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"Quem tem pegada derruba em qualquer lugar"

Nelson Luís
Por Nelson Luís

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Após anunciar, ano passado, que estava abandonando a carreira, o pugilista baiano Acelino Popó Freitas recuou e agora parte em busca de mais um título mundial e da unificação do cinturão mais prestigiado do mundo do boxe, o do Conselho Mundial de Boxe (CMB).



O primeiro adversário na luta pela conquista será o mexicano Juan Díaz. O combate acontece no dia 28 de abril, na cidade de Mashantucket, no estado norte-americano de Connecticut.



Há três dias de embarcar para os Estados Unidos, onde vai intensificar os treinos iniciados em janeiro, Popó concedeu entrevista ao A Tarde On Line, na Instituição Acelino Popó Freitas, em Arraial do Retiro, no Cabula, para falar da carreira, do retorno ao ringue e dos projetos futuros.



A Tarde On Line - Qual a sua expectativa para a luta com Juan Diaz?



Popó - A animação é o principal fator. Estou muito animado. Como se diz na gíria dos lutadores, estou com espírito de lutador e vencedor. A garra nunca vai faltar, nunca vai faltar força para conquistar essa unificação. Eu já consegui a unificação quando era Super pena. Em 99 fui campeão da Organização Mundial de Boxe (OMB), em 2002 unifiquei com a Associação Mundial de Boxe (AMB), contra o cubano Joel Casamayor. Depois, subi de categoria, para o peso Leve. Tornei-me campeão Mundial e agora vou unificar de novo com a AMB nos pesos leves.



A Tarde On Line - Como está sendo a sua preparação?



Popó - Todos os dias eu faço de 40 a 50 minutos de corrida pela manhã, com piques de 100 a 200 metros. Uso também uma cinta com uma borracha de soro e vou puxando meu treinador, correndo de costas e de frente. Estou treinando intensivamente, principalmente a parte técnica. Meu treinamento é de segunda a sábado, aqui mesmo no Brasil. Nesta segunda (12/03) estarei viajando para os Estados Unidos. Depois vou para Porto Rico e fico lá quase 50 dias treinando em San Juan para a luta.



A Tarde On Line - Você ainda encontra dificuldades para manter o peso?



Popó - Sempre tive problemas com o peso. A maioria das pessoas pensa que a dificuldade é só minha, mas todos os lutadores também passam por isso. É muito difícil ver um atleta na categoria de 61k, que é a minha, manter esse peso o tempo todo. Geralmente o lutador fica com 7, 8 quilos acima. É o meu caso. Estou com dez quilos acima do peso. Minha vida toda foi assim, desde que comecei. Em 1990, aos 14 anos, eu lutava na categoria de 48 quilos, pesava 52, e precisava reduzir para 42 kg. O atleta perde muita caloria treinando e quando você chega em casa, não pode comer tudo aquilo que quer. Precisamos ter uma alimentação balanceada e uma disciplina muito grande.



A Tarde On Line - A sua pegada ainda é forte?



Popó - Continua, sim. Foram 39 lutas, 32 nocautes e apenas uma derrota, que foi para o Corales. Venci a maioria das lutas por nocautes no primeiro round. Com o tempo, procurei ser mais cauteloso. Procurei pensar que o nocaute é apenas uma conseqüência da luta e que pode acontecer a qualquer hora. Quem tem mão, quem tem pegada derruba em qualquer lugar, em qualquer round. Eu lutei contra o argentino Jorge Barrios e ganhei por nocaute no último round, no 12º. Tive lutas que ganhei por nocaute aos 23 segundos do primeiro round. Então eu passei a não me preocupar com nocaute, a deixar o nocaute acontecer.



A Tarde On Line - Por que você decidiu retornar aos ringues?



Popó - Eu tive a primeira oportunidade de voltar ao ringue para lutar com Joel Casamayor, só que ele ficou enrolando e acabou perdendo o cinturão. Agora, para chegar a esse título tão sonhado do Conselho Mundial de Boxe (CMB), tenho que pular etapas. Como a sede do CMB é no México, e o campeão do Conselho é mexicano [David Diaz], eles preferiram a disputa desse título com Erik Morales, que também é mexicano, e não comigo. Eu vou ter que lutar com Juan Diaz para poder enfrentar o campeão. Se Deus quiser, vai dar tudo certo, e eu vou lutar pelo CMB no final do ano.



A Tarde On Line - Muitas pessoas, inclusive personalidades do esporte, acharam que a sua volta aos ringues foi um golpe de marketing. O que você tem a dizer?



Popó - Eu nunca procurei me promover. Quando passei a lutar, eu tinha um objetivo, que era mudar a minha vida e a da minha família. Eu não pensei em ser famoso, não procurei a fama. As coisas aconteceram naturalmente. Quando eu decidi parar, eu estava há alguns meses com o título de campeão mundial. A gente nunca precisou da mídia para divulgar que eu ia parar. Foi uma coisa momentânea, mesmo eu tendo perspectiva de que com 30 anos eu iria parar. Mas eu não estou muito velho. Ainda tem muita coisa por aí, muita alegria. Ainda tem muita gente que depende de mim e o boxe ainda depende da minha força para levantar o nome no Brasil. Mas tenha certeza de que não foi jogada, até porque eu não sou marqueteiro e nem minha assessoria vive disso. Vive do que ela publica e do que os parceiros oferecem. Tanto que eu não comuniquei à minha assessoria, nem quando eu resolvi parar, nem quando eu resolvi voltar.



A Tarde On Line - Quando você pretende realmente parar?



Popó - Acho que depois do título do Conselho Mundial, este ano.



A Tarde On Line - Você ainda pretende desafiar o americano Diego Corales?



Popó - Eu acho que não, porque o Diego Corales subiu de peso. E eu não penso em subir de peso para enfrentá-lo, até por que ele não é mais campeão mundial. Se ele fosse campeão mundial, eu até poderia subir de categoria para ir atrás dele, mas não tem por quê.



A Tarde On Line - E a carreira como empresário, como tem administrado?



Popó - Tem toda uma produção atrás disso, então eu não me preocupo muito. Eu que procuro os lutadores, e coloco as melhores lutas no evento. Mas não atrapalha porque tudo é por telefone. Hoje em dia celular é escritório. Foi a melhor coisa que inventaram.



A Tarde On Line - Qual a importância do Boxe Brasil para a Bahia?



Popó - Em dez eventos realizados no Boxe Brasil, tivemos três campeões latinos e quatro campeões brasileiros. Conseguimos colocar três lutadores, em 10º, 12º e 15º, no ranking mundial. Acho que está indo bem, graças a Deus. Na verdade, a gente está ajudando mais do que sendo ajudado. Mas está bom e estamos plantando agora para colher lá na frente.



A Tarde On Line - Você acredita no Boxe Brasileiro para os Jogos Pan-americanos do Rio?



Popó - Eu acredito sim. Eu participei de um Pan-americano. Não tinha a estrutura que o boxe tem atualmente. Eu dormia debaixo de uma arquibancada, não tinha fisiologista, não tinha nutricionista, não tinha preparador físico, e fui lá e ganhei uma medalha de prata. E hoje o boxe brasileiro tem tudo isso.



A Tarde On Line - Os baianos têm chances de trazer medalhas?



Popó - Com certeza. O último Pan-americano a que fui, eu era o único baiano e trouxe a medalha de prata. Foi a única prata no boxe, nos jogos em 1995. No último Pan, o Brasil trouxe duas medalhas de prata e duas de bronze, então já evoluiu. E tenho certeza de que aqui no Brasil não vai ser diferente. Temos que ganhar uma medalha de ouro para quebrar esse jejum.



A Tarde On Line - O que você pensa horas antes de pisar no ringue?



Popó - Eu sou muito descontraído. Penso na luta, no treinamento, nas qualidades e defeitos do meu adversário... Acho que meu maior pensamento é esse, focado e concentrado na luta.



A Tarde On Line - Fale um pouco do seu lado filantrópico, como estão os projetos sociais?



Popó - O instituto Acelino Popó Freitas, no Arraial do Retiro, no Cabula, é um dos núcleos. Atendemos 160 crianças aqui. Tem turma de manhã, à tarde, apesar de que o instituto não tem parceiros, nem recebe recurso financeiro de ninguém além de mim. Eu que tirei do meu bolso e comprei este galpão. Os treinadores estão fazendo a parte voluntária, dando aula. Ninguém está recebendo nada. A gente ainda não tem um projeto sólido, mas começamos com esta parte social. Tem muitos garotos na rua que estão precisando de um apoio, de um carinho, de um treinamento. E foi para isso que abrimos o instituto, para tirar esse garoto da rua. Para ir ao colégio à tarde e não ficar de bobeira de manhã. Não temos recursos, tanto que para pagar a água e a luz eu tiro do meu bolso. Mas futuramente vamos correr atrás dos parceiros para manter esse núcleo do boxe aqui no Arraial.



A Tarde On Line - E os planos para o futuro? O que podemos esperar de Popó em 2007?



Popó - Mais eventos do Boxe Brasil. Tentar ajudar as pessoas, realizar sonhos como a gente vem fazendo. E da minha vida profissional como lutador, mais um título mundial para o Brasil, e para a Bahia em especial, pela quinta vez.

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