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Ainda há lugar para condomínio-clube em Salvador?

Gilson Jorge
Por Gilson Jorge
| Atualizada em

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Piscina no Alphaville, empreendimento de alto padrão
Piscina no Alphaville, empreendimento de alto padrão -

A possível retomada do crescimento do mercado imobiliário para as classes média e média-alta em Salvador traz uma pergunta: o modelo de condomínio-clube, que se expandiu principalmente em torno da Avenida Paralela, está saturado? A oferta de amplos espaços verdes e variados equipamentos de lazer em uma área exclusiva seduziu uma parcela da população com alto poder aquisitivo e medo da violência urbana. Mas a escassez de terrenos e o alto custo de manutenção podem ser entraves a novos investimentos.

Dono da Gráfico Empreendimentos, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia, Carlos Henrique Passos, vê uma tendência à concentração de investimentos em prédios com uma ou duas torres em bairros bem servidos por serviços e com boa mobilidade.

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"Os condomínios-clube foram uma aposta de grandes incorporadoras de fora. E muita gente achou que ganharia dinheiro comprando unidades para investir, imaginando que a economia do Brasil iria crescer muito", diz Passos.

1939

A onda de condomínios-clube em Salvador teve o ápice entre 2005 e 2010, quando grandes marcas, como Alphaville e Le Parc, aportaram em Salvador com a promessa de um novo modelo.

Diferentemente dos condomínios já existentes no litoral norte, em Piatã ou Patamares, onde os lotes cercados davam espaço apenas para a construção de belas casas e, eventualmente, uma praça, os condomínios-clube apostaram em uma completa estrutura de lazer e serviços que tornam desnecessário sair do bairro até quando se quer jantar fora.

Mais luxuoso do gênero, o Alphaville tem na saída uma área comercial que serve tanto a moradores quanto a quem passa pela Avenida Paralela.

Mas esse conceito trouxe a reboque uma série de empreendimentos que replicaram o modelo, nem sempre com o padrão de luxo originalmente vendido. "Muita gente se impressionou com a propaganda e acabou pagando caro por alguns condomínios, que na verdade não têm alto padrão", afirma o corretor de imóveis e diretor pedagógico do Creci, Noel Silva.

Ele acha, entretanto, que a limitação para a expansão dos condomínios-clube em Salvador deve-se apenas à falta de terrenos. "A busca por lugares que oferecem esse conceito continua, mas eles devem ser construídos em cidades vizinhas", afirma.

Para ele, os condomínios fechados, especialmente os que têm várias torres, levam a vantagem (para o empreendedor) de baratear o custo do metro quadrado. "Não é o caso do Alphaville", explica Silva.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a maior administradora de bairros planejados do Brasil disse: "A região é muito promissora e a Alphaville Urbanismo teve bons retornos da praça, e, por isso, há sim a intenção de voltar para Salvador, embora ainda não tenha um projeto confirmado".

Imagem ilustrativa da imagem Ainda há lugar para condomínio-clube em Salvador?
| Foto: Mundo Plaza, uma torre comercial e outra residencial

Mundo Plaza, uma torre comercial e outra residencial (Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE​)

Multifuncionais

Crítica dos condomínios-clube e os prédios multifuncionais, a professora de urbanismo da Unifacs Márcia Melo os classifica de "enclaves urbanos e herança norte-americana" pela forma com que imitam um padrão de luxo consagrado nos Estados Unidos, como a Trump Tower, edifício comercial criado em 1954 pelo empresário Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e no Rockfeller Center, um conjunto arquitetônico art déco inaugurado em 1939 em Nova Iorque, que mistura unidades residenciais com escritórios e comércio.

As pessoas precisam se encontrar com desconhecidos, cooperar umas com as outras

"Oscar Niemeyer trouxe esse conceito para o Brasil com o Edifício Copan, de São Paulo", diz a arquiteta. Para Márcia, os edifícios multifuncionais são mais interessantes, pois oferecem uma diversidade de serviços afins", diz a urbanista, que acentua a falta de interação nos condomínios-clube como a semente de um problema futuro para quem cresce isolado da cidade.

Para ela, as pessoas que nascem nesses espaços vão ter um choque quando tiverem que interagir com a cidade. "Imagine quando uma criança dessas crescer e tiver que ir à Avenida Sete, um local onde transitam muitas pessoas de bem, trabalhadoras, mas que é rotulado como um antro de maus elementos", questiona.

Mais incisivo, o professor de urbanismo da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) Luiz Antônio Souza considera os dois modelos, prédios multifuncionais e os condomínios-clube, como "negação da cidade".

"As pessoas precisam se encontrar com desconhecidos, cooperar umas com as outras", diz o professor, para quem as praças e áreas de lazer devem ser comuns a todos.

Imagem ilustrativa da imagem Ainda há lugar para condomínio-clube em Salvador?
| Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE

Barcelona, torre de alto padrão no Corredor da Vitória (Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE)

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