ECONOMIA
FMI: crise financeira nos EUA pode ter contágio na AL

Apesar do fato de que o sistema bancário da América Latina e Caribe tem ficado imune ao estresse financeiro nos EUA até agora, e de que, em grande parte da região, estas instituições permanecem lucrativas, bem capitalizadas e sem exposição significativa ao mercado de crédito de segunda linha (subprime) nos Estados Unidos, o Fundo Monetário Internacional avalia que este canal (o de bancos) deve ser acompanhado de perto para analisar o risco à região derivado do sistema bancário. "Condições financeiras mais apertadas nos EUA podem ter contágio significativo para as condições financeiras domésticas na América Latina", diz o relatório Perspectiva Econômica Regional para o Hemisfério Ocidental, região compreendida pelas Américas.
De acordo com o FMI, será importante o fortalecimento da cooperação entre autoridades na região e fora dela, nos países de sede dos bancos. "Isto deve facilitar maior entendimento sobre a posição geral de grupos de bancos internacionais e também permitirá à América Latina reagir rapidamente se os parentes estrangeiros ficarem sob grande estresse financeiro." O FMI avalia que as condições externas estão mostrando sinais de aperto, principalmente para emissão corporativa. "As pressões sobre custo de capital podem ser intensificadas por maior declínio em mercado acionário. Enquanto o sistema bancário (da região) tem tido aprofundamento, ainda continua raso em comparação com o dos países avançados, deixando-os mais sensíveis a um prolongado tremor de crédito em economias emergentes."
O FMI estima que a parcela de ativos latino-americanos em portfólio de investidores norte-americanos tem caído desde a crise asiática, enquanto o grau de busca de investimento no próprio país pelos norte-americanos tem avançado. O Fundo observa que a América Latina representa menos de 1% do portfólio total de investidor norte-americano, mas destaca que em tamanho absoluto dos portfólios significa que os investidores norte-americanos são importantes para alguns mercados latino-americanos. Em derivativos, o Fundo reconhece que é difícil mensurar, mas avalia que a presença dos norte-americanos também é grande em alguns mercados da AL.
Empresas
Embora a região compreendida pela América Latina e Caribe esteja se mantendo bem até agora, com mercados domésticos de câmbio e títulos estáveis no geral, apesar do choque financeiro derivado dos Estados Unidos, as condições de financiamento externo têm se apertado especialmente para o setor corporativo quando comparado a outros emergentes, observa o FMI. O setor corporativo enfrenta spreads (diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e as taxas de juros cobradas por eles em operações de crédito) externos mais elevados desde agosto de 2007. Isto contrasta com o acesso rápido da região ao mercado externo nos últimos três anos, sendo que títulos externos, financiamentos e emissões de ações responderam por quase 15% do financiamento líquido das corporações da América Latina e Caribe, diz o Fundo no relatório divulgado hoje.
"Condições de crédito mais apertado globalmente poderiam, ao longo do tempo, ter um efeito adverso sobre o financiamento do setor privado na região", prevê o Fundo. Muitas empresas têm se financiado em mercados de capitais, observa. No ano passado, forte demanda conduziu a um aumento considerável em oferta pública inicial de ações (IPOs). "Apenas no Brasil mais de cem empresas fizeram IPOs, (levantando US$ 47 bilhões)".