ESPORTES
Ex-campeão, Cigano promete recuperar cinturão do UFC

Aos 29 anos, o catarinense de coração baiano Junior Cigano garante: vai recuperar o cinturão dos pesos pesados do UFC, perdido para o americano Cain Velasquez. A mudança para o Rio de Janeiro, há seis meses, foi só provisória. O objetivo é agregar valor a sua qualificação. Cigano continua com casa e equipe de treino em Salvador, onde vem passando os últimos dias. Ontem, a convite de seu patrocinador, uma marca de bebida energética, esteve em um evento no Centro de Convenções. No local, descontraído, afirmou que vai lutar outras vezes com Velasquez, naquela que deve se tornar a maior rivalidade da história das lutas. Hoje, o placar está em 2x1 para o gringo.
Por que a decisão de se mudar para o Rio de Janeiro?
Minha casa é na Bahia e vai continuar sendo aqui a vida inteira. Eu fui para o Rio de Janeiro para me aprimorar como lutador. Fui procurar novos tipos de técnicas e estratégias. Hoje, treino com o Dedé Pederneiras, que já foi eleito o melhor treinador do mundo. Ele treina também o José Aldo (campeão do UFC), Renan Barão (ex-campeão)... Mas, minha equipe da Bahia, com Dórea, Yuri Carlton... Todos eles continuam comigo. Quando eu estiver mais perto de uma luta, com meu treinamento bem focado para ela, essa equipe vai se juntar comigo. Por enquanto, eu vou agregando valor ao meu trabalho. Hora estou no Rio, hora em São Paulo, no Corinthians (clube que o patrocina), hora na Bahia. O intuito é cada vez mais buscar novos conhecimentos para alcançar o meu melhor.
A próxima luta está marcada?
Ainda não. Era para ter ocorrido em maio, mas eu fraturei o primeiro metacarpo da mão direita e tive que adiá-la. Só estou voltando aos treinos agora. Estou em uma fase de readaptação. Acredito que minha próxima luta vai acontecer lá para novembro. Mas, isso é só uma opinião pessoal. Tudo depende dos médicos. Vou aceitar o que eles terão a dizer. Quanto ao adversário, eu acredito que será o mesmo que estava programado para maio: Stipe Miocic, que é um lutador de ponta.
Alistair Overeem vem te provocando via imprensa e pedindo para lutar com você. Ele pode ser um futuro adversário?
Overeem é um marketeiro. Sempre que ele está apagado, procura dar fortes declarações para voltar a aparecer. Mas, é um grande lutador. O respeito muito. Mesmo assim, não é vontade minha ter que lutar contra ele. Meu objetivo é só recuperar o cinturão. E isso não terá de passar por ele.
Você acha que o Overeem é um lutador superado?
Não é isso. Overeem é um excelente lutador. Só que hoje ele não está apto a disputar o cinturão do UFC. Como eu também não estou. Quem vai disputar o cinturão com Cain Velasquez é o (Fabrício) Werdum, brasileiro.
Mas você não considera possível que uma luta entre Cigano e Overeem seja necessária para verificar quem será o próximo desafiante ao cinturão?
Aí, nessas condições, sim! Vou lutar contra quem o UFC disser. Não vejo problema. O que eu vão vi foi sentido para o Overeem falar de uma luta comigo agora. Ele tem outro adversário pela frente. Acho que ele está comigo entalado na garganta. A luta entre nós já era para ter acontecido duas vezes. Na primeira, ele foi pego no exame antidopping. Na segunda, se machucou antes da luta. Então, acho que ele quer da uma resposta ao fãs.
E você, não está entalado com Velasquez, não?
(risos) Não! Velasquez é um lutador que admiro muito. Gostaria de fazer o que ele fez. Quero algo parecido. Ele perdeu o cinturão para mim e soube dar a volta por cima. Admiro as características dele de estratégias e condicionamento físico. Ele soube me superar na estratégia. Mas, estou me preparando para enfrentá-lo novamente. Realmente, acho que tenho plenas condições de ganhar. E sei que essa nova luta entre eu e ele vai acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde.
Acredita que essa rivalidade com o Velasquez vai se tornar a maior da história do UFC?
Uma vez, entre a segunda e a terceira luta, demos uma entrevistas juntos e nos perguntaram se a terceira seria a última luta. Ele disse que achava que 'sim'. E eu falei que 'não'. Acredito que esta será a maior rivalidade de todos os tempos do UFC. Eu me sinto apto a enfrentar o melhor. E hoje reconheço que ele é o melhor. Mas, acredito que vou recuperar o cinturão dele. E depois, vamos nos enfrentar de novo e de novo... Será a negra, o tira-teima (risos)...
O que o novo Cigano vai apresentar de evolução na próxima luta pelo cinturão?
O que tem ficado muito claro é que eu tenho que me tornar um lutador mais completo. Eu não posso entrar numa luta pensando apenas em nocautear o adversário. Não posso confiar no meu boxe, que funciona muito bem. É preciso outras coisas. As derrotas para Valesquez me fizeram bem nesse sentido. Eu preciso desenvolver mais o meu wrestling, a luta no chão. Preciso ter mais estratégia. Não posso ter mais aquela coisa de brasileiro que vai na garra, vai no coração! MMA não é só isso. Os americanos aprenderam essa garra dos brasileiros, mas trabalham também com estudos, com números. Eles se tornaram mais completos.
Acha que essa capacidade de estratégia fez, por exemplo, com que Chris Weidman ganhasse de Anderson Silva?
Não tinha sentido falar de mim. Com certeza absoluta! A capacidade de estratégia dele foi claramente perceptível. Os americanos encorporaram a garra e o coração dos brasileiros com essa capacidade estratégica. Se você olhar naquela primeira luta, quando Anderson Silva fez aquelas firulas e brincadeiras, Chris Weidman deu uma passo à frente, buscando a luta. Antes, os outros lutadores iam para trás. Os movimentos do Anderson intimidavam eles. Mas, o Weidman, não! Tenho certeza que cada movimento do Anderson foi muito bem estudado. Por isso, Weidman venceu a luta.
Assista a vídeo do tercerio combate entre Cigano e Velasquez
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