ESPORTES
Jailson sonha com vaga de titular no Corinthians
Dona Severina estava toda feliz hoje com os jornais de Caruaru, que estampavam o caçula de seus oito filhos na capa. "Moço, trate bem meu filho porque ele vai dar o que falar. Já sofreu muito e agora está dando a volta por cima. Esse menino vai longe", disse a mãe de Jailson, autor de dois gols no Corinthians na vitória por 4 a 2 sobre o São Bento, em Sorocaba.
Gols que repercutiram não só no Nordeste, mas também no elenco do Corinthians. "Ele já mostrou talento nos treinos. É um artilheiro", disse o meia Roger. Recém-chegado do Paulista, onde disputou a Série B do ano passado e brilhou na goleada por 9 a 0 sobre o Paysandu, quando marcou seis gols, Jailson sabe que tem de mostrar personalidade e gols, até porque a família depende do seu sucesso.
"Jogo por mim e pela minha família. Vou dar certo no Corinthians porque só eu sei o que passei para chegar aqui. E não vou desperdiçar a maior chance da minha vida. Mesmo tendo Nilmar, Amoroso, Christian e o Arce, vou arrumar um lugarzinho de titular para mim", avisa o jogador.
Jailson ficou feliz por ter deixado para trás a má estréia, contra a Ponte Preta, quando perdeu um gol certo e fez a torcida lembrar de Rafael Moura, que de tanto ser vaiado pelas chances desperdiçadas acabou indo para o Fluminense. "Sou um jogador muito emotivo. A ansiedade daquela partida me atrapalhou, mas contra o São Bento me concentrei e lembrei muito do que o Leão me falou antes do jogo", diz. E contou as palavras o técnico: "Ele me disse que eu fazia parte de um grupo e que todos acreditavam em mim. Pediu para mostrar o que fiz no Paulista e que o fez pedir a minha contratação. Deu certo. Nessa partida sim, eu fui eu mesmo", garante.
"Minha família era pobre demais", conta Jailson, que teve de usar chuteiras emprestadas na escolinha de futebol que freqüentava na adolescência. "Era número 38 e eu calçava 39. Era um sofrimento. Minha unha do dedão sempre caía", diz o jogador, que demorou para criar coragem e pedir à mãe um calçado mais apropriado. "Ela fazia picolés para vender na praia e assumiu todo o sacrifício do mundo: comprou um par de chuteiras. Eu prometi naquele momento que iria retribuir tanto sacrifício", conta, emocionado, o atleta.
"Eu comprei em cinco vezes a chuteira. Na quinta prestação a família inteira ficou sem feira, sem mistura por um semana para poder pagar a chuteira de Jailson", completa dona Severina.
O tempo de dureza, festeja Jailson, ficou no passado. Hoje, ao lado de jogadores consagrados como Roger, Magrão e Nilmar - "Não esperava tanto carinho de estrelas assim", diz -, o pai do recém-nascido Ítalo sonha em vestir a camisa da seleção brasileira e jogar na Europa. Tudo por sua família. "A felicidade de quem eu amo depende dos meus gols. Por isso eu tenho de dar certo", resume.
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