ECONOMIA
Dendê: roldões e indústrias sustentam o mercado

Os cerca de 350 roldões, como são chamados os locais de produção na região da Costa do Dendê, são comandados por famílias que possuem sua área de cultivo. Sob barracões são instalados os equipamentos que, em sua maioria, necessitam da força de trabalho humana. Em espaço aberto, o cheiro adocicado do dendê toma conta do entorno da produção.
A área aberta também ameniza o calor dos tachos de cozimento, onde a temperatura alcança 150ºC. No ambiente onde cresceu, Elenilton Barros, 24 anos, agora trabalha. Três vezes por semana, ele coordena o processo e divide as funções com um irmão na produção diária de 130 latas de 18 litros, cada.
Sem o equipamento que separa o cacho do fruto, em Orobó, distrito de Valença, um jeitinho tem que ser dado após a colheita. Esperam-se por oito dias, com o cacho aberto para que os frutos amadureçam e sejam retirados com facilidade, manualmente, por produtores como Linaelson de Jesus dos Santos, 25 anos, e seus irmãos no roldão que é gerido pela família há pelo menos três décadas. Lá ainda se utiliza peneira para retirar a palha antes do cozimento do fruto.
Na comunidade quilombola Lamego de Cima, no município de Taperoá, 80% da sobrevivência de seus 200 integrantes vêm da cultura do dendê. “Foi herança dos nossos antepassados”, conta o líder Edvaldo Luz Ramos, 64 anos, que sonha com a mecanização.
Já na localidade de Candimba, em Valença, o cenário do roldão de José Ermano Félix, 44 anos, remonta ao período colonial. O moinho de madeira é puxado por tração animal. É assim que o azeite dos seus dois mil pés é fabricado. “Todo mundo aqui nasce sabendo trabalhar com dendê”, disse.
Larga escala - Do outro lado estão as grandes indústrias. As maiores são Opalma (Taperoá), Oldesa (Nazaré), Jaguaripe (Muniz Ferreira) e Mutupiranga Industrial-MIL (Nilo Peçanha). No ramo há 47 anos, a Opalma fabrica, além do azeite, o óleo de palmíste e outros subprodutos com faturamento de R$ 5 milhões ao ano processando 50 toneladas por dia, segundo o gerente Willian Midley.
Há mais de quatro décadas, a Oldesa, que faz a marca de azeite Yaô, também fornece o oléo de palmíste, sabão em barra e outros insumos e resíduos. Com 70 funcionários, a empresa produz 36 toneladas de óleo por dia e tem renda de R$ 3 milhões por mês. “Meu pai (Higino Estevan Santos) criou a maioria dos equipamentos”, disse o proprietário Vanderlei Ribeiro.
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