preço que a Argentina está comprando da Bolívia", disse Lage.
O diretor financeiro da Comgás afirmou que não cogita mexer no preço do gás boliviano contratado até 2019, "em torno de 3,70, 3,80 dólares por milhão de BTU", mas que o novo gás que precisará terá preço novo.
"Já falamos sobre a crise da Bolívia e não víamos ambiente propício para rompimentos de contrato, o que está se desenhando agora. Também não víamos interrupção de fornecimento, o que se confirmou. Não tivemos nenhuma dor de barriga. Devemos encerrar o ano sem surpresas", disse Lage.
Até o fim de 2007, a Comgás tem um volume contratado de 9 milhões de metros cúbicos de gás boliviano e 3 milhões de metros cúbicos de gás nacional. "No boliviano, tenho colchão que me permite avançar 10 por cento acima do contratado", comentou Lage, reforçando seu otimismo.
RESULTADO
A Comgás teve um lucro líquido de 107,7 milhões de reais no segundo trimestre deste ano, alta de 19,5 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros impostos, depreciação e amortização) alcançou 218,8 milhões contra 179,2 milhões do segundo trimestre de 2005.
Esta elevação de 22 por cento se deveu, sobretudo, ao ajuste tarifário realizado em fevereiro, de 16,5 por cento em média no segmento industrial, 8,2 por cento no residencial, e 11,7 por cento no Gás Natural Veicular.
"O efeito do ajuste acaba acontecendo em abril, o primeiro mês cheio para o faturamento. A inflação no período também foi muito baixa, o que impacta diretamente no resultado bruto", disse Lage.
A receita bruta de vendas no trimestre foi de 954 milhões de reais contra 754 milhões no segundo trimestre de 2005.
"O resultado foi beneficiado principalmente pelo mix das vendas", comentou Lage. "O volume na termogeração foi reduzido, pois a planta de Piratininga, a única para a qual fornecemos quase não despachou, o que foi compensado pelo crescimento industrial e residencial que traz muito mais retorno."
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




