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MAIO AMARELO

"Educação é o caminho para reduzir os acidentes"

Entrevista - Max Passos, diretor-geral do DETRAN-BA Leia entrevista com Entrevista o diretor-geral do DETRAN-BA, Max Passos

Divo Araújo
Por Divo Araújo

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Max Passos, diretor geral do Detran-BA
Max Passos, diretor geral do Detran-BA - Foto: Divulgação

Os números de acidentes de trânsito seguem elevados e, para o diretor-geral do Detran-BA, Max Passos, a principal resposta passa pela mudança de comportamento.

“Se a gente investir primeiro em educação e depois em fiscalização, eu acho que é o caminho”, afirma, ao destacar, nesta entrevista ao A TARDE, a importância da campanha deste Maio Amarelo, cujo tema é “No trânsito, enxergar o outro salva vidas”.

Segundo ele, a campanha, que já é realizada há alguns anos, prevê ações em 250 municípios baianos que possuem CIRETRANS (Circunscrição Regional de Trânsito). “Para isso, nós estamos mobilizando todo o quadro do DETRAN”, pontua o diretor-geral.

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Durante a conversa, Max Passos apontou que os motociclistas estão no centro da atenção, com forte impacto nas estatísticas e na rede de saúde. O alerta se justifica: 71% dos acidentes de trânsito na Bahia envolvem motociclistas.

“Sem dúvida, é a nossa principal preocupação”, diz, ao destacar também o peso de fatores como excesso de velocidade, álcool e uso de celular ao volante.

Leia entrevista completa

A campanha do Maio Amarelo deste ano traz o tema ‘No trânsito, enxergar o outro salva vidas’. Como essa mensagem dialoga com a realidade das ruas na Bahia?

O Maio Amarelo representa um mês de prevenção a acidentes de trânsito. É um mês que a gente intensifica as ações. Eu acho que as ações têm que ser o ano inteiro. Não pode ser só em maio, mas ele é o mês de referência.

É o mês em que a gente intensifica isso. Nós vamos fazer várias ações em mais de 250 municípios onde tem CIRETRANS (Circunscrição Regional de Trânsito) no estado, envolvendo todos os funcionários do Detran, muitos deles alinhados com as prefeituras. Para isso, nós estamos mobilizando todo o quadro do Detran. Vamos ter uma extensa agenda para fazer isso.

O tema da campanha deste ano — “No trânsito, enxergar o outro salva vidas” — dialoga diretamente com a realidade dos motociclistas, que seguem entre as principais vítimas. Esse cenário é uma grande preocupação?

Sem dúvida, é a nossa principal preocupação. Por volta de 71% dos acidentes de trânsito têm motociclistas envolvidos, não só em Salvador, mas em toda a Bahia. Quanto menor o município, mais desapego as pessoas têm aos itens de segurança, como capacete. Alguns precisam usar a joelheira e não usam. Não respeitam o limite de velocidade.

Tudo isso gera um número grande de acidentes. Atrelado a isso, nós temos também os problemas dos finais de semana. Tem hospitais onde a gente sabe que no dia de domingo, por exemplo, 60%, 70% da ocupação de emergência é por acidente de trânsito, em especial por acidente de moto. Muitas vezes as pessoas estão bebendo, alcoolizadas, empinando a moto, sem equipamentos de segurança.

Tudo isso acaba aumentando o número de pessoas nos hospitais, o que cria uma fila grande na regulação da Saúde. Em 2024, nós gastamos, de acordo com os números da Secretaria de Saúde, cerca de R$ 21 milhões só com internamento em acidentes de trânsito. Em 2025, esse valor baixou para R$ 18 milhões, mas ainda é muito alto.

A gente acredita muito que a educação para o trânsito pode modificar esses números. Por isso, nosso objetivo é fortalecer a educação para o trânsito desde a criança, nas escolas, mostrando à criança o que é certo, o que é errado. Para elas, inclusive, levarem para dentro de casa. Elas estarão com os pais e podem dizer, ‘ah, bota o cinto, não ultrapasse o sinal vermelho’. Ou, no caso dos pais que tenham moto, dizer: ‘Minha mãe, cadê meu capacete?’, ‘Meu pai, use o capacete’. Eu acho que isso pode ajudar na conscientização dessas pessoas.

Mesmo com campanhas e fiscalização, os acidentes de trânsito voltaram a crescer. Onde estão os principais obstáculos para reduzir esses números?

Acidente de trânsito é uma coisa que a gente tem que cuidar no dia a dia. Eu estava ontem em um evento com dois diretores de DETRANS de outros estados e dizia a eles: ‘os problemas são os mesmos em todo estados. A gente tem praticamente os mesmos problemas’. Eu acho que o investimento na educação e na fiscalização, ele tem que ser daí pra frente.

Os juristas dizem que tem lei que pega e lei que não pega. E eu disse nessa palestra que se existe uma lei que pegou, é a Lei Seca. Porque a Lei Seca realmente diminuiu muitos acidentes de trânsito por alcoolizados. Que a gente tem ainda é um número expressivo, mas diminuiu muito comparado com antes. Então, se a gente investir primeiro em educação e depois em fiscalização, eu acho que é o caminho.

Primeiro em educação, para conscientizar as pessoas, mostrar o que é certo e errado, mostrar o problema que ele pode estar causando para si e para o outro. E depois na fiscalização. Se a pessoa descumprir o que está na regra, ela tem que ser punida por isso.

Falando um pouco mais sobre fiscalização: há relatos de que, em cidades como Feira de Santana, o número de internações por acidentes chega a cair durante operações de blitz. Qual é a importância da parceria com a Polícia Militar nesse processo? E de que forma essa atuação integrada contribui para reduzir acidentes?

Sem dúvida, a PM é o nosso principal parceira. Sem ela, a gente não conseguiria fazer nem 10% das fiscalizações que a gente faz. De fato, a gente tem esses dados. Onde a gente intensifica a fiscalização, o número de acidentes naquele período diminui. Porque, além de tudo, existe a questão pedagógica. Se a pessoa está bebendo e sabe que tem uma blitz ali, ela não vai dirigir.

Vai ficar com medo de perder a habilitação, de tomar uma multa que não é baixa. Isso também faz com que ele diga: ‘Está tendo uma blitz, não vou não. Vou de mototáxi, vou de Uber, vou de táxi’. A gente precisa realmente intensificar a fiscalização em toda a Bahia.

Mas a gente não tem número suficiente. Não temos quadros da PM e nem do DETRAN suficientes. Aí a gente faz uma escala aqui, junto com a CFOT, que é a nossa Coordenação de Fiscalização e Operações de Trânsito, para atingir o maior número de municípios que puder.

Falando sobre as causas dos acidentes, os dados indicam que cerca de 90% ainda decorrem de falhas humanas. O que esse cenário revela sobre a cultura no trânsito?

Revela o que eu falei. Que a gente tem que investir primeiro na educação, e muito na educação, começando de lá, da escola, para depois investir na fiscalização. Falha humana está associada a tudo isso: excesso de velocidade, falta de uso de capacete, falta de cuidados, falta de respeito à sinalização do trânsito, alcoolemia. Tudo isso está associado à falha humana.

O senhor mencionou o excesso de velocidade. Ele ainda é o principal fator de acidentes no trânsito? Quais são as outras causas mais frequentes?

Excesso de velocidade, falta de atenção, com o uso de celular ao volante, por exemplo. A alcoolemia também vem sendo um fator importante. Eu acho que essas três causas, se a gente conseguir conscientizar as pessoas, diminui em 70%, 80%, o número de acidentes de trânsito.

Sabemos que, além dos motociclistas, os pedestres também estão entre as principais vítimas do trânsito. O DETRAN desenvolve ações específicas voltadas para esse público?

No nosso trabalho de educação para o trânsito, o pedestre é a principal figura desse processo. Porque muitos deles são motoristas. É óbvio que um erro de um motorista alcoolizado ou com excesso de velocidade pode atingir a vida de um desses. A gente olha muito por esse lado. E sempre conversa: tem que ultrapassar na faixa, esperar o sinal fechar, não ultrapassar o sinal vermelho.

Mas é cultural. E a gente tem que mudar essa cultura. Eu estava na Europa, num evento de trânsito, e era 11h da noite, estava saindo para jantar, e a gente voltou para o hotel andando. A gente parou na faixa, o sinal estava vermelho, e não havia carro, tudo parado. E ninguém passou a faixa antes do sinal abrir. Se é no Brasil, a gente não ia esperar. É a cultura que tem que mudar, é a educação, tudo isso junto.

Mudando de assunto, nesses primeiros meses após a implementação das novas regras para tirar a CNH, houve redução de custos e cerca de 110 mil pessoas emitiram a carteira de motorista. Qual é o balanço dessas mudanças?

As novas regras vieram para facilitar o acesso, porque realmente era complicado tirar a habilitação. Com isso, aumentou e muito a demanda. A gente tirava aqui cerca de 16 a 18 mil laudos por mês para fazer a habilitação. Batemos uma média, nos quatro primeiros meses deste ano, de 25 a 27 mil laudos.

Então quase que dobrou e tende a aumentar. E o DETRAN precisa logo se adequar. Com mais pessoal, com mais locais para tirar os laudos, fazer as fotos, as biometrias, mais pessoal para fazer os exames, tanto teórico quanto prático. Mas tem sido um sucesso total.

Como vem funcionando o processo de renovação automática da CNH e quais são os critérios para que o condutor possa aderir ao cadastro de ‘Bom Condutor’?

A gente já teve quase 90 mil renovações de habilitação automática, que não precisou a pessoa tirar laudo. Foi automaticamente renovado. E eu acho que isso veio para ajudar as pessoas a saírem da clandestinidade. Para fazer a renovação automática, você tem que baixar o aplicativo da CNH Brasil, entrar lá na parte de condutor.

E aí você vai se cadastrar no Bom Condutor, que tem lá na aba da CNH Brasil. Você se cadastra lá, ele vai aparecer um sinalzinho verde, mostrando que está tudo ok para ter sua renovação automática. Se você tiver cometido alguma infração de trânsito, ou tiver tido alguma penalidade nos 12 últimos meses que antecedem a data de sua renovação, você não vai conseguir se cadastrar no Bom Condutor. Aí você vai ter que fazer o processo de renovação todo novamente.

Para encerrarmos, qual mensagem o senhor deixaria neste Maio Amarelo para quem transporta vidas no trânsito?

A mensagem, sem dúvida nenhuma, é que você preserve sua vida e a vida dos outros. Para isso acontecer, você que é motorista, deve respeitar a legislação de trânsito, a sinalização, o limite de velocidade. Se estiver de motocicleta, use capacete.

Não beba nenhum copo de cerveja para dirigir. Não é invenção do legislador que você bebe e não pode dirigir. São estudos técnicos, científicos. O álcool tira a visão, o motorista fica um pouco tonto, mais sonolento. Dessa forma, você está colocando em risco a sua vida, a de sua família e a de outras pessoas. Vamos respeitar a legislação de trânsito.

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