ESPORTES
Baiana com sotaque gaúcho

Depois de quase participar de duas edições dos Jogos Pan-Americanos, finalmente, a esgrimista nascida na Bahia, Deise Castro, conseguiu a tão sonhada participação na maior competição das Américas.
No Pan do Rio de Janeiro, ela vai disputar na modalidade sabre, a única arma da esgrima que soma pontos tocando além da ponta no adversário. “Podemos tocar também com o lado do sabre.
Qualquer parte que tocar da cintura pra cima vale ponto”, explica Deise. Quem conversa com Deise Castro jamais vai imaginar que a esgrimista nasceu na Bahia. Com um sotaque tipicamente gaúcho, com direito a gírias como bah, ela explica que passou pouco tempo entre os baianos e que sua família inteira é do Rio Grande do Sul. “Logo que meus pais casaram, meu pai passou em um concurso e foi trabalhar no Pólo Petroquímico”.
O calor da terra esquentou a relação dos pais de Deise, que tiveram por aqui suas três filhas. A esgrimista é a mais jovem delas e morou apenas um ano em Salvador. Hoje, aos 27 anos, a baiana mora em Porto Alegre e conserva pouco das características de sua terra natal. “Me considero mais gaúcha do que baiana, mas sempre que me perguntam onde nasci, faço questão de dizer que sou baiana”.
Herança – Mesmo estando a milhares de quilômetros de suas origens, ela acredita ter herdado um pouco do jeito de ser baiano. “Acho que sou bem alegre que nem os baianos, estou sempre brincando e sou espontânea. Não tenho essa frieza dos europeus que colonizaram o Rio Grande do Sul”, admite ela, que, junto com as irmãs, deu nome ao sítio que pertencia à sua família no Rio Grande do Sul, que se chamava “As três baianinhas”.
Desde que foi para os pampas, Deise já esteve algumas vezes na Bahia. “Meus pais fizeram grandes amigos aí e a gente também queria voltar para conhecer onde tínhamos nascido”, disse.
Começo – Aos 9 anos, Deise queria muito praticar um esporte e decidiu que iria se matricular nas aulas de tênis. Sócia do Grêmio Náutico União, clube de Porto Alegre, ela estava na fila de espera, aguardando uma vaga na turma. Foi aí que entrou em ação a tia de Deise, que estava namorando com um treinador de esgrima. “Queria fazer algum esporte e não conseguia vaga no tênis. Minha tia começou a insistir para eu conhecer a esgrima, fui para as aulas e não parei mais”, contou.
Essa será a estréia da baiana em Jogos Pan-Americanos. Ela que já esteve na porta de outros dois jogos, em Winnipeg e Santo Domingo, já se sente vitoriosa com a classificação para os Jogos no Rio de Janeiro. “Claro que a gente sempre sonha com uma medalha, mas sendo bem realista, espero ficar entre as oito”, considera.
Em Winnipeg, no ano de 1999, Deise não conseguiu classificação por muito pouco. Já em 2003, a atleta liderava o ranking e só não competiu em Santo Domingo porque era contra a realização do teste de corrida para a seleção do esgrimista. “Me neguei a fazer o teste porque não acho que seja necessário para a esgrima”, considera.
Para ser aprovadas na seleção, as mulheres precisam correr 2.500 metros em 12 minutos, e os homens, 3.000 metros, no mesmo tempo. “Este ano, resolvi fazer o teste porque os Jogos acontecem no Rio de Janeiro e também porque pode ser meu último Pan. Então botei na cabeça que ia conseguir”, contou a esgrimista, que correu os 2.500 metros em 11 minutos e 42 segundos.