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Em tempos de crise, candidatos chegam a omitir qualificação para conseguir emprego

Milena Hildete*
Por Milena Hildete*
| Atualizada em
Candidatos cortam qualificações para conseguir oportunidades de emprego
Candidatos cortam qualificações para conseguir oportunidades de emprego -

Passar no vestibular, cursar a faculdade, formar-se e até fazer pós-graduação. Este é o melhor caminho para quem deseja alcançar uma vaga no mercado de trabalho. No entanto, diante do cenário econômico do país, situações inusitadas começam a surgir.

Na hora da disputar uma vaga, por exemplo, alguns candidatos optam por omitir qualificações do currículo. É o caso do administrador de empresas Marcos Silva (nome fictício). Desempregado há dois anos, ele preferiu tirar a pós-graduação e os cursos de extensão do currículo. "Fiz várias seleções na área e sempre escutava que meu currículo estava muito bom para as vagas", conta o administrador.

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Além disso, Marcos também omitiu algumas experiências profissionais posteriormente. "Eu fui interrompido de um processo seletivo porque me disseram que meu currículo era igual ou superior ao da pessoa que estava contratando", completa ele.

A professora Adriana Souza (nome fictício) também passou pelo mesmo tipo de situação. Com medo de não conseguir emprego em uma instituição, ela optou por retirar o mestrado da área de letras do currículo. "Tem escola que não enxerga com bom olhos", diz a professora.

Estratégia perigosa

A estratégia de rebaixar o currículo pode parecer a melhor solução no primeiro momento, mas ela é perigosa. Para o coordenador do curso de gestão em recursos humanos da Universidade Salvador (Unifacs), Antônio Gouveia, essa tática pode provocar uma relação de desconfiança entre o empregador e o candidato. "Já presenciei e posso dizer que não é o caminho mais seguro. Posteriormente, isso vai se sobressair", completa o coordenador.

O desespero e a ansiedade pode fazer com que profissional que esteja fora do mercado de trabalho entre em situações adversas. Depois do primeiro ano desempregado, Marcos começou a se candidatar para vagas fora da área. "Em fevereiro deste ano, o desespero começou a bater", diz.

Para Gouveia, esse tipo de situação pode causar frustração e a falta de estímulo depois que o profissional assumir o cargo na empresa. "Ele vai ficar desmotivado porque não houve preparo para aquela vaga", diz Gouveia. Além disso, a produtividade da empresa também vai ser afetada.

A saída, nesses casos, é o candidato fazer uma busca mais detalhada para atingir a vaga desejada. "É preciso estabelecer objetivos e determinar o que precisa ser feito para alcançá-los", recomenda o master coaching Moisés Ribeiro.

"O mercado de trabalho não é só busca de estabilidade financeira e foco em produção. O trabalhador precisa estar satisfeito", conta Gouveia.

Não é difícil encontrar pessoas que reclamam da falta de emprego no país. O último estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) justifica a queixa da população brasileira.

De acordo com a pesquisa do instituto, que foi realizada no primeiro trimestre de 2017, o desemprego atinge 14,2 milhões de pessoas no país. O número bateu recorde desde o início da série histórica do índice, em 2012.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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