NUVENS ESCURAS
Indústria americana apreensiva com ameaça de recessão
Inflação e custos elevados reduzem expectativa do setor para os próximos meses

Apesar do avanço registrado nos últimos meses, a indústria americana ainda trabalha com número de encomendas inferior a setembro de 2020 e a perspectiva para a indústria de manufatura, ou de bens duráveis, nos EUA não é nada boa.
A guerra na Ucrânia, que afeta os preços de matérias-primas, inflação alta e os riscos crescentes de recessão afetam diretamente o ânimo dos executivos, que não veem no horizonte a possibilidade de uma retomada consistente dos fluxos de produção.
Pesquisa divulgada na quarta-feira, 15, pela Associação Nacional de Fabricantes dos Estados Unidos mostra que 59% dos líderes industriais apontam uma recessão mais provável no próximo ano, em decorrência das pressões inflacionárias.
Três de cada quatro fabricantes dizem que as expectativas de inflacão são piores hoje do que há seis meses e 54% citam os preços mais altos como entraves para a concorrência e a lucratividade. A pesquisa foi realizada de 17 a 31 de maio, antes do alarmante relatório de inflação de maio que desencadeou severa turbulência nos mercados financeiros.
O índice de preços ao consumidor atingiu 8,6% em 12 meses, o maior em mais de 40 anos. Nesta quarta (15), o Fed, banco central americano, elevou a taxa básica de juros em 0,75%, a maior alta desde 1994. “Ao longo de várias crises, os fabricantes se mostraram notavelmente resilientes, mas não há dúvidas de que há nuvens mais escuras no horizonte”, disse Jay Timmons, CEO do grupo comercial de manufatura, em comunicado.
O principal desafio de negócios relatado pelos CEOs de manufatura na pesquisa foi o aumento dos custos das matérias-primas, citado por 90% dos entrevistados. As principais fontes de inflação foram o aumento dos preços das matérias-primas (97%), custos de frete e transporte (84%), salários e vencimentos (80%), custos de energia (56%) e escassez de trabalhadores (49%).
“A guerra da Rússia contra a Ucrânia inegavelmente exacerbou os custos mais altos de energia e alimentos”, disse Timmons, acrescentando que os gastos deficitários do governo federal contribuíram para a alta inflação.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




