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COPA DO MUNDO

Brasil teve apoio dos mexicanos na campanha do tri em 1970

Na estreia dos astecas, nesta terça, é a vez de retribuirmos o carinho recebido

Paulo Leandro
Por Paulo Leandro

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Pele de sombrero mexicano ao ganhar o tricampeonato no México
Pele de sombrero mexicano ao ganhar o tricampeonato no México - Foto: Reprodução

O tricampeonato do mundo conquistado pelo Brasil no México, estreante desta quarta, 13 horas, diante da Polônia, poderia ser compartilhado com a torcida local, pois apoiou o escrete como se fosse a seleção de seu país.

Quando na partida final, 4x1 sobre a Itália, se aproximava do fim, a torcida estava em êxtase, e parte dos mexicanos presentes ao estádio Azteca, na Cidade do México, havia driblado os guardinhas, aguardando à beira do campo.

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Até mesmo os policiais mexicanos vibraram, um deles, aparece sorridente, junto ao capitão Carlos Alberto, no momento de o lateral-direito erguer a Taça Jules Rimet, definitivamente conquistada pelo Brasil.

Desde então, há um sentimento de união entre brasileiros a astecas, pois o apoio de milhares de 100 mil entusiasmados irmãos, levando bandeira e tudo, foi importante para a conquista.

Foi como se o Brasil jogasse em casa, misturando-se os jogadores aos torcedores, ao apito final, despindo-se os canarinhos, ao ficarem apenas de cueca, tendo calção, meiões e camisas levados de brinde pela galera.

O típico chapéu mexicano, o "sombrero",,. originado do hábito das “siestas”, aquele soninho gostoso de meio-dia pra tarde, ganhou a cabeça de Pelé, carregado em triunfo por aquele povo tão carinhoso e gentil, brasuca-mexicano.

Antes de chegar à final contra a Itália, a Seleção goleou a Tchecoslováquia (4x1), venceu a então campeã, Inglaterra, por 1x0, a Romênia, por 3x2, eliminou o Peru, por 4x2, venceu a semi, para o Uruguai por 3x1.

Hoje, na estreia, contra a Polônia, às 13 horas, a geração dos brasileiros de 1970 há de lembrar desta história inesquecível, retribuindo ao povo mexicano a torcida por uma boa vitória na largada do grupo.

O México está num grupo com Argentina, Polônia e Arábia Saudita e as apostas são para disputar uma das duas vagas com os gardelitos e os polacos, correndo os árabes por fora, como a zebra desta chave.

A presença dos astecas

O México pegou o boi ao participar de eliminatórias contra seleções de bola murcha como o Canadá e os EUA, embora ambas tenham melhorado seu desempenho de umas décadas para cá. Nas primeiras copas, no entanto, não tinha pra ninguém, só dava México, uma das seleções de maior número de participações desde 1930: 17 vezes em 21 edições. E tem mais: os mexicanos encontraram um jeitinho de desenvolver seu futebol ao serem aceitos para a disputa da Libertadores durante 20 anos, pois o confronto com times de outros países deixou os astecas mais espertos. Presença constante nas oitavas desde 1994, depois de ter chegado duas vezes nas quartas, o México tem cacife para enfrentar de igual para igual a Argentina e a Polônia, os mais duros de seu grupo.

Ídolos eternos

Na longa estrada em Copas, o México foi deixando sua marca com uma coleção de craques, o maior deles, o artilheiro Hugo Sanchez, ídolo do Real Madrid, com passagem pelo Atlético madrilenho e o antifascista Rayo Vallecano. Outro goleador foi Borgetti, mais frequente ao balançar as redes adversárias, tendo participado das copas de 2002 e 2006. O campeão de participações em mundiais, pelo México, no entanto, é o mítico goleiro Carbajal, conhecido como o “Senhor das Cinco Copas”, ao proteger a vala da seleção com categoria compatível com os melhores arqueiros da história. Outro muito lembrado no gol é Jorge Campos, tanto por sua agilidade, compensando a baixa estatura de 1,68, um nanico para quem joga com a camisa número 1, sempre muito estampada.

Espanha devedora

Um cruzamento contra a Espanha poderia reacender, pela via pacífica da bola, uma antigo desejo de vingança do México, pois os europeus, a pretexto de “civilizar” e “cristianizar” o território, promoveu uma das maiores chacinas da história. Hitler é um bebê de fraldas, perto da crueldade dos invasores, ao utilizarem-se de arcabuzes para atacar os astecas, com a chegada da expedição de Hernán Cortés há 500 anos. O povo originário era uma sociedade organizada e pacífica, tendo mais conhecimento de agricultura, astronomia, construção de edificações, além de manifestações culturais. O crime cometido pelos espanhóis precisa ser pago, senão em uma derrota para a seleção mexicana, mas em construção de escolas, hospitais e uma soma em euros.

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