ESPORTES
Quatro treinadores, quatro esquemas táticos e o Bahia continua na rabeira
Pode até parecer estranho estimular debate sobre questões táticas em um momento tão desesperador como o que vive o Bahia. Seria mais fácil dizer que todos os utilizados fracassaram ou que, com tantas tentativas de variações no esquema, são os jogadores que não prestam.
O mais provável, no entanto, é que os atletas já estejam com a cabeça confusa com tantas trocas de treinadores e de formações táticas. Primeiro técnico do ano, Alexandre Gallo usou na maior parte do tempo um 4-4-2, com três volantes e apenas um meia. O mesmo esquema utilizava Sérgio Guedes, penúltimo comandante, mas de uma maneira bem mais ofensiva, com dois armadores.
Esta é a forma de atuar mais comum de todos os tempos e, depois de perder espaço para o 3-5-2 no início do século, voltou à moda. Tanto que quase todas as equipes da Europa e o Palmeiras, atual líder do Campeonato Brasileiro, jogam assim.
Em contrapartida, o esquema com três zagueiros ainda é tradição no São Paulo, tricampeão nacional. É nisso que alguns treinadores buscam suporte para manter o 3-5-2 em seus times.
No Bahia, Paulo Comelli escalava três beques de origem e apenas um volante para conter a chegada dos meias adversários. Foi bastante criticado e, mesmo com um aproveitamento não tão desastroso (44%), acabou demitido. Atual treinador, Paulo Bonamigo é outro adepto.
As diferenças em relação à montagem de Comelli: ele prefere colocar apenas um zagueiro de força no meio e dois com bastante mobilidade de cada lado para fazer a cobertura dos alas. Além disso, Bonamigo costuma escalar também dois volantes, mas somente um com a característica de combater. O outro fica liberado para criar.
No jogo contra o Figueirense, os volantes Leandro e Bruno Silva, que atuava como zagueiro, foram expulsos e prejudicaram tanto na marcação no meio quanto na defesa.
Diante do América, na última sexta-feira, foi o próprio Bonamigo que se atrapalhou sozinho.
O beque Vinicius se contundiu e ele o substituiu pelo meia Hélton Luiz, que ficou encarregado de fazer a proteção da zaga junto com o sonolento Elton. Como era de se esperar, não deu certo e o time potiguar entrou como quis pelo meio.
Até o volante Leandro, que, suspenso outra vez, assistiu a tudo da arquibancada, reconheceu que a história poderia ter sido outra se um jogador, como ele, fizesse o papel de cão-de-guarda. “Tem bola que a gente tem que matar e não mata. Às vezes é preciso fazer uma faltinha para parar a jogada. Mas a questão é que os volantes estão sempre sobrecarregados”, avaliou.
A explicação que Bonamigo dá para a escolha do esquema com três zagueiros é poder explorar melhor as jogadas pelas laterais. “Precisamos automatizar as jogadas pelos lados”, cobra. O problema é que, mesmo com muita liberdade, os alas Marcos e Rubens Cardoso não estão produzindo.
O primeiro insiste em cruzar a bola sem chegar à linha de fundo. Quando tenta variar, afunila as jogadas. O segundo anda mal fisicamente e parece sem forças para avançar e apoiar o ataque. Assim, o Bahia perde no meio, que fica com apenas três atletas, e não ganha nas laterais.
Para o treinador, o problema não está especificamente no esquema tático. “O problema é que o time está sob pressão. Todos estão com uma vontade muito grande de acertar e acabam cometendo erros anormais”, analisou.
Inovação - Nesta quarta-feira, 14, o treinador promoveu mais uma atividade tática no Fazendão. Não abandonou o sistema de três zagueiros, mas inovou. Em vez de dez, escalou 11 jogadores na linha.
O volante Elton e o lateral-esquerdo Rubens Cardoso, poupados da atividade de terça por conta de dores musculares, trabalharam normalmente e ocuparam seus lugares na equipe titular. A novidade ficou por conta de Ananias, que foi o “homem a mais”. Ele atuou como armador ao lado de Juninho, com quem deve brigar pela posição.
Pela manhã, os atacantes Nadson e Jael cumpriram a promessa que fizeram antes do duelo com o América. Por gol marcado seriam pagas 20 cestas básicas a uma entidade beneficente. Eles anotaram dois, um de cada, e 40 cestas foram entregues à Aldeia S.O.S, em Lauro de Freitas.
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