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Itabuna vence e sonha

Daniel Dórea, do A TARDE
Por Daniel Dórea, do A TARDE

Uma partida de futebol pode ser vista por vários ângulos, e as justificativas para explicar um mau resultado são ainda mais variáveis. Porém, o próprio treinador tricolor, Paulo Comelli, resolveu assumir a culpa integral pela derrota de 3 a 0 do Bahia, em Itabuna, nesta quinta-feira.

Alheio a análises, diante de sua torcida, o azulino goleou o time de melhor campanha do Campeonato Estadual, que não levava mais de um gol em uma só partida até a derrota sofrida no Ba-Vi do último domingo.

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O resultado deixou o Dragão do Sul com seis pontos e mantendo as chances – mesmo que ínfimas – de faturar o primeiro título da sua história. Para o “milagre” acontecer, precisa derrotar o Vitória, no Barradão, domingo, e torcer para um empate entre Bahia e Vitória da Conquista em Camaçari.

Já o Esquadrão de Aço precisa derrotar o Bode e esperar que o Leão não vença o Itabuna.

A partida deste feriado teve todos os ingredientes de um jogo atípico. A defesa do Bahia só havia recebido elogios até os últimos dois duelos, e em ambos o tricolor sofreu três gols. Mas os fatos incomuns não se limitaram a isso. Logo no início, as escalações surpreenderam.

O técnico Paulo Comelli escalou o estreante Ceará ao lado de Everton, que começou como titular pela primeira vez. Além disso, desarmou o esquema tático em 3-5-2 e inventou um 4-5-1.

Por sua vez, Ferreira povoou o seu meio de campo e anulou a idéia do técnico adversário. Jogou sem laterais e com apenas dois zagueiros, diferentemente do que vinha fazendo desde o início da competição.

BARATINADO – Comelli reconheceu seu erro e teve mais uma atitude esquisita. Na metade da primeira etapa, tirou Ceará e colocou o zagueiro Cléber Carioca. Para ficar ainda mais estranho, ele precisou fazer outra alteração no tempo inicial. O lateral-direito Fábio se machucou e deu lugar a seu reserva imediato, Luciano Baiano.

No intervalo, o atacante Cristiano entrou no posto do volante Emerson Cris, e o treinador já não tinha mais substituições a fazer para modificar seu time.

Logo após o apito final do primeiro tempo, quando o Bahia já perdia por 1 a 0, o meia Elias fez uma profecia triste para os apaixonados pelo Esquadrão de Aço. Pior ainda que a previsão do artilheiro do time se cumpriu: “Temos que melhorar, senão vamos tomar três, quatro”, temeu ele, antes de descer para o vestiário. Sábias palavras de quem sentia o desenrolar do jogo no gramado.

FOI POUCO – Os poucos torcedores do Bahia que foram à partida não entendiam nada. A equipe nunca havia tomado tanta pressão dentro do campeonato. Uma goleada maior para o Itabuna não teria sido exagero.

Pelo lado do azulino, enquanto Juca perdia chances que não costuma desperdiçar, os zagueiros furavam a meta de Darci.

A dupla de zaga Edson e Rondinelli marcou os dois primeiros tentos, e o placar foi fechado pelo meia Jânio, que deu as assistências para os outros gols.

Engraçado é que, se um torcedor do Bahia chegasse atrasado ao estádio, poderia pensar que seu time estava dando show. Isso porque os torcedores itabunenses escolheram as músicas de forró e funk que a turma tricolor acostumou-se a cantar nos sucessos recentes. Desta vez, o “chupa que é de uva” e o “créu” foram repetidos várias vezes pela galera do interior.

Vencedor do Baiano retrasado, pelo arqui-rival Colo-Colo, da vizinha Ilhéus, o treinador José Aparecido Ferreira tenta seu bicampeonato, agora pelo Dragão do Sul. Entretanto, de novo, pode consegui-lo no Barradão, onde faturou os dois turnos de 2006 pelo Tigre, sobre o Vitória.

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