ESPORTES
Bahia visita o Fortaleza e busca somar pontos fora de casa
Neste sábado, dia 1º, o Bahia terá um cuidado especial na partida contra o Fortaleza, no Castelão: não ser mordido pela própria cria. Se o tricolor baiano conseguiu se livrar de Paulo Roberto, prata da casa impedido de enfrentar seu clube, graças a força contratual de empréstimo, o mesmo não vai acontecer com a revelação do Fazendão de 2003, Marcelo Nicácio.
Após seis anos desde sua saída, Nicácio vai rever o clube que o projetou, mas desta vez no lado oposto do campo. Mais experiente, o jogador é um dos destaques do Fortaleza no ano e o principal artilheiro. Na Série B, o jogador converteu 6 gols, o dobro do goleador do Bahia na mesma competição, Reinaldo Alagoano.
Porém, o time baiano confia em seus zagueiros para segurar o atacante, pelo menos na teoria. A relação entre Bahia e Nicácio é muito além das quatro linhas. O jogador engorda uma estatística ruim do Esquadrão. É umas das pratas da casa que não tiveram o reconhecimento merecido no clube, tampouco um retorno financeiro. O atleta é um torcedor nato do Bahia. Antes de entrar no Fazendão, era da bateria da Torcida Organizada Fiel.
Já no clube, foi logo convocado para seleção brasileira, onde jogou o Pan de 2003. Aqui, já era tido como o novo sucessor do ídolo Nonato. Mas toda promessa não foi suficiente. Na época comandado por Vadão, Nicácio foi afastado do elenco, após vaias nas arquibancadas e acabou emprestado ao Xanthi Skoda, da Grécia.
Na época, o Bahia não faturou nada com a promessa. “No Bahia, os jogadores que saem da base não são valorizados. Nós não temos moral e sempre somos culpado de tudo, como ocorreu comigo, no ano em que o Bahia caiu para a Segunda Divisão [2003]”, disse Nicácio.
Por este motivo, o atacante apontou sua saída precoce do grupo. “Eu me destaquei na base e me colocaram para salvar a pátria quando eu ainda não estava preparado. Infelizmente isso ainda acontece no Bahia e em muitos clubes brasileiros, que não sabem cuidar de seus jogadores”, revelou, confessando que gostaria de jogar no Bahia, mas foi rejeitado pela atual diretoria.
Promovido para o time principal de forma precoce, o resultado não poderia ter sido outro. “Impaciência da torcida e cobrança da comissão técnica. Eu acabei saindo da equipe na concentração da primeira partida da Série B. Amo o Bahia, mas saí de lá humilhado, como alguns garotos da base”, assegurou o craque, que foi cedido para o diretor da Sudesb, Bobô, para pagar dívidas.
Exemplos como o de Nicácio são inúmeros, como o lateral Daniel Alves. A diretoria do Bahia não viu um potencial na revelação e acabou vendendo o jogador por 800 mil euros para o Sevilla, da Espanha. Com menos de seis meses, o jogador já estava valendo 20 milhões de euros na Europa. “O Bahia não me vendeu, deu de presente ao Sevilla”, disse Daniel Alves, na época.
Mas parece que o Bahia não aprendeu. Depois da bela campanha na Copa BH, alguns jogadores tricolores podem sair sem sequer serem aproveitados no time principal. Um deles é o meia Vander, que está pronto para defender o São Paulo.
Atualmente, o Bahia tem quatro jogadores da base no time principal. Destes, Ávine e Ananias são os mais cobrados. “É muita cobrança, por dois motivos. O primeiro é ser um time de massa e o segundo ser da base”, disse Ávine.
O azar também atrapalha. No caso do ala, o atleta atua bem, mas o time perde. Exemplo foi na derrota para o Figueirense, em Pituaçu. O lateral cavou um pênalti e Reinaldo perdeu. Jogou bem, mas acabou falhando e dando o gol ao adversário. O meia Roberto, após boa atuação na sua estreia na Série B, machucou e ainda não se recuperou.
Time definido - No Bahia, não existe nem tempo para mistérios. Ao contrário do antecessor Alexandre Gallo, o técnico Paulo Comelli não esconde o time que enfrenta o Fortaleza logo mais. “Não temos o que esconder na escalação. O que nós precisamos é mudar mais nossa postura dentro de campo”, profetizou o comandante tricolor.
A única diferença do time deste sábado para o que empatou a partida contra o Juventude é no meio-campo. O volante Leandro volta de contusão e empurra Marcone para o banco de reservas. A intenção da comissão técnica é colocar o time com a mesma garra no primeiro tempo da última rodada, mas durante todo o duelo no Castelão.
“O condicionamento físico não está no ideal, mas minha intenção é fazer com que a equipe mantenha o ritmo e não repetir o que aconteceu contra o Juventude”, pregou Comelli. Mas o treinador também tem outras armas para vencer o Leão cearense.
Forte candidato a vestir a camisa tricolor, Paulo Isidoro, que treina no Fazendão com o grupo, deu boas dicas para o tricolor. O meia atuou no Fortaleza na Segundona do ano passado, inclusive ajudando na goleada sofrida pelo representante baiano, por 5 a 1, no dia em que Arturzinho, ex-técnico do Bahia, caiu.
“Na época realmente me destaquei. Fiz gol e dei passes para quase todos. Depois, me machuquei e não atuei mais. Confesso que gostaria novamente de estar neste jogo, mas desta vez do lado do Bahia”, se abriu Isidoro, demonstrando interesse em ficar.
Enquanto Isidoro não assina, Jael pode ganhar chance. O recém chegado atacante já senta no banco e se diz preparado para o embate. “Eu não parei de treinar e estou pronto para o duelo. Vou começar no banco, mas espero entrar e fazer gol”, disse.
No Fortaleza, dois desfalques são as principais preocupações: o lateral-esquerdo Jaílson e o zagueiro Edson, que serão substituídos por Guto e Sílvio, respectivamente. “Espero voltar jogando bem. Estou preparado e nós faremos de tudo para vencer dentro de casa", disse o zagueiro, no site oficial do clube. O atacante Paulo Roberto, emprestado pelo próprio Bahia, não atua devido a cláusula do contrato.
FORTALEZA X BAHIA
Fortaleza - Alexandre Fávaro; Maisena, Amarildo, Silvio e Guto; Coutinho, Júlio, Kiko e Crístian; Nicácio e Rogerinho. Técnico: Giba.
Bahia - Marcelo; Nen, Rogério e Menezes; Marcos, Leandro, Alex Maranhão, Ananias e Ávine; Beto e Reinaldo Alagoano. Técnico: Paulo Comelli.
Local: Estádio Castelão, em Fortaleza, às 16h10.
Árbitro: Suelson Diogenes França (RN).