ESPORTES
Abedi vive dia de herói após decidir clássico para o tricolor
Abedi marca o gol do triunfo tricolor no Ba-Vi e, depois de homenagear o famoso amigo MC Buchecha com dança peculiar, agacha-se para engatinhar no gramado. Estaria desdenhando do rival, que, de Leão, teria se transformado em gatinho após a derrota?
O árbitro Alício Pena Júnior já cometeu o equívoco de pensar assim no jogo entre Vasco e Fluminense, pelo Campeonato Carioca de 2007. Abedi balançou a rede pelo time da Cruz de Malta e fez a mesma comemoração. Alício o advertiu com o cartão amarelo, mas, depois de saber da história, pediu desculpas.
E agiu desta maneira porque a homenagem que Abedi faz quando marca seus gols é uma lição de vida. Ao engatinhar no campo, o atleta simula o modo que o seu filho se locomove. Robson Thuler, 8 anos, sofreu com um tipo raro de leucemia, em 2005. “Ele foi fazer uma biópsia no Hospital Servidores do Estado, no Rio. Chegou lá andando e saiu sem conseguir mexer as pernas. Foi erro médico”, afirmou Abedi.
Robinho, como é tratado pela família, lembra mesmo o craque do Santos quando faz malabarismos com a bola. Pedala como o menino da Vila, mas com os braços. A mãe, Rosi, diz que vai colocá-lo em aulas de basquete. “Ele gosta de tudo que tem bola”, acrescentou. E Robinho ainda tira onda com o pai. “Assim, como eu jogo, ele não sabe. O melhor sou eu”, garantiu o garoto, que tem Cristiano Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho como ídolos, além do pai, claro.
Nesta segunda-feira, 29, no dia seguinte ao sucesso de Abedi no clássico, os colegas e a professora fizeram a maior festa. “Ela falou que viu meu pai no jornal. Fiquei orgulhoso”, contou.
Segundo o atleta, Robinho é a sua maior razão para viver. “Quando foi descoberta a doença, ninguém me reconhecia. Fiquei cego, doido. Quis parar de jogar futebol. Aconteceu logo com as perninhas dele, que já tinham tanta habilidade com a bola”, lembrou, emocionado.
“Tudo que papai faz é por ele. Todos os gols são para ele”, enfatiza Abedi, que transferiu-se do Vasco para o futebol israelense por conta da doença do filho. “Fiquei sabendo que em Israel teria um tratamento especial, mas tudo que tem lá tem aqui também”. Assim, a família decidiu voltar ao Brasil.
Robinho tem sensibilidade nas pernas, mas não consegue as controlar, como se a mensagem não chegasse até elas. Abedi ainda tem esperança que ele volte a andar. “Entreguei na mão de Deus. Enquanto eu estiver vivo, vou acreditar. Deixaria tudo por isso”.
Apesar da vontade de ver o filho caminhando normalmente, todos na casa de Abedi levam a vida felizes. “A gente não ajuda o Robinho em nada. Ele faz tudo sozinho, se vira com tudo. É muito mais esperto que a gente”, orgulha-se o paizão.
Redenção - A bela história de vida e o gol importante marcado no Ba-Vi podem mudar a relação de Abedi com a torcida tricolor, que, até então, pedia sua saída da equipe titular. “Estou sempre me empenhando, me superando. Trabalho para que eles gostem cada vez mais de mim”.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




