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Alexi Portela: “Em 2010, nossa receita será maior que este ano”

Moysés Suzart l A TARDE
Por Moysés Suzart l A TARDE
| Atualizada em

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Dinheiro: palavra mágica que o presidente do Vitória, Alexi Portela, tenta tirar da cartola para deixar o rubro-negro forte na próxima temporada. A principal meta é saber gastar a grana sem os desperdícios de 2009, principalmente na ‘carreta’ cheia de contratações frustrantes. Para os primeiros 4 meses, a pretensão do Vitória é contratar apenas 5 reforços e trabalhar com a base e os jogadores com contratos renovados.

O cartola até promete aumentar os recursos em 20%, chegando a R$ 30 milhões em investimento. Porém, este dinheiro não será liberado agora. Para o Campeonato Baiano, Alexi admitiu contratar pouco e fazer um time competitivo com o que tem, mesmo sabendo da importancia da Copa do Brasil.

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Sobre o rombo de R$ 6 milhões neste ano, o presidente não vê outra opção a não ser vender atletas. Entre elogios direcionados ao novo técnico Ricardo Silva, Portela confessou que existia um racha entre elenco e comissão técnica e muitos jogadores se queixavam do ex-técnico Mancini. Confira as pretensões e opiniões do atual cartola do Leão.

ATEC - Como fazer um time competitivo em 2010 com a redução na receita anunciada pela diretoria?

Alexi Portela - Quando eu falo em redução orçamentária, não é diminuição na receita. Muito pelo contrário. Em 2010 nossa receita será maior que este ano. A redução que falo é em gastos com jogadores de forma exagerada como fizemos. Mas é claro que vamos montar um time forte. Nós vamos priorizar e gastar acertando no alvo, com o mínimo de erro possível.

AT - Este aumento na receita será de quanto?

AP - 20% a mais. Em valores, algo em torno de R$ 30 milhões.

AT - Será suficiente?

AP - Ninguém faz nada sem dinheiro. Precisamos rever gastos e ganhos e conseguir patrocínios fortes do governo federal e estadual. Será suficiente se soubermos gastar o que temos da melhor maneira possível.

AT - O Vitória terá um elenco mais modesto no Baianão, pelo faturamento reduzido na competição. Até que ponto atrapalha no desempenho do time nas outras competições?

AP - Não temos quase nenhuma receita no estadual e obviamente atrapalha, principalmente na Copa do Brasil. É um desafio enorme manter um time no Baiano, sendo que temos o dever de montar um elenco competitivo para a Copa do Brasil. Não podemos montar um meia-boca em 4 meses com fluxo deficitário. É um desafio que precisa muito cuidado para não cometermos os mesmos erros do ano passado nas contratações.

AT - Como sanar o saldo negativo de R$ 6 milhões deste ano, como você mesmo admitiu que o Vitória teve?

AP - Não tem outra saída a não ser venda de jogador. Para cobrir este rombo, só vendendo alguns atletas.

AT - Foi mais difícil tirar o Vitória das Séries C e B sem dinheiro ou é pior se manter na A com grana?

AP - É muito mais difícil se manter na elite, mesmo com mais dinheiro. Na Série C estávamos com pouca verba, mas enfrentamos times inferiores. Na Terceira, nosso orçamento era o maior e éramos um Corinthians ou São Paulo da Série C. Na Séria B não foi diferente e poucos clubes tinham o mesmo orçamento nosso. Porém, na Série A somos os menores. Tem adversário que fatura mais no mês do que o Vitória no ano. É uma diferença absurda. Nossas contratações não podem ser comparadas com a do São Paulo. Não podemos pagar os salários que eles pagam.

AT - Este ano, o Vitória teve muita dificuldade de encontrar o patrocínio principal. Para 2010, já existe um planejamento para evitar o problema?

AP - Planejamento tem, mas nada definido. Creio que até o próximo dia 15 estaremos fechados com os patrocínios para 2010. Mas não tem nada batido o martelo.

AT - Esta falta de patrocínio atrapalhou no rendimento no ano?

AP - Não. No clube como um todo, refletiu. Porém, não no rendimento na Série A. Montamos um elenco competitivo e pagamos em dia. Acho que foi uma queda realmente de produção e a troca de treinador também refletiu. O técnico que chegou [Vagner Mancini] não correspondeu como esperávamos.

AT - Houve um racha no elenco? Os jogadores ficaram insatisfeitos com Mancini?

AP - Sim. Aconteceu isto realmente no elenco já algum tempo. Houve muita queixa de uma boa parte dos jogadores contra Mancini e acabou influenciando também na sua saída.

AT - Quais as queixas?

AP - Não vou entrar em detalhes.

AT - O sucesso de Andrade no Flamengo influenciou na decisão de efetivar o interino Ricardo Silva para o cargo de técnico?

Para ser sincero,não. Desde o segundo semestre eu já avisava [Ricardo Silva] para ele começar a se preparar para este momento. Não foi Andrade que me fez tomar esta decisão. Foi a competência de Ricardo, que sempre correspondeu quando solicitado. Então a saída deMancini já era certa há muito tempo... Ele não se encaixou como esperávamos e tinha que estar preparado para isto.

AT - Desde 2006 quando você assumiu de fato, na Série C, até na atual gestão, o que você viu de positivo e negativo no Vitória?
Resumindo: uma sensação de que muita coisa poderia ser melhor, mas também muita coisa poderia ser pior. Mas na média, acho que estamos vitoriosos. Com certeza conseguimos mais acertos do que erros e o fato de estarmos na Série A é uma prova. Tivemos dificuldades pelo fato de nunca termos trabalhado com futebol e dirigir futebol é muito complicado. É lutar no dia-a-dia tentando fazer a bola entrar no gol. Mas a bola entrou mais do que saiu, apesar de estarmos cientes que precisamos mudar muito para colocar o Vitória no eixo.

AT - No retorno à Série A, em 2008, o Vitória estava como zebra. Este ano, a meta foi se estabilizar na competição. E em 2010?

Cada ano na Série A aumenta mais a cobrança de resultados melhores. No ano que subimos, você lembra o time que foi campeão e quem subiu conosco? Todos voltaram para a Série B e este ano foi o Coritiba, após dois anos na Primeira Divisão. [Em 2007, Portuguesa e Ipatinga também subiram, caíram novamente]. É muito difícil se manter na Série A, bicho! É algo que sempre vai me preocupar no Brasileiro. Muita gente acha que pensamos pequeno quando afirmo que minha primeira pretensão é se manter. Não é assim. Primeiro penso nisso, mas nosso objetivo principal é mesmo conseguir uma vaga na Sul-Americana ou Libertadores.

AT - E título?

Como já disse, primeiro vamos colocar o Vitória no eixo com planejamento. Só assim para conseguir vencer um campeonato longo como o Brasileiro. É cada ano sendo melhor que o outro e a meta aumentando. Repare que o Coritiba voltou em dois anos para a Série B, mesmo com aquela estrutura e 35 mil sócios. É complicado jogar na mais disputada competição do mundo sem planejar.

AT - O ex-diretor Jorge Sampaio e o vice-presidente, Carlos Falcão, trocaram farpas. Como você analisa esta briga?
Até em casamento tem briga na separação. As brigas foram meramente profissionais e não cabe mais falar sobre a saída deJorge Sampaio. A demissão foi natural como em qualquer empresa.

AT - Um dos motivos apontados para a saída de Jorge Sampaio foi concentrar contratações de jogadores em números restritos de empresários. Com o novo diretor
Mauro Galvão no cargo, será permitida esta conduta?

Deveremos diversificar e tenho certeza que Galvão fará isto. Minha preocupação maior é não trazer jogadores ligados ao procurador do treinador. Não gostei disso e não quero mais. Claro que sou responsável por isso também, que aceitei este ano com Mancini.

AT - Alexi Portela continua no cargo para 2011?

No final de 2010 te respondo.

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