Busca interna do iBahia
HOME > ESPORTES

ESPORTES

Memória: Boato gerou a primeira tragédia, em 4 de março de 1971, na festa da reinauguração, quando duas pessoas morreram e mais de duas mil ficaram feridas

Do A TARDE
Por Do A TARDE

Dia 4 de março de 1971. O esporte baiano estava em festa.

A Fonte Nova (inaugurada em 28 de janeiro de 1951) seria reinaugurada. Ganhou mais uma rodada de arquibancadas, a parte superior. Ninguém imaginava que tudo acabaria em tragédia. O presidente Emílio Garrastazu Médici estava presente. O Bahia jogaria a primeira partida contra o Flamengo e o Vitória faria a segunda contra o Grêmio de Porto Alegre.

Tudo sobre Esportes em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Dizem que mais de 112 mil pessoas estavam lá. Até nas marquises tinha gente. Mas o público (pagante) divulgado foi de 94.972 pessoas (a capacidade oficial é de 96.640, o que faz da Fonte Nova o segundo maior estádio do Brasil, só superado pelo Maracanã). O jogo inicial foi tudo bem. O tricolor ganhou por 1 a 0, a torcida se agitou e as arquibancadas balançaram, mas ninguém ligou.

Por volta das 19 horas, no meio do segundo tempo, o Vitória empatava com o Grêmio em zero a zero, quando tudo começou.

Um boato de que o estádio estava desabando gerou pânico, as pessoas começaram a pular da parte superior para baixo “como se fosse uma cachoeira humana”, conforme registros da imprensa na época. Em segundos, jogadores do Vitória e do Grêmio “desapareceram” no gramado, misturados à multidão que invadiu o campo. Resultado: dois mortos e 2.086 feridos.

Coincidentemente, foi do mesmo lado do acidente de ontem. Até hoje não se sabe ao certo o que motivou o boato de que o estádio estava caindo. Se disse que uma das lâmpadas luminárias explodiu, mas a versão mais aceita é a de que dois torcedores estavam brigando e no meio da discussão um atirou uma garrafa contra o outro que se espatifou no chão.

O fato teria gerado o início do corre-corre que virou tumulto.

Tragédias em estádios na Bahia, por conta de desabamento de arquibancadas ou alambrados, só a de ontem. Já houve outros tumultos, como no dia 28 de outubro do ano passado, no jogo do Bahia contra o Ipatinga, pela terceira divisão. O Bahia perdia por 2 a 0 quando a torcida, aos 23 minutos do segundo tempo, se revoltou e invadiu o campo. A polícia reagiu com bombas de gás e pelo menos 25 pessoas foram hospitalizadas. ❚ OUTRAS TRAGÉDIAS – Mas, em outros estádios brasileiros há vários registros. Eis alguns: VILA BELMIRO – Em 20 de setembro de 1964, jogo Santos e Corinthians. Parte da arquibancada desabou e 181 torcedores ficaram feridos.

MORUMBI – Em 2 de março de 1969, no meio de uma partida em que o Corinthians ganhava do São Paulo por 4 a 2 um raio caiu próximo ao estádio. No meio do empurra-empurra, um muro desabou. Um torcedor morreu e 40 ficaram feridos.

MARACANÃ – Em 19 de julho de 1992, decisão do Campeonato Brasileiro, entre Flamengo e Botafogo, estádio lotado; 20 minutos antes do jogo começar, o alambrado da arquibancada superior cedeu e mais de 40 torcedores do Flamengo caíram em queda livre de mais de quatro metros sobre os que estavam na parte baixa. Três morreram e 90 ficaram feridos.

TAUBATÉ – Em 21 de setembro de 1995, o lateral Vítor, do Corinthians, foi jogar a camisa para a torcida depois de uma partida contra o Vitória, em Tabauté. Cerca de 300 pessoas se aglomeraram no muro da arquibancada. A estrutura desabou e 20 torcedores caíram no fosso. Cinco saíram gravemente feridos.

ALBERTO SILVA - Num jogo entre Tiradentes e Fluminense do Rio, em 1973, em Teresina, capital do Piauí, o alambrado desabou.

Quatro torcedores morreram.

SÃO JANUÁRIO – Em 30 de dezembro de 2001, num jogo entre Vasco e São Caetano, o alambrado do estádio (Rio de Janeiro), que pertence ao Vasco, desabou: 140 pessoas ficaram feridas. As investigações da polícia culparam “os torcedores brigões” pelo acidente.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas