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Monitorados mascaram inflação em SP

Maria Regina Silva | Estadão Conteúdo
Por Maria Regina Silva | Estadão Conteúdo
| Atualizada em

O represamento dos preços administrados está permitindo alívio momentâneo na inflação da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) no acumulado em 12 meses até novembro. Não fosse o abrandamento na conta para os paulistanos que economizarem água, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da RMSP certamente estaria rodando acima do teto da meta de 6,50% estipulada para o IPCA, segundo analistas ouvidos. Dados compilados pelo economista Marcel Caparoz e enviados com exclusividade ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência EStado, mostram que a inflação dos administrados alcançou, no período, 3,36% na RMSP. A taxa é quase a metade da variação de 6,57% apurada na Grande Rio, a segunda maior em participação na composição do IPCA, após São Paulo.

Na região metropolitana de São Paulo, com peso de 30,67% no IPCA, a inflação acumula alta de 6,43% na comparação com 6,56% da média nacional. Já no Rio, a segunda região mais importante na composição do IPCA, a pressão de alta dos serviços (8,86%), puxada pelos gastos com a Copa do Mundo, fez com que a inflação superasse com folga está marca, ao alcançar 7,73% em 12 meses finalizados em novembro. "São Paulo está mais atrasada no repasse dos monitorados", afirmou Caparoz.

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No começo deste ano, a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) passou a conceder desconto para quem reduzir em 30% o gasto com água. Como São Paulo enfrenta uma das piores secas em mais de 84 anos e que não dá sinais de alívio, a autarquia ampliou o benefício do desconto também para consumidores que conseguirem economia entre 10% e 20%.

"Explica essa inflação 'baixa' de monitorados em São Paulo a adoção dos bônus na conta da Sabesp, em função da seca no Estado. Sem considerar ainda a questão dos ônibus, mas isso ocorreu em todas as demais capitais", afirmou Caparoz, ao referir-se à revogação do aumento nas tarifas de transporte urbano em boa parte das cidades brasileiras em 2014. "Dado o seu alto peso (dos administrados) no índice, quando os aumentos vierem, teremos uma pressão ainda maior no IPCA geral", estimou Caparoz.

Para a economista Adriana Molinari, da Tendências Consultoria Integrada, se não fosse o desconto na tarifa de água e esgoto "certamente" o IPCA na Grande São Paulo estaria acima da média nacional. "Isso acabou ditando o rumo da inflação dos administrados, assim como o reajuste das elétricas. No entanto, o reajuste na conta de luz em São Paulo veio em linha com as demais regiões", explicou.

Só neste ano, de janeiro a novembro, o item tarifa de água e esgoto caiu 27,78%, conta Adriana. "Ainda não superou essa queda", completou.

Já no Rio de Janeiro, o economista Étore Sanchez ressalta a inflação salgada de hotéis, que só neste ano acelerou mais de 26% na região metropolitana, na comparação com quase 12% do IPCA Brasil, devido ao aumento da demanda gerada na cidade sede mais turística da Copa do Mundo. "No Rio, a taxa mais que dobrou. Só em junho ficou em 25,3% na média nacional e em 43,5% no Rio", disse.

A maior pressão de alta das regiões metropolitanas compiladas pelo economista Marcel Caparoz, da RC Consultores, se deu em Salvador. Os preços monitorados dos baianos avançaram para o nível de 8,69% - variação muito semelhante à da inflação de Serviços. "Chama a atenção a diferença de comportamento entre Rio e Salvador, principalmente dos monitorados na Bahia, que subiu forte, em função de um aumento da gasolina acima do das outras capitais", justificou.

Sanchez, da LCA, relembrou que, enquanto o reajuste nos preços dos combustíveis nas bombas foi de cerca de 3% na média do País, no ano passado, em Salvador o aumento ficou em torno de 15%.

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