ESPORTES
Rogério Lourenço vê como possível dupla entre Jael e Souza no ataque do Bahia
A 25 dias da estreia do Esquadrão no Campeonato Baiano, o técnico Rogério Lourenço já está na pilha para começar a armar seu time na prática. Por enquanto, usa só as tradicionais pranchetas para imaginar as variações dos esquemas. Em entrevista por telefone, ele adianta algumas de suas ideias táticas para o leitor de A TARDE.
O comandante só lamenta que a ansiedade esteja atrapalhando um pouco suas férias e os deveres de pai. Rogério tem duas filhas e diz que só vai conseguir passar um bom tempo com elas nas festas de fim de ano, antes de partir para o grande desafio de sua carreira: comandar o Bahia no retorno do clube à elite do futebol brasileiro. A prioridade do primeiro semestre, no entanto, ele deixa clara: voltar a conquistar o Campeonato Baiano.
A TARDE - E aí, está dando para curtir um pouco as férias?
Rogério Lourenço - Que nada. É só trabalho. Estou tendo reunião direto, vendo jogos do Bahia na Série B... Você respira futebol o tempo todo, ainda mais nesta época, em que é preciso estar ligado no mercado para a formação do grupo.
Você acredita já estar montando uma base satisfatória para a disputa do Brasileiro?
Vamos analisar o desempenho dos atletas durante o Estadual para saber com quais vamos contar para o Brasileirão. Os próprios jogadores é que vão provar se podem continuar ou não.
Por que essa escolha por um elenco tão jovem?
É mais uma coincidência. Temos contratado jogadores jovens, mas experientes. O Boquita, por exemplo, já tem dois anos de profissional no Corinthians. O Bruno Paulo jogou em três grandes... enfim, juntamos com a experiência de Souza e Tiago, além daqueles que já tínhamos no grupo deste ano, e escolhemos pela qualidade.
Muitos atletas estão vindo do Rio. Também é coincidência?
Pode ser. Mas pode ser também pelo conhecimento que o Paulo Angioni tem do Vasco, de onde a gente tirou três jogadores.
O empresário Carlos Leite tem colocado vários atletas no Bahia. Ele atua como parceiro?
Não. O Bahia busca os melhores jogadores, independente de empresário. Respeitamos todos e precisamos tratar com eles, já que, atualmente, todo atleta tem. Mas não damos preferência.
Júnior é um bom nome?
Eu gosto. Já atuou na Seleção e em grandes equipes. Além disso, tem vitalidade. Às vezes, um cara de 30 e poucos anos tem condição melhor do que um jovem. Ter o Júnior com a gente seria ótimo.
E Zezinho?
É talentoso. Começou muito bem no Juventude, mas teve oscilações no Santos. Normal para a idade.
Com a provável chegada de Marcos, o Bahia só teria um lateral direito. Não é pouco?
Estamos contando com o retorno do Jancarlos, previsto para março. Até lá, podemos utilizar o Ananias e o Fábio Bahia, que atuam bem por ali. E vamos analisar também outros jogadores da base.
A previsão é de ter apenas quatro zagueiros e três atacantes. Tudo bem para você?
Na verdade, eu gostaria de trabalhar com cinco zagueiros e quatro atacantes. Fiz esse pedido. Em um primeiro momento, avaliaremos os jovens da base, mas não nos desligaremos do mercado.
Pensa em Boquita como volante ou meia?
Ele faz bem as duas funções, mas prefiro como terceiro homem do meio.
Ele será a peça chave da engrenagem do seu time?
Justamente. Por se encaixar em várias posições, facilita para o treinador. É um cara de 20 anos, que, por sua visão, parece ter muito mais.
Dá para escalar Souza e Jael?
Vamos trabalhar. Tenho que colocar os 11 melhores e pode ser com dois atacantes de velocidade ou dois de área. Temos que testar, mas não vejo problema em os dois atuarem juntos.
Você não acha que está faltando o camisa 10?
Ah... isso falta no Brasil e no mundo todo. Trabalhei no Flamengo e a gente procurou por muito tempo um substituto para o Petkovic. Não encontramos. E o curioso é que os três primeiros do Brasileirão tinham esse cara.
É mais fácil encontrar na Argentina...
É verdade. Existem jogadores talentosos e mais baratos do que no mercado brasileiro. E eles têm uma adaptação boa, gostam do Brasil. Estamos ligados, mas creio que nosso meio-campo está bom. Se não é tão cerebral, tem jogadores que trabalham muito e tocam rápido a bola.
O Vitória está devagar na contratações. Bom para o Bahia?
Acho que não. Temos que nos preocupar com nossa equipe. Apesar de eles terem perdido alguns jogadores e não estarem conseguindo contratar, isso não nos dá o direito de menosprezá-los.
Como está a ansiedade?
Quero que chegue logo o dia. Se pudesse, já estaria trabalhando, mas temos que respeitar as férias dos meninos. Espero que estejam aproveitando, pois, a partir do dia 3, vamos trabalhar muito.
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