ESPORTES
Rubro-negro revela dependência em relação a Ramon

Não confundir craque com crack. O segundo tem o efeito de uma droga letal para o usuário, enquanto o primeiro faz bem para o coração do torcedor. Porém, ambos podem trazer dependências, nas suas devidas proporções. No caso do Vitória, a ausência do craque chamado Ramon pode causar uma crise de abstinência preocupante.
Atualmente, o meia tem sido a peça chave do elenco do técnico Ricardo Silva e sua presença é providencial para a maioria das armações do clube no Baianão 2010. Na última rodada, onde o Leão venceu o Feirense por 3 a 0, o veterano marcou dois gols e deu o passe para o terceiro. Porém, se comparado todos os jogos do Vitória no ano, a exibição de domingo deixa de ser novidade.
Basta olhar os números. Pelo Estadual, o rubro-negro conseguiu produzir 45 jogadas ofensivas em 7 partidas, obtendo uma média de 6,4 lances perigosos, por duelo. O que tem Ramon Menezes com isso? Ele participou diretamente de 53% destas jogadas, ou 24, para ser mais exato. Não para aí. De todas as assistências de Ramon, 11 terminaram em gol, obtendo um aproveitamento de 46%. Em apenas 3 bolas na rede do Vitória não teve nenhuma participação do meia.
Sem o ataque funcionando como deveria, Ramon também está fazendo o papel de artilheiro. Já tem 6 bolas na rede, mais do que a soma dos tentos de todos os atacantes, que contabilizam 5 com as comemorações de Berola, Edson, Schwenck, Índio e Adaílton. Ramon já superou as marcas de 2008 e 2009 pelo Estadual, quando marcou 3 e 5 gols, respectivamente. Falta superar a performance de 1995, quando balançou a rede 25 vezes.
Com tantos números a favor de Ramon, fica fácil responder o motivo de ser tão perigoso a dependência do Vitória com seu armador: viver sem ele. A partida que o jogador menos apareceu foi contra o Itabuna, produzindo nada mais que três jogadas, o que resultou na derrota do Leão.
Mais um motivo para a procura de outro armador. Com Bida, muito mais marcador do que armador, o setor fica sobrecarregado para o atleta de 37 anos. O Vitória acaba atuando com 3 volantes, contando com Vanderson e Uelliton, deixando Ramon se virando na frente.
Não é a toa que o time tem a melhor defesa do Baiano, levando apenas 5 gols, mas sofre na produção ofensiva nos seus jogos.
Se houvesse outro meia de armação, como Leandro Domingues em 2008, o Vitória não sofreria tanto quando Ramon não está em noite inspirada ou sofrendo forte marcação, pois dividiria tarefas.
O nome para ser o parceiro de Ramon pode ser Madson, mas diretoria segue sem afirmar nada. “Acho que todos queriam o meia Madson no time. Interessa, mas não existe nada de concreto”, disse o diretor de futebol, Mauro Galvão.
Folga - Após triunfo diante do Feirense, o elenco ganhou folga nesta segunda-feira, 8, mas nesta terça, 9, pega no batente em dois turnos. Além dos 10 dias sem jogos, o que vai ser bom para aprimorar o condicionamento físico, será o bastante para que os machucados possam voltar.
O zagueiro Anderson Martins e o lateral-esquerdo Egídio poderão ganhar condição para o duelo do dia 18, contra o Fluminense. O lateral-direito Marcos Pimentel também pode fazer sua estreia, após 10 dias nas mãos dos preparadores físicos. Os cartões amarelos também não estão comprometendo. Ninguém está suspenso para a próxima rodada.