ESPORTES
Apesar do sucesso, Chibata reclama de falta de visibilidade

Natural de Caldeirão Grande, no norte baiano, Idiozan Matos, o 'Chibata', começou no boxe aos 17 anos, num projeto social em Santo Antônio de Jesus, cidade para onde se mudou ainda novo.
Com quatro meses treinando, já partiu para sua primeira luta como amador. Dezesseis duelos depois, em 2005, migrou para o profissional na ANB, quando foi recrutado pelo presidente da entidade, Adimilson "Lalá" Vasconcelos.
Depois de ganhar todos os títulos no Brasil - foi campeão baiano, brasileiro e sul-americano da ANB -, mudou-se para São Paulo para conseguir lutas internacionais. Não deu muito certo: em 2008, viajou para a Suíça, Itália, Finlândia e Irlanda. Perdeu todas as lutas. Hoje, ele diz "enxergar mais longe e que foi prejudicado deliberadamente".
"Disseram que era a hora de lutar fora do país, mas isso não foi bom pra mim. Eu não estava preparado ainda. Mas, mesmo assim, o treinador (que ele prefere não citar o nome) me mandava ir. Só depois, eu e outros atletas percebemos que ele mandava a gente para ganhar dinheiro, e não para trazer resultados", desabafa.
Além do jejum, Chibata viveu um período de dificuldade financeira. Chegou a trabalhar como repositor de supermercado, vendedor de desinfetante e instrutor de boxe. Mas, em momento algum, desistiu do esporte. "Continuo porque sou muito persistente. Um dia, tudo pode mudar. Apesar de ser o esporte mais bem pago no mundo, no Brasil ele não dá dinheiro", lamenta.
Passado o momento de dificuldade, Chibata estreitou os laços com Lalá e ANB. Assim, conseguiu os títulos que mais se orgulha: a divisão Fedecentro (latino-americana) meio-médio da Associação Mundial de Boxe (WBA, em inglês) e o mundial dos médios da Federação Mundial de Boxe (WBF). O último foi o dos médios da World Boxing Union (WBU), neste ano.
Hoje, ele afirma poder viver do boxe, ainda que com dificuldade. A expectativa de continuar é alta. Ele não pensa em aposentadoria tão cedo, e espera conseguir um lugar nas quatro grandes associações.
"Hoje, tenho condições de ir para lá. Tenho 31 anos, pretendo lutar até os 40. Até agora, fiquei aqui mais por conta da amizade com Lalá. Porém, pretendo sair do Brasil na primeira boa oportunidade, que eu sei que vai surgir", diz.
Bolsa
Oito mil reais (R$ 8 mil) foi o maior valor de bolsa que Chibata diz ter ganhado com o boxe. Na luta em que conquistou o título mundial dos médios da WBU, em Santo Antônio de Jesus, o lutador recebeu R$ 6 mil
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