COPA DO MUNDO
‘Francês’ para lá de Marrakesh
Fontaine só precisou de uma Copa, a de 1958, para ser eterno

Quis a segunda moyra do destino, aquela a quem cabe tecer a vida da pessoa até o último fio ser rompido com a morte, presentear a França com um marroquino, até hoje o principal artilheiro de uma Copa, a de 1958, na Suécia.
Nascido pra lá de Marrakesh, como tem na música do Mano Caê, Just Fontaine tinha cidadania francesa porque Marrocos não existia e a França controlava, assim como o fizeram espanhóis e portugueses.
O Justo, como era chamado, podia ser comparado a um Belchior do futebol, pois fez belíssimos 13 gols apenas numa copa e depois sumiu, sem deixar vestígio, exceto o de ossos fraturados impeditivos de seguir carreira.
Veloz, sabia driblar, chutava sempre tirando do goleiro, sem precisar de força, e apesar de 1,74 m, costumava subir mais e cumprimentar.
O Brasil não havia sido vazado na Copa até deparar-se com o Justo, tirando o selo verde-amarelo, ao deixar Gilmar “angustiado como o goleiro na hora do gol”.
A Seleção Brasileira virou para 5 a 2 e repetiu o placar na final contra a Suécia, enquanto o Belchior da bola fez quatro na goleada de 6 a 3 sobre a Alemanha e a França tirou o terceiro lugar.
Alá extermina piratas infiéis
Curiosamente, a Copa parece querer corrigir o erro histórico da dominação das terras dos outros, mania muito feia das potências europeias. Caíram para Marrocos seus antigos algozes, Espanha e Portugal. Hoje é a vez da França. Os bérberes são antigões no Norte da África e se misturaram a outras etnias, tendo como campeões os árabes desde o século VIII.
Senhora do destino escala a surpresa
Tanto é muito possível ter sido a segunda das três irmãs moyras, senhoras do destino, uma dá a linha do nascimento, outra tece e uma terceira corta (é a morte), a ponto de Justo sequer fazer parte dos planos para a Copa, mas um dos titulares se machucou, e o jogador do Reims acabou convocado, tipo para fazer número, e depoius ganhou a posição.
Platini, Zidane ou Mbappé? Nenhum
Não teve Michel Platini certo, muito menos Zinedine Zidane e nem Kylian Mbappé destronará o Justo da condição de maior jogador da história do futebol francês, embora subtraído aos sultanatos e nações distribuídas nas terras onde hoje se localiza o Marrocos, independente em 1956 depois de séculos de dominação e sucção por parte dos cristãos ‘bonzinhos’, os famigerados infiéis ocidentais. Justo repetiu pela metáfora da bola o processo imoral imposto pelos franceses à região do Magrebe, onde ficam também Argélia e Tunísia; Os ‘democratas’ de araque degolavam líderes pela independência e explodiam bairros rebeldes: canalhas assassinos.
O único álbum de Justo Belchior
O único, mas suficiente álbum de sucesso de Justo Belchior começou com três gols no Paraguai (vitória por 7 a 3), dois na derrota para a Iugoslávia (2 a 3) mais um gol no triunfo sobre a Escócia por 2 a 1. Ele ainda matou a Irlanda do Norte com dois gols na goleada por 4 a 0. Kopa, seu amigão, deu passe e disse “faça!”, deixou o zagueiro Bellini com medo de avião e venceu o goleiro Gilmar com um lance adolescente, James Dean, de tão leve e rápido. A França até abriu 1 a 0 naquela semifinal, mas no fim o placar apontou um implacável Brasil 5x2 França. Na decisão do terceiro lugar, guardou quatro contra a Alemanha, nosso guloso artilheiro de uma Copa só. Saiu 6 a 3 para os Azuis.
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