COPA DO MUNDO
Carrossel holandês faz Argentina de boba na Copa de 1974
Goleada foi a prova definitiva do novo paradigma laranja

A Argentina foi a presa escolhida pela predadora Holanda para apresentar ao mundo, em definitivo, o novo jeito de jogar futebol, alterando o conceito de ‘posição’ para o de ‘deslocamento’, ocupando os laranjas os espaços vagos do campo.
Como na hipótese de o campo constituir-se de átomos e vazio, conforme Demócrito de Abdera, os laranjas se distribuíam de forma a impossibilitar qualquer marcação eficiente por parte do adversário, como experimentou a Argentina naqueles 4 a 0.
Foi em 26 de junho de 1974, na Copa da Alemanha, aquele grande espetáculo de um país marcado pela inovação e liberalismo de costumes, onde se pode pedir um gostoso baseado numa mesa de bar, constando no cardápio e tudo.
Difícil é o jornalista colocar em um formato coerente de ficha técnica aquele bando capaz de inverter posições rapidamente, aparecendo o suposto zagueiro lá na frente para concluir ou recuando o atacante para ajudar na marcação.
O confronto repete-se nesta sexta, pelas quartas, mas a temporalidade afetiva relacionada a este específico jogo segue o mantendo como se nunca pudesse terminar, tal a sensação estética produzida.
Equilíbrio em jogos duros
Valeu-se da genialidade de Denis Bergkamp, a Holanda, para carimbar o passaporte da Argentina de volta a Buenos Aires, nas quartas de final da Copa do Mundo da França, em 1998. Jogo muito equilibrado, encaminhava-se para a prorrogação, como na final de 1978. Mas Bergkamp evitou. Já em 2006, na Alemanha, o jogão destoou dos encontros anteriores, por falta de vontade e beleza. As duas seleções fizeram jogo de compadre (la concha de su madre!) e terminou sem gol, sem graça nenhuma, porque já estavam classificadas. Já na Copa realizada no Brasil, a teima só acabou na disputa de pênaltis. Argentina deu 4 a 2 e decidiu com a Alemanha. Ficou com o vice.
João jogava como bailava
Johan (João) Crujff (tem quem escreva Cruyff, outros Cruijff, mas lê-se Cróife), foi o regente desta orquestra, pode-se dizer “maluca beleza”, conceito de Raul e seu parceiro Cláudio Roberto. Nos 4 a 0 sobre os gardelitos, em 1974, deixou três, um dos quais com o goleiro Carnevalli estatelado ao chão, ficou meio feio pra ele. Teve até quem desse risada.
O título da milicada
Uma solada feia de Kempes abriu a defesa laranja na final de 1978, aquela vergonhosa conquista acertada via Operação Condor, o Brasil campeão moral (rs, rs), o Peru abrindo e outras tretas. Foi falta, mas o juizão fez vistas grossas e a Argentina venceu por 3 a 1. Mas os assassinos de 30 mil civis pegaram cana perpétua quando acabou a ditadura milica.
Vale tudo pelo lucro
Os conceitos de ‘lucro’ e ‘mercado’ foram logo assimilados pela Holanda, com a fundação da Companhia das Índias Ocidentais em 1621. A ideia era dar retorno aos investidores. Até Salvador e Olinda os holandeses tiveram a ousadia de invadir. Daqui, foram expulsos sem demora, mas deixaram mais descendentes em Pernambuco. A mercado-lógica produziu boas contrapartidas, pois como o cliente sempre tem razão, Amsterdã acolheu judeus perseguidos, como Spinoza, um novo alento à filosofia. René de Descartes não era judeu, mas marchou como soldado de Maurício de Nassau, antes de meditar ao lançar as bases do racionalismo moderno.
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