ESPORTES
Acesso manchado
Ontem à tarde, o Bahia empatou sem gols com o Vila Nova e se classificou matematicamente – com uma rodada de antecipação – à Série B do futebol brasileiro.
Mas, o que era para ser uma festa nas arquibancadas, transformou-se em tragédia no Octávio Mangabeira.
Aos 38 minutos do segundo tempo, em meio às comemorações da massa, parte do piso do anel superior – onde fica a torcida organizada Bamor – cedeu.
Onze pessoas despencaram de uma altura de 15 metros, seis morreram na hora e uma outra faleceu a caminho do Hospital Geral do Estado (HGE), onde deram entrada outros 13 feridos, seis em estado grave. Os demais (17) foram transferidos para os hospitais Ernesto Simões e Santo Antônio.
Os nomes de seis das vítimas foram confirmados: Jadson Celestino, Djalma Lima Santos, Milena Vasquez Palmeira, Márcia Santos Cruz e Midian Andrade Santos . Entre os feridos, foram identificados apenas Marcos da Paz Macedo, Landerson Santos Azevedo, Renato Barreto e José Mário Silva, 30 anos.
A todo momento, pessoas procuravam os policiais militares em busca de informações sobre o acidente. Um homem desmaiou ao reconhecer uma suposta vítima. Outra garota, em estado de choque, disse que não estava conseguindo encontrar o tio.
A comoção entre os tricolores interrompeu as celebrações do lado de fora da Fonte Nova.
Uma hora depois do acidente, os músicos cessaram o som dos trios elétricos de Ricardo Chaves, Capitão Axé e Olodum, que entoavam músicas em homenagem ao acesso à beira do Dique do Tororó.
PREVISÍVEL – O acontecido, porém, não foi por falta de aviso.
Estudo divulgado há três semanas pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) já mostrava que a praça esportiva era a pior do Brasil, entre 29 avaliados em 18 cidades nos últimos três meses.
O levantamento, realizado com o intuito de avaliar os estádios que se candidataram para receber os jogos da Copa do Mundo de 2014, indica que a Fonte Nova, construída em 1951 e de propriedade do Estado da Bahia, possuía “arquibancadas em ruínas”. Em alguns locais do estádio, não havia peitoril, o que aumentava o risco de queda dos torcedores.
Fotos já mostravam que a estrutura de vigas e pilares estava comprometida.
“Estado lastimável, nenhum conforto e segurança para os usuários”, resume o Sinaenco, a respeito das impressões sobre a Fonte. Além dos problemas estruturais, o estádio apresenta banheiros com o piso podre e vestiários com sistema de aquecimento e chuveiros em situação crítica, além de ausência de higiene até mesmo nos bares.
Na divulgação do estudo, o arquiteto especializado em construção esportiva, Vicente de Castro Mello, já havia feito alertas sobre as condições de conforto e segurança dos estádios brasileiros. “Já tivemos casos de torcedores que foram esmagados na saída de jogos. Sem dúvida, do jeito que os estádios estão, os torcedores correm riscos”, declarou.
A reforma do Octávio Mangabeira, de acordo com o Sinaenco, custaria entre R$ 200 e 400 milhões, praticamente o mesmo valor da construção de uma nova arena. Desde 2006 o Ministério Público pede a interdição do estádio.
INTERDIÇÃO – Só às 21h50 de ontem a Assessoria Geral do Governo do Estado da Bahia (Agecom) divulgou a seguinte nota oficial: “O governo do Estado da Bahia vem a público lamentar a tragédia ocorrida hoje, 25, no estádio da Fonte Nova, durante o jogo Bahia e Vila Nova, prestando total solidariedade e apoio às famílias das vítimas do acidente. A Secretaria Estadual de Saúde está adotando todas as providências no atendimento aos feridos. Está determinada também a imediata interdição da Fonte Nova e a realização de uma perícia para identificar as causas do acidente”.
Já para o presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, “toda decisão sobre o asssunto seria prematura nesse momento”. Ele acrescentou que a entidade está decretando três dias de luto: “Numa hora difícil como essas ficamos sem palavras”.
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