COPA DO MUNDO
Bahia cresce com três craques gardelitos
Carlos gastou do seu bolso para trazer meiuca da Argentina

Papetti, Bianchi e Avalle. O presidente do Bahia à época, Carlos Wildberger, comprou uma briga com a família, mas trouxe da Argentina uma linha média inteira, dando um novo sabor ao futebol baiano em 1940.
Avalle era italiano, mas jogou no Estudiantes e no Racing. Papetti era do Platense. Bianchi viera do Racing. Era a época denominada ‘platinismo’ porque os brasileiros desenvolveram um misto de admiração e temor diante dos times e da seleção argentina. O Brasil era freguês de caderno.
Nesta de investir sem esperar retorno, porque não havia patrocinador nem anunciante e a bilheteria era fraca, Carlos ficou duro, e até para tomar um cafezinho tinha de ter um amigo para pagar. Por outro lado, estava feliz, por ver seu Bahia superdotado de uma linha média poderosa.
Onde o Bahia jogasse, chegava com moral por causa dos três gardelitos. Bianchi tornou-se jogador e treinador, situação repetida apenas por Osni, em 1984. Avalle teve menos fortuna: foi colhido pela dama da foice ao receber uma cotovelada no rim.
O final também não foi feliz para aquele apaixonado presidente capaz de transferir todas as suas economias para investir no clube. Empobrecido, pediu emprego ao clube, queria morrer no Bahia, qualquer coisa servia, mas teve negado seu pedido: “sinônimo de amar é sofrer”, toca Zé Ramalho.
Esta teria sido a segunda grande contribuição tricolor, além da própria fundação 10 anos antes, quando o Campeonato Baiano estava bem fraquinho, com o desinteresse de várias agremiações, e o clube novel chegou para liderar uma virada no placar adverso, mesmo com uma torcida ainda em formação.
Maxi Biancucchi exagera nos 7 a 3
Uma goleada com placar dos anos 1940 fixou a imagem do Bahia como freguês do Vitória na nova Fonte. O argentino Maxi Biancucchi foi um dos exagerados na goleada de 7 a 3 no peixe. Mas Escudero foi mais fiel ao Leão.
El Nene conhecia tudo da criança
El Nene, possivelmente por uma carinha de anjo, era o apelido de Sanfilippo, cracaço cujas atuações soberbas ficaram na memória dos tempos. Ninguém pode se dizer tricolor sem conhecer a história deste argentino.
Buttice, goleiro e piloto de avião
Goleiro animado do Bahia foi o argentino Buttice. Até de cabeça ele defendia. Não vamos diagnosticá-lo pois não temos registro de psicólogo, basta dizer de seu sonho em tornar-se piloto de avião, tendo aulas no antigo aeroclube.
Andrada e Fischer; Beijoca venceu
A chegada do goleiro Andrada, do Vasco, e do atacante El Lobo Fischer, ex-Botafogo, ambos argentinos, fez do Campeonato Baiano de 1976 um dos mais empolgantes da história. Contratados pelo Vitória, foram os destaques do time vencedor das primeiras duas fases, equivalentes ao primeiro turno. Depois, o Bahia perturbou a paz dos rubro-negros com um artilheiro raçudo com nome de boneca da Estrela, mas não se engane: Beijoca liderou o Bahia para ganhar o segundo turno e na decisão ninguém conseguiu parar o tanque tricolor. Bahia tetracampeão. Quem viveu este ano, seja pela dor ou pela alegria, jamais esquecerá.
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