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Público Zero prepara ‘enterro’ da direção do Bahia

Vitor Pamplona
Por Vitor Pamplona

Embora não tenham conseguido atingir integralmente o objetivo de esvaziar a Fonte Nova no primeiro jogo do Bahia em casa pelo Baianão-07, os organizadores da campanha ‘Público Zero’ se deram por satisfeitos com os pouco mais de três mil torcedores que assistiram à vitória do Tricolor sobre o Camaçari por 2 x 0. A razão para tamanho contentamento é explicada pelos três algarismos que relatam o número de pagantes: 197.



O saldo das bilheterias só não foi pior para o Bahia por causa da troca de ingressos da campanha ‘Sua Nota é um Show’, responsável pela entrada do restante do público. Ainda assim, por volta de 70% dos dez mil vales retirados nos guichês - e que eram vendidos por R$ 1 na porta do estádio - ficaram nas mãos de cambistas.



“Consideramos o ‘Público Zero’ um sucesso. Se não fosse a ‘Sua Nota’, seria um sucesso estrondoso”, sentencia Ivan Carvalho, presidente da Associação Bahia Livre, uma das sete agremiações de torcedores, entre grupos de oposição e torcidas organizadas, que integram o movimento ‘Devolva Meu Bahia’.



Satisfeita com o resultado da campanha, a frente oposicionista promete manter o boicote e prepara para a próxima partida do Bahia na Fonte Nova, domingo, às 17h, diante do Fluminense, o enterro simbólico da cúpula da cartolagem tricolor. “Serão quatro caixões, cada um correspondente a um membro da diretoria”, explica Ivan Carvalho.



A estratégia para persuadir o torcedor tricolor a ficar do lado de fora sofre pequenas alterações. “Não vai ter trio, achamos que com vários carros de som espalhados por volta do estádios nosso poder de fogo será maior”, diz Carvalho. A distribuição de panfletos em pontos de grande concentração popular, como a estação da Lapa, também foi suspensa “pelo curto espaço de tempo para a viabilizar a confecção”, explica.



Do outro lado do campo de batalha, o presidente Petrônio Barradas preferiu não comentar a principal conseqüência do público do jogo para o Bahia: descontada a despesa de R$ 5 mil reais com a confecção dos ingressos, restou aos cofres do clube apenas R$ 15 mil de renda na partida. “Ainda não recebi o relatório financeiro do jogo”, saiu-se Petrônio.



O presidente só não evitou emitir sua opinião sobre o ‘Público Zero’: “Isso não é prova de amor ao clube. O Bahia foi vencedor quando esteve unido e não dividido. Querem atingir a diretoria e estão prejudicando a agremiação”.



O julgamento de Petrônio está em sintonia com o que afirmou o técnico Arturzinho após a partida ante o Camaçari. Exaltado, Artur revelou que o elenco sentiu a pressão das arquibancadas vazias e pediu para não ser condenado pelo acúmulo de maus resultados do Bahia. “O grupo não tem culpa pelo que aconteceu antes. Eram outros atletas e eu também não estava no clube. Vamos acabar pagando o pato”, reclamou. A julgar pelos planos da oposição e das torcidas organizadas, pouca gente levou a sério o pedido do treinador.









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