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Torcida do Bahia protesta em passeata

A Tarde On Line,Lucas Esteves
Por A Tarde On Line,Lucas Esteves

Uma Fonte Nova lotada. Aproximadamente 50 mil torcedores do Bahia, segundo cálculos do comando da Polícia Militar, extravasaram sua indignação com a atual situação do clube em passeata realizada na tarde desta sexta-feira (24), do Campo Grande até a Praça da Sé, na região central de Salvador.



Os Tricolores, revoltados com os rumos do time, compareceram em massa para gritar a frase que se tornou o nome do movimento que pretende mudar a história do clube: "eu quero o meu Bahia!".



Como na terra de Jorge Amado tudo lembra o Carnaval, um trio elétrico arrastou a multidão no circuito tradicional da folia, mas o que se viu foi diferente do que o Rei Momo proporciona todo começo de ano. Os torcedores, liderados pelo cantor Cid Guerreiro e pelos organizadores do movimento que pede a renúncia da diretoria do clube, gritaram sem parar das 16h às 19h, quando o trio chegou à Castro Alves e encerrou a manifestação com um minuto de silêncio.



Carregando bandeiras e faixas com frases que diziam "Chega de terceira, chega de burradas", os tricolores exigiram a renúncia imediata do presidente do clube, Petrônio Barradas. "Este é um protesto para calar a boca de quem disse no rádio que ninguém viria ao Campo Grande hoje", provocou Cid Guerreiro, em alusão a Barradas, que previu que o protesto seria fracassado.



A organização da passeata deu ao presidente tricolor um prazo até a terça-feira (28) para que ele entregue o cargo a uma comissão independente que pretende dirigir o Bahia até que eleições diretas definam o novo comando do clube. Caso a reivindicação não seja atendida, a comissão promete entrar na Justiça com um pedido de intervenção no clube.



Procurado pela reportagem do A Tarde On Line, Petrônio Barradas informou estar desembarcando com o time em Porto Alegre, que enfrenta o Brasil de Pelotas no domingo, e que não daria entrevistas. Em seguida, desligou o telefone celular.



Clima - Entre os tricolores roxos, torcedores ilustres como os deputados Nelson Pellegrino (PT) e Lídice da Matta (PSB) estiveram presentes à manifestação para declarar apoio ao movimento. Mas a passeata foi mesmo do povo, com pessoas de todas a classes unidas pelo amor comum pelo Esporte Clube Bahia.



Torcedores como o aposentado Waldemir Oliveira, de 81 anos, que já viu o time vencer gigantes do futebol brasileiro na Fonte Nova e estava confiante na renúncia de Petrônio Barradas. "Quero todo mundo fora", gritou, convicto.



O professor universitário Marcelo Fuezi, 28 anos, deixou a família e veio sozinho do Costa Azul vestido da cabeça aos pés com as cores do time do coração. "Agora o movimento vai resultar em alguma coisa, porque a revolta atingiu a massa consciente que torce para o Bahia. Essa renúncia tem que acontecer o mais breve possível", analisou.



Até mesmo os rubro-negros, classificados para a segundona e com festa marcada para comemorar o acesso, não deixaram de prestar solidareidade ao arquirrival. O assessor jurídico Ronaldo Almeida, que mora na av. Sete, fez questão de descer com o uniforme rubro-negro para dizer que o futebol baiano precisa do Bahia vivo e saudável. Para ele, se não houver a rivalidade entre Bahia e Vitória, não haveria mais futebol no Estado. Almeida disse que, mesmo trajando o uniforme do rival, não sofreu qualquer tipo de agressão física ou verbal por parte dos manifestantes.



Pedestres desavisados que passavam pelo local também foram levados pela multidão. A estudante pernambucana Simone Santos, 27 anos, que mora em Salvador há apenas seis meses, não fazia idéia de que haveria um protesto nas ruas do centro e tampouco conhecia o tamanho da torcida do Bahia. "Achei o protesto ótimo. Com essa energia, se eu fosse o presidente do time sairia correndo".



Os comerciários da Avenida Sete também aderiram ao movimento tricolor. A maioria das lojas foi fechada, mas os trabalhadores acompanharam a passeata sem arredar pé do local de trabalho. Em frente a um banco próximo do Orixás Center, quatro funcionárias que acompanhavam os tricolores enrolaram-se à bandeira do Estado que estava hasteada dentro da agência.

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