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EMPREGOS & NEGÓCIOS

78% dos MEIs têm atividade empreendedora como única fonte de renda

Desejo de independência e necessidade de renda são principais motivos para abrir negócio próprio

Inara Almeida*
Por Inara Almeida*

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Em meio à pandemia, Jaíne abriu loja de produtos naturais
Em meio à pandemia, Jaíne abriu loja de produtos naturais -

Quanto se trata de empreender no Brasil, os microempreendedores individuais (MEIs) correspondem a uma grande fatia do bolo: são, atualmente, 14,8 milhões formalizados no site do Simples Nacional, e equivalem a 68% das empresas brasileiras. Dados do Sebrae mostram que a atividade empreendedora representa todo o faturamento familiar de 37% dos MEIs e se configura como a única fonte de renda de 78% dos microeempreendedores individuais

Os motivos que levam as pessoas a abrirem o próprio negócio são diversos. Ainda de acordo com o levantamento do Sebrae, a vontade de ser independente e a necessidade de buscar uma fonte de renda foram as respostas dadas por 42% e 20% dos entrevistados, respectivamente.

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Em um país marcado por desigualdades, a falta de oportunidade no mercado de trabalho e a necessidade de renda são grandes incentivadores do empreendedorismo. Valquiria Padua, analista do Sebrae, destaca que o cenário de pandemia fez com que muita gente encontrasse no MEI uma alternativa para sobreviver.

“Uma característica muito própria do MEI é o empreender por necessidade. Com a pandemia, o desemprego aumentou muito e a forma que muita gente encontrou para ter uma renda foi essa. Na maioria das vezes, essas pessoas já exerciam alguma atividade informal e encontraram no programa a facilidade e rapidez na formalização. O próprio programa favorece essa questão de ser a única atividade, devido aos benefícios”, afirma.

Pandemia

Foi justamente em meio à crise gerada pela pandemia de Covid-19, em 2021, que Jaíne Oliveira, 30, decidiu empreender. Diante da dificuldade em conseguir emprego em sua área de formação, publicidade e propaganda, Jaíne decidiu transformar o seu processo de emagrecimento e rotina de alimentação em negócio: abriu a sua loja virtual de produtos naturais (@lojagreenstore). Trinta dias depois, seu primeiro ponto físico.

Ao se perceber microempreendedora individual, a publicitária precisou correr atrás de conhecimento para aprender a lidar com o negócio, que aconteceu de forma rápida e inesperada. Atualmente, são os temperos, chás, suplementos, pré-treinos e folhas que comercializa que garantem 100% do seu sustento.

“É o meu sonho realizado que eu não ousava sonhar”. É assim que Quezia Conceição, 24, refere-se ao seu negócio. Como muitos jovens, a técnica em química deu com a cara na porta ao tentar ingressar no mercado de trabalho, o que a levou a empreender. Foi assim que a Quefá Buffet (@quefabuffet) surgiu, em 2019.

Qualificação

Além dos pães delícia, carro-chefe da casa, Quezia vende bolos, tortas, salgados e doces. Para não repetir a história de gestão de negócios dos pais, a microempreendedora foi atrás de conhecimento para aprender a lidar com o seu negócio e fazê-lo progredir.

“Meus pais sabiam fazer dinheiro, mas não sabiam gerenciar este dinheiro, e eu não queria passar por isso. Então, estou buscando, desde o ano passado, aprender sobre gestão para saber lidar com o faturamento”, conta. Hoje, se diz realizada com a proporção que o negócio tomou e a quantidade de clientes que fidelizou.

A juazeirense Lêda Nascimento (@ledanascimentooficial), 36, resolveu abrir mão da sua carreira de professora de educação infantil, há nove anos, para entrar de cabeça no mundo da moda e beleza. A microempreendedora individual começou no ramo de cabelos e sobrancelhas, mas estendeu o conhecimento para o campo da imagem e estilo.

Em meio a um vai e vem de cidades para estudar e se especializar, Lêda optou, há cinco anos, por estabelecer-se em Salvador para pôr em prática o seu sonho. Hoje, toda a sua renda vem do trabalho enquanto produtora criativa de moda, de influenciadora digital, dos cursos de maquiagem que ministra e da sua loja de roupas online, que deve ganhar um espaço físico em breve, em Salvador.

Questionada sobre a coragem de abandonar uma carreira consolidada para iniciar um negócio do zero e tornar-se a sua própria empresa, a microempreendedora garante que, apesar das dificuldades, o que a motiva diariamente é o empreendimento. “Eu nunca me imaginei trabalhando para mim, mas eu gosto muito de desafios, por isso que o mundo do empreendedorismo me cativa até hoje. Fácil não é, mas, como eu gosto do desafio, desse processo de conhecimento, isso me instiga todos os dias. Sempre fui muito ousada”, afirma.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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