OLIMPÍADA
Tóquio 2020: equipe olímpica de refugiados, uma 'fonte de inspiração'

Os Jogos Olímpicos de Tóquio receberão, pela segunda vez na história da competição, uma Equipe Olímpica de Refugiados, que será composta por 29 integrantes. Esta é a história desta equipe, diferente das outras, e dos seus atletas.
Criação
Em 2012, Guor Marial, um maratonista refugiado nos Estados Unidos, participou dos Jogos de Londres como atleta independente. Ele fugiu do Sudão, mas não tinha nacionalidade americana e o Sudão do Sul, recentemente independente, ainda não tinha um comitê olímpico.
Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, reunida em outubro de 2015, em meio à crise global de refugiados, o presidente do COI, Thomas Bach, anunciou a criação da Equipe Olímpica de Refugiados - a primeira do gênero - para os Jogos Olímpicos Rio-2016.
Os atletas dessa equipe recebem uma bolsa e, após Rio-2016, foram investidos cerca de dois milhões de dólares nesses atletas refugiados.
A atuação da equipe no Brasil motivou a criação da Fundação Olímpica para Refugiados, que visa dar a um milhão de jovens refugiados o acesso ao esporte até 2024.
Bandeira e hino
Os atletas desta equipe, ao contrário das demais, desfilam atrás da bandeira olímpica. Se algum de seus membros ganha uma medalha, é a famosa bandeira dos cinco aros que é hasteada ao som do hino olímpico.
O código da equipe olímpica - as três letras que normalmente aparecem para designar a nacionalidade - será 'EOR', para Equipe Olímpica de Refugiados.
Essa equipe será a segunda a desfilar na cerimônia de abertura, atrás da Grécia.
Precedente do Rio
Dez atletas, originários da Etiópia, Sudão do Sul - que representam metade da delegação -, Síria e República Democrática do Congo, competiram no Brasil junto com outros 11 mil atletas olímpicos.
Seis integrantes participaram em provas de atletismo, dois da natação e dois do judô.
A atleta Rose Lokonyen, cuja especialidade é os 800 metros e que foi forçada a fugir do Sudão do Sul a pé para se refugiar no Quênia aos 10 anos, foi quem carregou a bandeira na cerimônia de abertura.
Para a solenidade de encerramento, foi o judoca da República Democrática do Congo, Popole Misenga, que se refugiou no Brasil, que teve a honra de portar a bandeira.
Rumo a Tóquio
Cinquenta e seis atletas receberam bolsas e 29 foram escolhidos para participar dos Jogos de Tóquio, com base em seu desempenho esportivo e após a confirmação de seu status de refugiado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
A história pessoal, mas também o desejo de ter uma equipe representativa em questões de diversidade de disciplinas, gêneros e regiões de origem, também influenciaram a seleção.
Dos 29 eleitos, nove são da Síria, cinco do Irã, quatro do Sudão do Sul, três do Afeganistão, dois da Eritreia e um dos Camarões, Congo, República Democrática do Congo, Iraque, Sudão e Venezuela, respectivamente. Eles participam de 12 esportes.
Seis dos 29 já estiveram no Rio, como Rose Lokonyen, Popole Misenga e a nadadora síria Yusra Mardini. Alguns atletas já são medalhistas.
Kimia Alizadeh, que fugiu do Irã para se refugiar na Alemanha em 2020, ganhou a medalha de bronze no Rio no taekwondo.
Javad Mahjoub, que é judoca e fugiu do Irã para o Canadá, conquistou o ouro no Campeonato Asiático em 2013.
A equipe ficará hospedada na Vila Olímpica, assim como o restante das delegações e atletas.
Declarações
- Thomas Bach, presidente do COI:
"Quando vocês, membros da Equipe Olímpica de Refugiados, e os atletas dos Comitês Olímpicos Nacionais de todo o mundo, se reunirem em Tóquio no dia 23 de julho, uma poderosa mensagem de solidariedade, resiliência e esperança será enviada a todo o planeta.
- Filippo Grandi, alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados:
"Estou muito feliz em parabenizar todos os atletas que fazem parte da Equipe Olímpica de Refugiados para Tóquio-2020. Formam um grupo de pessoas excepcionais que serão uma fonte de inspiração para todo o mundo."
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