ECONOMIA
Integração da Swift pelo Friboi pode demorar até 5 anos

A integração da recém-adquirida Swift pelo Friboi deverá demorar para ser concretizada porque a J&F, controladora de ambas, pretende melhorar os resultados da companhia americana para que não tenham um impacto negativo sobre o Friboi. O presidente do grupo, Joesley Mendonça Batista, disse que a integração pode levar até cinco anos para ser realizada.
"Não temos intenção de unir as duas operações se isso não trouxer ganhos aos acionistas", disse o executivo, em entrevista à imprensa. O principal desafio, segundo ele, é ampliar a margem Ebitda (relação entre receita líquida e Ebitda, que se trata do ganho antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Swift de 0,1% para 3% a 5% nos próximos dois anos, patamar considerado normal no setor de bovinos.
Para isso, conforme o executivo, não serão necessários investimentos em ativos fixos (imóveis, equipamentos e etc) ou reformas, mas a redução dos custos da operação da empresa e o melhor aproveitamento dos cortes de carne. Ele afirmou que a companhia ainda não definiu uma estratégia efetiva para melhorar os resultados da Swift, mas disse que uma decisão sobre a questão poderá ser tomada entre 50 a 60 dias.
Abate
A aquisição da Swift, que será fechada em meados de julho, elevará a capacidade de abate do Friboi de 24,1 mil cabeças por dia para 47,1 mil cabeças. Com isso, a receita líquida passa de US$ 1,9 bilhão para US$ 11,5 bilhões, de acordo com dados de 2006. No ano passado, enquanto o Friboi abateu 3,4 milhões de animais, a Swift abateu 6,2 milhões de cabeças.
Quando a Friboi e a Swift forem integradas, surgirá a maior empresa do setor de bovinos do mundo, com capacidade superior à Tyson (32,6 mil cabeças) e à Cargill (26,1 mil cabeças). Hoje, a Friboi está presente no Brasil e na Argentina. A Swift agregará plantas localizadas nos Estados Unidos e na Austrália. O número de 20 mil funcionários será duplicado com a operação.
Nos Estados Unidos, a Swift possui três fábricas de abate de suínos e quatro de bovinos, além de sete centros de distribuição, uma transportadora de carne com 120 carretas e um curtume com capacidade de produzir 8 mil peles por dia (cada pele é equivalente a um boi). Na Austrália, a empresa tem quatro unidades exclusivas para bovinos. A partir da Austrália, a empresa pretende atingir os mercados norte-americano e japonês, que são rígidos no aspecto sanitário e pagam preços mais elevados do que a média. Pretende ainda conquistar Japão, Coréia com produtos fabricados no Brasil, disse Batista.
Segundo ele, uma vantagem da junção das duas empresas é a presença nos quatro países que correspondem a 45% do consumo mundial de carne: Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos. "Teremos condições de atender os blocos do Pacífico e do Atlântico, o que nos protege dos riscos das barreiras sanitárias", disse em coletiva à imprensa. Em termos de exportação de carne bovina, estes países representam 80% do total mundial.
Suínos
A aquisição permitirá à Friboi a entrada no segmento de suínos, em que hoje não atua. "Este não é o nosso ramo, portanto temos mais a aprender do que ensinar", disse. A Swift é a terceira maior produtora de suínos dos Estados Unidos. Batista informou que a empresa não decidiu se manterá as unidades de suínos ou se as venderá, mas disse que alguma posição será definida em seis meses ou um ano.
O executivo destacou que a Friboi continua com um foco de crescimento na América Latina e destacou que a empresa está analisando três oportunidades de aquisições na Argentina. Em 2005, a Friboi comprou a Swift Armour, na Argentina. Este ano, a exportação de carne em todo o mundo deve crescer 6,7%.