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Poupança baixa e gasto elevam juro, dizem economistas

Publicado quarta-feira, 15 de junho de 2011 às 10:33 h | Atualizado em 15/06/2011, 10:33 | Autor: Agencia Estado
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O desajuste fiscal e a baixa poupança estão entre as principais causas dos altos juros reais brasileiros, de acordo com o consenso formado num debate realizado na segunda-feira na Casa do Saber, em São Paulo. A discussão, que tinha como tema exatamente o nível extraordinariamente elevado dos juros no Brasil, reuniu André Lara Resende, um dos principais formuladores do Plano Real, Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central (BC), Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda de São Paulo, Luiz Gonzaga Belluzzo, da Universidade de Campinas, e Samuel Pessôa, da Tendências.

Um economista presente ao debate contestou depois, para a reportagem, o diagnóstico fiscal do elevadíssimo juro real brasileiro, notando que o mundo hoje tem vários países com as contas públicas em estado muito pior e com juros muito inferiores aos do Brasil.

Na sua apresentação, Franco recalculou em 12% do Produto Interno Bruto (PIB) o déficit nominal do setor público consolidado brasileiro (o número oficial está em 2,5%). Para tanto, incluiu as amortizações da dívida pública que, segundo ele, devem fazer parte do cálculo, segundo a metodologia internacional de maior aceitação.

Franco, Lara Resende e Pessôa bateram na tecla da baixa poupança nacional, que obriga a economia na prática a fazer uma espécie de "racionamento" das decisões de consumo e de investimento dos agentes econômicos. Assim, Lara Resende observou que, no passado, a inflação era o mecanismo pelo qual a renda era subtraída dos trabalhadores em benefício do governo e das empresas, gerando uma poupança adicional para financiar o investimento.

Com a estabilização e o controle da inflação, aquela forma de racionar os gastos foi bloqueada, mas à custa de juros muito altos para coibir o excesso de demanda privada. Franco ainda vê um "conflito distributivo" entre os setores público e privado, no qual o primeiro, com os altos gastos, "acotovela" o segundo "para fora da demanda agregada". Para o ex-presidente do BC, o setor público também abre espaço para si com elevados depósitos compulsórios, poupança forçada (como no FGTS) e direcionamento de crédito.

Um ponto levantado por Lara Resende e retomado por Pessôa é o de que a tentativa do governo de evitar a valorização do real contribui para aumentar ainda mais o juro real. Isso ocorre porque a valorização da moeda e o aumento do déficit externo são a outra válvula de escape, além da inflação, para o excesso crônico de demanda. Assim, quanto menos valorização, mais pressão inflacionária e maiores os juros reais.

Lara Resende, porém, alertou para as "consequências altamente negativas" do real sobrevalorizado, por causas dos riscos do endividamento externo. Nakano e Belluzzo, que também pregaram um maior esforço fiscal, enfatizaram fortemente a questão da indexação contratual e financeira, que torna mais difícil o combate à inflação e contribui para a elevação do juro real. Nakano observou que o Brasil mantém até hoje parte expressiva da dívida pública no curtíssimo prazo, expediente dos tempos da hiperinflação, mas que impede o alongamento da poupança financeira nacional. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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