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EMPREGOS & NEGÓCIOS

Bikes movimentam a economia baiana

Regina Bochicchio
Por Regina Bochicchio
| Atualizada em

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Maurício é dono da Terrasol Bike & Café
Maurício é dono da Terrasol Bike & Café -

Basta ‘dar um Google’ com a palavra bicicleta e uma profusão de links de lojas e serviços ligados ao equipamento surge no mapa de Salvador. Impulsionados pela mobilidade urbana consciente, criação de vias específicas, prática de atividade física e até nichos de trabalho, os negócios envolvendo as bikes engatam a marcha de velocidade na Bahia: só de microempreendedores individuais (MEI) atuantes no comércio varejista de bicicletas, peças e acessórios são 887, de acordo com o Sebrae.

Outros 220 atuam no ramo de reparação de bicicletas. Como o MEI só pode faturar até R$ 81 mil por ano, o universo de quem vive dos negócios com bicicleta na Bahia é muito maior, embora não existam dados específicos sobre a cifra do setor no estado. Mas dá para se ter uma ideia.

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Pesquisa feita pela Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, publicada em 2018, mostra que a Bahia possui 388 varejistas do setor de bicicletas, que geram 886 empregos diretos. Em todo o país, a cadeia produtiva das bikes movimenta R$ 902 milhões/ano, gerando 24.951 empregos.

No primeiro semestre deste ano houve incremento de 19,4% na fabricação de bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PMI), em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

Amigos de pedaladas

Foi com a ideia de montar um negócio na cabeça e uma montain bike na mão que o economista Sergio Seabra, 45 anos, uniu-se a dois amigos de pedaladas, Fernando e Luciano, para investir na loja Planeta Bike Shop, na Boca do Rio, inaugurada em abril deste ano. Sergio, que já vinha estudando o mercado em busca de uma oportunidade para fugir da rotina de sua área, uniu o trabalho ao prazer.

“Eu já vinha observando este mercado que cresce mais de 15% ao ano. E decidimos investir. A própria ampliação das ciclovias, a consciência das pessoas. Isso tudo mostra a tendência de crescimento deste mercado”, avalia Sergio. Foram meses estudando o ponto, o segmento e o público-alvo. O investimento inicial foi de R$ 200 mil. O retorno está sendo satisfatório. A ideia é abrir uma segunda loja já em 2020.

A gerente de atendimento individual do Sebrae, Fernanda Gretz, diz que há duas fortes tendências de negócios que envolvem as atividades de comércio e/ou reparação de bicicletas: a mobilidade urbana e a prática de atividade física.

“Podemos observar uma ampliação da quantidade de usuários de transportes alternativos, a exemplo do uso da bicicleta para locomoção no dia a dia e também o uso da bicicleta para a prática de atividades físicas individuais, ou em grupos de pedal – comunidade de ciclistas”, diz.

As ampliações de ciclovias, explica a técnica, também motivam o uso da bicicleta. “Além disso, podemos considerar a popularização do sistema de compartilhamento de bicicletas, que já é comum nas principais cidades do Brasil”. A implementação do projeto Salvador Vai de Bike, da prefeitura, que hoje conta com 40 estações, também inspirou abertura de negócios de locação do equipamento.

Café e pedal

Salvador tem hoje uma malha cicloviária de 246,23 km – sendo 165,63 km implantados pela prefeitura e 80,60 km pelo Estado, informa a Transalvador. A previsão do orgão municipal para 2019 é a de ampliar em mais 32 km essa rede e, em 2020, mais 39 km.

“A expectativa da prefeitura não é a de que os ciclistas façam longos trajetos, mas percursos pequenos a médios, muitas vezes conectados a algum meio de transporte em massa”, diz Fabrizzio Müller, superintendente da Transalvador. No metrô de Salvador, por exemplo, há bicicletários.

Assim como o comportamento de consumo e uso de bicicletas mudou, as lojas acompanharam este perfil. Esqueça o antigo modelo de bicicletaria onde se levava o equipamento somente para encher pneu e dar uma lubrificada na corrente. Lojas contam com equipamentos modernos de ergonomia, oferecem serviços diversos, como lavagem (com busca e entrega na casa do cliente) e até espaços de convivência.

Foi essa a sacada de Maurício Lopes, 48 anos, adepto do pedal há 25 anos, que abriu o Terrasol Café&Bike, na Pituba. A loja comercializa bicicletas, acessórios e congrega uma cafeteria gourmet, na qual se podem ainda comprar alguns petiscos e bebidas frias.

Foram cinco anos com a ideia na cabeça enquanto trabalhava no ramo de seguros. Até que em 2017 abriu a loja. “Eu estava na seguradora estressado, insatisfeito. Então, comecei a ver crescimento nesse mercado. As pessoas usando bicicleta para lazer, esporte, trabalho ou questão de saúde”. O faturamento do negócio está na faixa dos R$ 70 mil.

Corpo e mente

A febre do pedal se estende das ruas para espaços fechados. A prática de bike indoor busca proporcionar uma experiência física e sensorial a partir do mix de pedal, música, iluminação específica e projeções. O ambiente lembra uma balada.

“Percebemos uma lacuna no mercado de Salvador e investimos”, diz Flávio Sampaio, mais conhecido no meio como Zão. Ele e outros dois sócios – que conheceram a modalidade em viagens – apostaram no segmento no final de 2017 e abriram o estúdio Fitbike. Hoje já são duas unidades em Salvador (Barra e Itaigara). Cada unidade teve um custo que ultrapassou a casa de R$ 1 milhão. Mas o empresário não reclama: já estuda abrir filiais em três capitais do Nordeste.

“A gente percebeu as tendências da bicicleta de modo geral, da bike indoor e do declínio do hábito de se pagar mensalidade em academia – por às vezes nem frequentar. Aqui paga o que usa”, conta.

A gerente de marketing do Fitbike, Daniela Gonzalez, diz que a modalidade agrada àqueles que não têm tempo ou não gostam de academia: “É rápido e divertido”. A bike indoor, de fato, pega o público que, por alguma razão, não pedala nas ruas. Ali, se paga por cada “experiência de corpo e mente”, como diz Zão. Ou por pacote: 10 sessões, R$ 350, com 90 dias de carência.

Imagem ilustrativa da imagem Bikes movimentam a economia baiana

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