IMOBILIÁRIO
Aluguel de imóvel para o São João no interior da Bahia chega a custar R$ 20 mil
Procura por casas e apartamentos para curta temporada aquece o mercado imobiliário em municípios baianos


A menos de dois meses do São João, encontrar um imóvel para aluguel temporário em cidades tradicionais do interior baiano já se tornou um desafio para muitos visitantes. Impulsionada pela expectativa de recorde de público e pelo fortalecimento do turismo junino, a procura por casas e apartamentos para curta estadia aquece o mercado imobiliário em municípios como Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Serrinha e Cruz das Almas. Em alguns casos, os valores cobrados chegam a R$ 20 mil pelos dias de hospedagem. No ano passado, os valores máximos giravam em torno de R$ 15 mil.
Em Santo Antônio de Jesus, um dos destinos mais procurados do Recôncavo baiano, a expectativa é de uma das maiores festas já realizadas. Segundo o delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Fábio Braga, a cidade deve receber entre 500 mil e 600 mil pessoas durante o período junino.
“A expectativa está alta, temos uma estimativa de público recorde, com ocupação máxima tanto de hotéis e pousadas quanto de imóveis para aluguel de curta estadia”, afirma. “Muita gente que deixa para última hora tem dificuldade de encontrar casa para alugar para o São João.”
O aumento do fluxo turístico tem refletido diretamente nos preços. De acordo com Braga, imóveis menores são alugados, em média, por R$ 2,5 mil durante o período da festa. Casas maiores variam entre R$ 4,5 mil e R$ 5 mil. Já imóveis de alto padrão, em condomínios fechados, com piscina e estrutura de lazer, chegam a custar entre R$ 8 mil e R$ 10 mil.
O corretor destaca ainda uma mudança de comportamento entre os moradores da cidade. “Os imóveis dos próprios moradores viram a opção de rendimento com aluguéis de curta temporada”, explica. “Antes, Santo Antônio não tinha essa cultura de imóveis mobiliados. Hoje já oferecem televisão, cama, mesa de jantar e uma estrutura básica.”
Ao mesmo tempo em que o mercado cresce, os condomínios passaram a adotar regras mais rígidas para controlar a circulação de visitantes durante o período festivo. Entre as medidas estão limitações no número de hóspedes e exigências de identificação prévia dos ocupantes.
Em Serrinha, no território do sisal, a movimentação também é intensa. O delegado do Creci no município, Jean Charles Borges, afirma que a cidade praticamente dobra de população durante os festejos juninos e que a procura por hospedagem começa ainda no primeiro trimestre do ano. “Há muita demanda e pouca oferta de imóveis. A procura começa logo após o Carnaval”, relata. Segundo ele, 75% dos imóveis sob sua administração já foram alugados.
Os preços acompanham o
aquecimento do mercado. Casas mais simples custam, em média, R$ 4 mil, enquanto imóveis de padrão elevado podem atingir R$ 15 mil. O público predominante é formado por jovens vindos de diferentes regiões da Bahia e também do estado de Sergipe.
Em Amargosa, um dos destinos juninos mais tradicionais do estado, a expectativa da prefeitura é receber mais de 90 mil pessoas por dia no circuito da festa. O corretor de imóveis Igor Nunes afirma que o perfil mais comum de visitantes é o de famílias e grupos maiores.
“A procura é sempre grande. O perfil mais comum de clientes é de famílias que procuram casas para até 12 pessoas”, diz. Os imóveis mais procurados variam entre R$ 3 mil e R$ 8 mil. Já casas amplas e localizadas dentro do circuito principal podem alcançar R$ 20 mil durante os festejos.
Segundo ele, a procura de última hora ainda é frequente, embora nem sempre seja vantajosa para os visitantes. “Sempre que possível, é importante visitar o local antes, para conhecer de perto as condições do imóvel”, orienta.
Já em Cruz das Almas, conhecida pelas tradições juninas e pela forte presença universitária, o cenário deste ano apresenta um comportamento diferente. O corretor e delegado do Creci no município, Jeová Junior, relata uma redução na procura em comparação com 2025.
“Este ano observei uma queda de 25% na procura por imóveis para o São João. Até o momento, só aluguei 35% dos imóveis disponíveis. No mesmo período do ano passado, já tinha alugado 70%”, afirma. Ele atribui a situação à limitação orçamentária para contratar artistas mais conhecidos para o São João.
Mesmo com a desaceleração, os valores continuam elevados. Os imóveis disponíveis na cidade variam entre R$ 3 mil e R$ 15 mil. A expectativa é de predominância de grupos de jovens, impulsionados pela programação de blocos juninos no entorno da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
Cuidados na locação
Além da valorização imobiliária, os profissionais do setor alertam para os cuidados necessários na hora de fechar negócio. A recomendação é priorizar imóveis intermediados por corretores credenciados e formalizar a locação por meio de contrato.
Jeová Junior destaca que o documento deve incluir cláusulas previstas na Lei do Inquilinato, além de anexos com fotos da vistoria e descrição detalhada dos móveis e eletrodomésticos presentes no imóvel. Também é recomendada a definição prévia do número máximo de hóspedes e das condições de pagamento. “O ideal é que 50% do valor seja pago na assinatura do contrato e o restante no início da estadia”, afirma.