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PRODUÇÃO

Impressão 3D ganha destaque na indústria baiana

No mercado global, a tecnologia tem previsão de crescimento de 176% até 2026

Leonardo Lima*

Por Leonardo Lima*

17/04/2022 - 6:04 h

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Gabriel  opera impressora 3D no Cimatec
Gabriel opera impressora 3D no Cimatec -

O termo Manufatura Aditiva tem se tornado cada vez mais conhecido nos últimos anos, ainda mais por outro nome: Impressão 3D. Essa tecnologia vem atualizando a indústria e se aproximando das demandas atuais dos consumidores, como a personalização e a agilidade. De acordo com pesquisa da consultoria Markets and Markets, o mercado global da impressão 3D deve passar de US$ 12,6 bilhões em 2021 para US$ 34,8 bilhões em 2026, um crescimento de 176%.

Esse é um tipo de produção onde um objeto é criado a partir de várias camadas de material, geralmente plástico, sobrepostas para formar um produto tridimensional. Uma das vantagens desse procedimento é o grande leque de aplicabilidade que vai do setor automotivo até o da medicina. Bruno Caetano, líder técnico do Senai Cimatec, explica que nesse processo existem alguns tipos de tecnologias usadas e voltadas para finalidades diferentes.

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Para a indústria, uma boa técnica tem sido a tecnologia da HP, denominada MJS (Multi-Jet Fusion). “É um processo de manufatura em que vamos depositando camada à camada de um pó e fazendo a união desse pó utilizando infravermelho. Essa tecnologia é para aplicações industriais com alto desempenho. A peça resiste a esforços e já é produzida já com suas dimensões finais, o que reduz bastante a necessidade de etapas posteriores”, explica Bruno.

"Hoje o tempo de vida de um produto é muito curto, a demanda gera essa necessidade de produzir cada vez mais rápido. Então utilizar processos convencionais tem um custo que hoje a manufatura aditiva elimina”, comenta o líder técnico. E dentre as exigências do modelo de consumo atual, Bruno destaca também a personalização.

“Antes teríamos que fazer um molde para cada peça diferente, isso inviabiliza. Hoje, dentro de uma mesma curva de impressão, podemos imprimir centenas de produtos com algumas características diferentes, já pensando nessa personalização. Outro ponto é a redução de estoque, que passa a ser digital. Temos o arquivo da peça e quando existe necessidade, nós simplesmente fazemos a impressão dela. É uma mudança completa da forma de operar na indústria", argumenta Bruno.

E é nesse contexto que a Bahia é destaque não apenas nacionalmente, mas em escala continental. No ano passado, juntamente com a HP e SKA Automação de Engenharias, o Senai Cimatec inaugurou em Camaçari o Bureau de Serviços de Manufatura Aditiva voltado para a indústria. Localizado dentro do Cimatec Park, essa é a primeira estrutura do gênero em toda a América Latina.

“Nosso propósito é tornar a indústria baiana, brasileira e latina mais competitiva, introduzindo essas tecnologias com investimentos robustos, damos suporte nessa migração para a indústria 4.0. Nós vemos uma potencialidade gigantesca, em 2021, esse mercado cresceu 20%, vimos isso na prática. O plano é continuar expandindo e atraindo os mais diversos perfis de empresas e startups", defende Bruno.

E justamente uma das empresas dentro do CImatec Park que viu na impressão 3D uma oportunidade de se destacar foi a startup Yoface, de produção de óculos. O fundador e CEO, Ivan Cavilha, acredita que buscar alternativas de produção é um diferencial. “Os processos mais clássicos de produção de óculos são muito dependentes de importação e com repetição de modelos em grandes quantidades”, comenta.

“Conheci a manufatura aditiva e começamos a estudar se ela se aplicaria na produção de óculos. Até então a tecnologia não era tão utilizada para produtos finais, então montamos um protocolo para chegar a um resultado de ótima qualidade”, pontua Ivan. Ele argumenta que foi justamente a busca pela qualidade que levou a Yoface para o Polo de Camaçari. “Esse é o básico para competirmos hoje no mercado”.

Eric, Pedro e Mário  são sócios na R3DY, empresa que atua com materiais para 3D
Eric, Pedro e Mário são sócios na R3DY, empresa que atua com materiais para 3D | Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

O futuro

Na prática, são diversos pontos positivos que a impressão 3D traz à produção industrial, por isso, para Ivan, esse é um modelo que caminha para se consolidar cada vez mais: “Acredito que é o que vai predominar nos próximos anos, tem um potencial incrível de personalizar produtos, que na indústria tradicional a gente não consegue”.

“Óculos mesmo se faz muitos do mesmo tipo, a escala dá volume e dá ganho. Mas na manufatura aditiva conseguimos construir a customização de produtos em escala, massificar isso. Na Yoface, por exemplo, fazemos um escaneamento facial com o cliente e ajustamos com bastante precisão para dar conforto, adaptado a seu biotipo, ao seu desenho de nariz”, exemplifica Ivan.

Mas existe também um outro tipo de tecnologia para a impressão 3D, a FDM (Fused Deposition Modeling), e a R3DY é uma empresa que surgiu com o foco na venda de filamentos. “As impressoras normais têm os cartuchos e as impressoras 3D mais difundidas têm esses filamentos, são os insumos. É um plástico transformado em forma de fio, a impressora vai moldando o material”, explicam Eric Sampaio, Pedro Rabelo e Mário Schneider, os sócios da R3DY.

“Inicialmente a impressão 3D veio como forma de ser utilizada na indústria para facilitar a fabricação de moldes para aprovação de peças. Só que começaram a usar para várias outras áreas como decoração e peças mecânicas. Na própria medicina, por exemplo, eles podem imprimir um modelo do osso para fazer um estudo de preparação para a cirurgia ou mesmo para aplicações de próteses. É uma tecnologia que vem evoluindo em todos os aspectos”, comentam.

Para os sócios, o objetivo da R3DY é facilitar o acesso aos materiais necessários da impressão 3D no mercado nordestino. Segundo eles, há uma certa “dificuldade aqui em Salvador com relação a esses insumos. Decidimos então revender para todo o Nordeste e Norte também, facilitando o frete. É um mercado que tem muitas possibilidades, queremos disseminar isso mais aqui na região".

“E é uma demanda que tem crescido exponencialmente, a nossa perspectiva é de crescermos em torno de 30% a 40% só neste ano de 2022. Além dos filamentos, nós também vendemos as impressoras e queremos captar agora clientes da área da indústria, por ser justamente um setor com um volume grande e um retorno muito bom", pontuam os sócios da R3DY.

* Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló

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Tags:

Impressão 3D, indústria, bahia, empregos e negócios

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