ECONOMIA
Promoções antecipam queda de preço de TV
As promoções agressivas do varejo para televisores grandes, com tela de plasma ou cristal líquido (LCD, na sigla em inglês), sinalizam uma queda de preços esperada para logo depois da Copa do Mundo. Em 2004, uma TV de plasma de 42 polegadas custava R$ 20 mil. No fim do ano passado, havia caído para R$ 10 mil e, atualmente, já pode ser encontrada por R$ 7 mil ou R$ 8 mil.
Desde o fim de semana, as Casas Bahia começaram uma promoção agressiva. Quem compra um televisor de plasma de 42 polegadas Philips por R$ 7.980,00, recebe outro, desembolsando apenas R$ 1,00, se o Brasil ganhar a Copa. Com isso, pelo preço de um TV, o cliente poderá levar dois aparelhos.
Segundo analistas do setor, na prática, o que a maior rede de eletroeletrônicos do País está fazendo é antecipar um movimento abrupto de queda dos preços que deve ocorrer depois da Copa. "Se a indústria aceitou essa negociação, é porque o custo deve ser a metade do preço de venda", diz o analista.
"Não sei se o preço vai cair depois da Copa", afirma Michael Klein, diretor Administrativo-Financeiro das Casas Bahia. Ele afirma, no entanto, que a indústria está estocada e que, depois da Copa, a próxima oportunidade de venda desse eletrônico é o Natal.
Desde o fim de semana, a rede vendeu 1,6 mil peças, dos 2 mil TVs disponíveis para a promoção, que vai até sábado. "Vamos vender em sete dias o que vendemos em sete meses", prevê. Klein diz que desembolsou R$ 16 milhões pela compra dos aparelhos da Philips. Ele conta que escolheu a fabricante porque ela é a única não está fazendo campanhas conjuntas com outras redes varejistas. "Se alguma outra indústria quiser fazer um negócio parecido, estaremos abertos para negociar."
Para rebater a concorrência o Ponto Frio vai sortear 600 TVs de 29 polegadas e 6 TVs de plasma de 42 polegadas da LG para quem gastar R$ 100.
Apesar da demanda estimulada pela Copa, os preços das telas usadas na fabricação dos TVs continuam caindo no mercado internacional. Segundo a consultoria WitsView, o preço médio da tela de cristal líquido de 42 polegadas passou de US$ 860 para US$ 845 nas duas primeiras semanas deste mês. A de 40 polegadas baixou de US$ 835 para US$ 820.
"As próximas reduções de preço devem ser bem menores", diz Caio Catto, gerente de Negócios da Philips. "Para o consumidor, não compensa adiar a compra e ver a Copa numa tela menor. Não existe a possibilidade de o preço cair pela metade até o fim do ano", diz. Ele nega a participação da empresa na promoção das Casas Bahia.
No ano passado todo, foram vendidas 58 mil TVs de plasma e cristal líquido. Somente de janeiro a abril deste ano, as vendas ficaram em 80 mil unidades. "Existe muito espaço para crescer", afirma Roberto Goichman, gerente-executivo de Marketing da Gradiente. A empresa estima que, até o fim do ano, serão vendidos no País 200 mil TVs de plasma e o mesmo número de cristal líquido, o que deve representar 3,5% do mercado total. Nos EUA, a fatia deste produto foi de 20,5% em 2005 e deve chegar a 38% este ano.
"No início deste ano, já registramos vendas cerca de 30% superiores a 2005", disse Marcus Trugilho, gerente de Comunicação e Propaganda da Sony Brasil. "Os produtos com tecnologia LCD têm preço ligeiramente mais alto que o plasma, mas, conforme a demanda cresce e a tecnologia se aprimora, o custo tende a baixar rapidamente."
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