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ESPORTES

Alertas foram ignorados

Nelson Barros Neto, do A Tarde
Por Nelson Barros Neto, do A Tarde
| Atualizada em

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Com o perdão do clichê, que virou senso comum rapidamente após o ocorrido, uma tragédia anunciada foi a responsável por vitimar sete torcedores do Bahia durante o empate com o Vila Nova/GO, que carimbou o acesso tricolor à Série B, e de ter ferido cerca de 40 pessoas.

Além de o Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) ter considerado o Estádio Octávio Mangabeira o pior do Brasil apenas três semanas antes – foram avaliados 29 em 18 cidades, por três meses –, processo movido pela promotora Joseane Suzart, do Ministério Público Estadual, já tramitava desde janeiro de 2006 pedindo a interdição da praça esportiva

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A juíza Licia Fragoso Modesto, da 2ª Vara Especializada de Defesa do Consumidor, porém, não se pronunciou. Precisou de 23 meses para se declarar incompetente para apreciar o pleito. Dois dias depois do desabamento da laje de 5 x 0,8 metros da arquibancada superior da Fonte, próxima à torcida organizada Bamor, por volta dos 38 minutos do segundo tempo da partida.

Semanas depois, colocou a culpa na demanda de processos no local de trabalho, inviabilizando a apreciação do MP.

Para completar, uma semana antes da tragédia, a 2ª Companhia Independente da Polícia Militar entregou um relatório à Superintendência dos Desportos da Bahia (Sudebs) com fotografias de avarias e vergalhões enferrujados, além de comentários como “o estádio não suporta o público de campeonato. A estrutura metálica está enferrujada. Há necessidade de uma reforma urgente”. São palavras do capitão Elsimar.

“O Corpo de Bombeiros já tinha feito um relatório sobre as condições do estádio em 2005 e a ação civil foi baseada em um inquérito que tramita desde 2004”, diz a promotora.

Segundo ela, relatório da Vigilância Sanitária também já apontava piso irregular e sem revestimento em alguns setores, infiltrações, além de vários sanitários, boxes e cantinas em precárias condições de higiene. A única providência tomada pela Sudesb, contou Joseane, foi a elaboração de um plano geral contra incêndio e tumultos. Os laudos subseqüentes – de CREA, Polícia Técnica e Escola Politécnica da Ufba – confirmaram as suspeitas.

A ação corre até hoje, agora na 8ª Vara da Fazenda Pública, e cobra indenizações para os sobreviventes e familiares das vítimas. Também há pedido de destituição dos presidentes da CBF, FBF e do Bahia por parte de uma ONG paulista, e uma ação popular pela não demolição do estádio, contra o governador Wagner.

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