ESPORTES
A TARDE acompanha um dia na preparação de Holly. Assista!

É algo no mínimo inusitado você chegar para almoçar com um atleta, a uma semana de uma luta, e encontrá-lo comendo uma feijoada completa: calabresa, arroz branco, carne bem gordurosa e muita pimenta.
Um dia ao lado de Hollyfield:
Mas a cena, ao mesmo tempo, fala muito sobre o jeitão de Reginaldo Hollyfield. "Ah, eu sou negão da Bahia e tenho certas manias, né? (risos). Às vezes dá vontade de comer coisa que não é de atleta. Mas me dá é muita força pra trabalhar, pra gastar energia, ó...", responde, ao ser provocado pela reportagem. "Também, meu filho, depois daquele treino que eu fiz... Comer isso aqui é uma pena", completa.
De fato. Passei um dia inteiro com Hollyfield e constatei que o Negão, como ele gosta de ser chamado, não está para brincadeira. Já saiu dos 111 kg que tinha em fevereiro, quando começou a treinar, para os 86 kg exigidos para a luta com Luciano 'Todo Duro'. Apesar dos caprichos de bom baiano dos quais não abre mão, o atleta treina sem perder o foco.
A ideia era acompanhar a rotina de treinamento sem interferir em nada. Apenas ligar a câmera e acompanhá-lo. A premissa, além de uma escolha, também era necessária: Hollyfield não tem rotina fixa. Vai montando sua agenda ao longo do dia. Mas sempre tem uma tradição: acorda às 5h para estudar a Bíblia antes de sair de casa, no bairro da Massaranduba. É devoto da Igreja Universal do Reino de Deus.
No dia da reportagem, o treino começou às 8h30, com o treinador Edmar 'Popeye', numa academia na Fazenda Grande do Retiro. A cena surpreende. As deformações no corpo do atleta, fruto das queimaduras que sofreu, não atrapalham. Holly vence a dificuldade de locomoção da perna esquerda com pura técnica. E as mãos duras, afinal, não são um problema para quem calça luvas.
Foram três horas e meia de treino. Ao final, a resenha começa e Hollyfield, sempre descontraído, me chama para "bater uma luva". E digo, mais convicto do que nunca: "Jamais! Você é maluco?".
O almoço é no escritório do empresário de Hollyfield, Charles Nascimento, no bairro da Caixa D'Água. Além de agenciar o amigo - que conheceu há mais de 30 anos, quando era lutador -, Charles monta próteses dentárias (inclusive as do atleta). Somos recebidos pela já citada feijoada. O pugilista não esconde a felicidade: "Charles, o que é isso? Você arrebentou".
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Assédio
Hollyfield tem um quarto separado para ele no escritório, onde tira a sua religiosa soneca após o almoço - a recomendação é do próprio treinador. Por volta das 15h, pugilista e empresário vão para a praia do Cantagalo, na Cidade Baixa. A intenção inicial é ir ao aniversário de um amigo, mas Holly 'inventa' de aproveitar o sol para correr na areia e fechar o treino da tarde.
A praia está lotada, mesmo numa segunda-feira. Charles, a reportagem, os amigos, todos recomendam que Hollyfield não corra, pois seria parado para tirar fotos. Mas ele não está nem aí. Parece que gosta desse assédio como incentivo. "Esse negócio de selfie tá na moda (risos)! Gosto de andar na minha área. Eu sou favela, sou gueto", diz. "Claro que tem uns chatos que dizem que Todo Duro vai meter porrada em mim... E eu digo: 'rapaz, você é baiano ou não é?' Quem me persegue não sabe que eu sou o cara!".
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