ESPORTES
Agradecer e renovar promessas

A cruzada rubro-negra conseguiu chegar enfim na Colina Sagrada, não para pedir, mas para agradecer. Assim como o movimento militar/cristão da história antiga, alguns guerreiros do Leão, independente de suas crenças, agradeceram ao Senhor do Bonfim pelo caminho percorrido com sucesso, levando o nome do Vitória para o ponto mais alto do futebol brasileiro, em 2008.
Comissão técnica, jogadores, diretoria e torcedores marcaram presença na missa realizada nesta quarta, pelo padre Walter Jorge, rubro-negro confesso. Na pauta principal, a importância de ter aprendido com a queda, para não escorregar novamente.
Talvez lembrando o América de Natal, que conseguiu o acesso na Série A e desceu vergonhosamente no ano seguinte, o padre foi firme. “Quem não sabe subir a escada, escorrega e cai. É preciso muita humildade também, para conseguir se manter sempre no topo”, garantiu o regente da missa.
No sermão, um balde de água fria para os gozadores rubro-negros, que continuam rindo da desgraça tricolor. “Não podemos envaidecer porque subimos. Temos que olhar para nossos irmãos e não desejarmos mal a eles, para que continuemos dignos da nossa conquista”, rogou Walter, que recebeu uma camisa. Na saída da igreja, uma torcedora ainda pediu um autógrafo do goleiro Rafael Córdova. Nada demais, se não fosse na revista que o atleta posou nu.
Da base – Enquanto muitos rezavam pelo objetivo alcançado, já teve torcedor renovando promessas para 2008, como ocorreu com Rudival Barbosa, de 65 anos.
O torcedor compareceu na igreja com a camisa oficial do Vitória, assegurando que estava estreando o padrão. “A intenção é mostrar a camisa nova para Senhor do Bonfim, que será dele no próximo ano. Não uso mais a camisa e vou colocá-la na sala de promessas da igreja, caso o Vitória consiga uma vaga na Sul-Americana”, prometeu Rudival Barbosa.
Já o técnico Vadão preferiu exigir menos dos poderes divinos. “Calma! Acabamos de conseguir um objetivo e já vamos pedir outro?”, brincou o comandante. Parece que o treinador vai preferir solicitar seus novos desejos para a garotada que entra em campo sábado, contra o Gama, no último jogo do ano. Após o sermão do padre, o elenco se dirigiu ao centro de treinamento para o segundo coletivo.
Porém, os atletas que atuaram como titulares durante o ano apenas ficaram batendo papo e relembrando casos que ocorreram nas Séries C e B. “Rapaz, estava uns 50 graus naquele lugar. A chuteira fervia os pés”, lembrou Apodi, da partida contra a Tuna Luso, pela Terceirona de 2006, no sol de 11 horas da matina, em Belém/PA.
Enquanto os considerados titulares riam com as lembranças do lateral-direito, a garotada lapidada pelo próprio Vitória treinou forte novamente, com objetivo de entrosar a nova formação. Para Vadão, o objetivo não é poupar os principais atletas, mas avaliar as promessas para 2008. Sobre as renovações e dispensas, apenas Bida e Jean afirmaram que estão conversando com a diretoria. Os demais, não sabem ainda.