ECONOMIA
Shopping cria seu próprio bairro
Empreendimento, próximo à Rótula do Abacaxi, vai custar R$150 milhões e criará 31 mil empregos em Salvador
Sylvia Verônica
O mais novo projeto de construção de um shopping center em Salvador prevê a criação de um bairro em seu entorno. O complexo Megacenter terá o shopping center e mais 24 torres residenciais e cinco comerciais, em uma área de 340 mil metros quadrados, o equivalente a 40 campos de futebol. O local escolhido para o empreendimento é a área próxima à Rótula do Abacaxi, na altura do acesso ao Cabula, onde há a ligação entre a linha do metrô, o sistema viário da cidade e a via portuária.
O bairro ainda não tem nome e deve surgir depois que as obras do shopping forem concluídas. Algumas lojas-âncoras do empreendimento já foram confirmadas em cartas de intenção. São elas as Americanas, C&A, Riachuelo, Marisa e Insinuante. As lojas Renner e as redes de supermercados Carrefour e Wall-Mart são outras possíveis atrações do novo shopping.
O projeto do shopping é da Euluz Empreendimentos, a empreendedora dos shoppings Barra e Piedade, e vai custar R$150 milhões. A construtora é a Camargo Corrêa, e a Ernest Young é responsável pela captação de recursos financeiros no Brasil e no exterior.
Fizemos uma pesquisa de mercado que mostrou haver demanda por esse tipo de negócio naquela área. Se todos os trâmites com a prefeitura derem certo, as obras começam no segundo semestre de 2006 e terminam em 2008. Será um shopping com vocação popular, assegurou Euvaldo Luz Neto, diretor da Enluz Empreendimentos, responsável pelo projeto.
O shopping terá dois pavimentos com possibilidade de expansão, 15 salas de cinema e 837 lojas no total. São previstos praça de alimentação, praça de eventos, um hipermercado, sete lojas-âncoras, 15 salas de cinema e 4.660 vagas para estacionamento. No bairro, serão erguidas 24 torres residenciais com 2.452 apartamentos e cinco torres comerciais com 2.146 salas.
As obras do complexo vão criar um total de 31 mil empregos na cidade. É estimado que o empreendimento gere em torno de R$ 33 milhões por ano em impostos (ISS, IPTU, ICMS). Desse total, R$7,5 milhões serão arrecadados pela prefeitura.
Iniciativa privada comanda investimentos
Em todo o País, grandes construtoras, administradoras e fundos imobiliários iniciam uma série de investimentos para a construção de 78 novos centros comerciais nos próximos três anos, o que consumirá R$ 5,3 bilhões.
Entre os novos empreendimentos estão o Shopping Leblon (Rio de Janeiro), Italian Shopping Center (Caxias do Sul-RS), Santana Parque Shopping e Golden Shopping Taubaté (São Paulo).
Todos nossos contatos têm sido com a iniciativa privada até agora, mas não descartamos participação dos fundos de pensão e similares, conta o diretor da Euluz, Euvaldo Luz Neto.
A participação exclusiva da iniciativa privada é uma tendência que se confirma com a menor utilização dos fundos estatais de pensão nos estabelecimentos. O limite legal de investimento das entidades fechadas de previdência complementar foi de 14% entre 2003 e 2005, e será de 11% entre 2006 e 2008 e de 8% a partir de 2009, de acordo com dados da Fundação Sistel de Seguridade Social. Os fundos imobiliários representam cerca de 1% das participações em shoppings por todo o Brasil, mas são considerados uma alternativa de financiamento para o setor e devem ter participação aumentada nos próximos anos.
Também é esperado que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e capitais estrangeiros sejam fontes importantes de financiamentos e investimentos para a construção dos centros comerciais.
Hoje, 62% dos shoppings pertencem aos grupos empreendedores, são financiados ou têm recursos próprios. Os fundos de pensão respondem por cerca de 40% dos investimentos realizados.
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